Lá Para Dentro: A “nova” Champions League prepara-se para chegar em 2024

O comité de competições da UEFA prepara-se para deliberar na próxima semana quanto a uma reformulação daquela que é a principal competição de clubes do continente europeu. No Lá Para Dentro desta semana faz-se uma análise crítica das principais mudanças que serão feitas numa Liga dos Campeões que pretende ser cada vez mais, como o nome indica, uma liga.

Fonte: UEFA.com

A primeira grande mudança prende-se com o aumento do número de participantes: pretende-se passar dos tradicionais 32 para 36 equipas. Este ponto vai ao encontro com a intenção de se democratizar a prova, possibilitando que mais clubes de mais países tenham a oportunidade de competir na “liga milionária”.

Como referido, a mudança que se analisa visa aproximar cada vez mais a Liga dos Campeões do formato de Liga. Por isso, a fase de grupos da prova terá os seus dias contados dando lugar a uma liga com 36 equipas, assente no denominado modelo suíço que pressupõe, no total, a realização de 100 encontros por época.

Decerto que o leitor já se perguntou “como é que uma liga com 36 equipas terá no seu todo apenas 100 jogos?”. Importa, para isso, atentar nas particularidades do modelo suíço: cada equipa disputará, nesta fase, apenas 10 jogos (enfrentando, nesse sentido, outras 5 equipas que estejam em prova nos moldes tradicionais). Os grupos serão constituídos atendendo ao ranking da UEFA e ao histórico dos diversos participantes: o critério encontrado pela UEFA para tornar a prova tão equilibrada e democrática quanto possível.

O Modelo Suíço servirá de base para toda a reformulação proposta. Fonte: Bavarian Football Works

Jogados os 10 jogos da fase supramencionada, os oito primeiros classificados avançam para os oitavos-de-final da prova. Os 16 classificados seguintes disputarão um play-off (cujos jogos serão determinados atendendo às classificações finais da “liga” de 36 equipas) para se encontrarem as restantes 8 equipas. A partir daí a prova seguirá os modelos que todos nós já conhecemos.

Analisando estes pontos, podemos concluir que a UEFA assume-se como defensora dos clubes mais pequenos ao tentar contrariar as intenções que os “tubarões” têm em criar uma Superliga Europeia, que lhes possibilitaria consolidar o seu poder e aumentar as suas receitas. Nesse sentido, os responsáveis da confederação europeia partilham da visão que nós temos do futebol, em que entendemos ser totalmente necessária a inclusão das equipas teoricamente mais fracas.

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, assume-se como defensor desta reformulação. Fonte: Goal.com

Mas a solução está longe de ser perfeita! Existem dois pontos que entendemos serem merecedores de reflexão: o primeiro prende-se com o aumento do número de jogos: mais 4 jogos por época implicam a sobrecarga de um calendário que atualmente já esta sobrecarregado (sobretudo nas denominadas “Big Five”). Será que esta alteração irá ditar o fim das Taças da Liga ou o afirmar da ideia de que os jogadores são máquinas que jogam à bola a cada dois dias?

O segundo ponto respeita à ocupação dos quatro lugares “extra”: um para uma equipa da liga francesa (colocano este campeonato em circunstâncias semelhantes aos restantes pertencentes aos “Big Five”); outro para uma equipa que tenha tido uma boa prestação na prova da época transata e que não tenha assegurado a sua participação na época seguinte (sendo, nesse sentido, convidada) e, por fim, dois lugares para equipas históricas que não tenham assegurado uma participação na Liga dos Campeões, todavia que tenham acesso garantido, pelo menos, à Liga Europa. No nosso entender, este seria o principal ponto a carecer de uma revisão, opondo-se de forma clara aos pressupostos apresentados pela UEFA para esta mudança de formato.

As equipas francesas veem com bons olhos esta mudança tendo em conta que terão maiores possibilidades de participarem na “liga milionária”. Fonte: ESPN

Em suma, a época 2024-25 muito provavelmente marcará o início de um novo capítulo da Liga dos Campeões. Cremos que a maioria das alterações serão benéficas para a generalidade das equipas europeias e que este novo formato irá promover uma maior competitividade na prova. Todavia, também entendemos que deverão ser revistos os critérios de qualificação para a prova, devendo o mérito competitivo ter um peso superior ao que se está a propor.

Escrito por: Filipe Ribeiro

Editado por: Inês Conde

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