Portugal e os Futuros Quadros – Um Conto de Precariedade

Os jovens são a futura força motriz do país, em todas as áreas, da comunicação à tecnologia, e hoje, numa época altamente global, pratica-se uma cultura de proximidade dentro do eixo dos países mais evoluídos, em que a sociedade segue cavalgando a onda de tecnologia que invadiu as nossas vidas de há sensivelmente dez anos a esta parte, talvez um pouco mais, estando as redes sociais no topo dessa tecnologia de aproximação global. O que é certo é que hoje se vive um pico de competitividade transversal a todos os setores, pois que o acesso às oportunidades está hoje mais democratizado do que nunca. Ora, esta situação por um lado boa, faz com que no nosso país existam mais indivíduos formados, do que postos de trabalho onde se empregarem, sendo os salários dos profissionais debutantes na casa dos vinte anos quase insuficiente para comportarem o custo de vida relativamente elevado, situação quase paradoxal, neste que é um país com uma economia muito pouco dinâmica comparada com a de alguns parceiros da UE, e por isso incapaz de absorver os seus formandos.

É quase paradoxal também que a democratização das oportunidades torne o mercado de trabalho um horizonte tantas vezes inacessível e pouco atrativo em termos financeiros, como já supramencionado. Resta assim aos debutantes a clássica opção que todos conhecemos, a emigração, que no entanto, não é uma nova realidade entre o povo português, que já desde o tempo da outra senhora parte para as antigas colónias, para os EUA, e para os outros países europeus, em busca de melhores condições financeiras. Somos uma pequena pátria onde nunca houve, nem há, lugar para todos, uma circunstância histórico-social que fez de nós um povo errante, num êxodo constante, périplo mundial à procura dum lugar na sociedade onde nos possamos inserir, estabelecer e progredir. Parece-me pois ser esta a sina, o fado de todos os que nascem neste quadrilátero de poetas. Este não é um país para almas sossegadas e comodistas, à exceção claro, dos que nascem em berço nepótico e não precisam de se desassossegar muito com questões futuras, mas, exceções à parte, este é um país onde as gentes têm a obrigação de nascer com raça, sem temor de partir, avançando com fulgor em relação àquilo que se pensa vir a ser um futuro melhor.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Ricardo De Sousa Carmo

Editado por: Joana Horta Lopes

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