Presidenciais 2021 – Marisa Matias, o regresso da mulher mais votada nas Presidenciais de 2016

Marisa Matias, a “força maior” da Esquerda, volta a candidatar-se à Presidência da República, na expectativa de alcançar um melhor resultado do que nas presidenciais de 2016 e de se tornar Chefe de Estado – tendo como inspiração Maria de Lurdes Pintassilgo, a única mulher primeira-ministra de Portugal.

Fonte: Nuno Ferreira Santos, Público

Marisa Matias é eurodeputada desde 2009. Foi candidata às eleições de 2016 – obtendo o melhor resultado do Bloco de Esquerda (10%), ficou em 3º lugar – e está novamente presente na corrida ao cargo de Presidente da República.

Na sua entrevista com Miguel Sousa Tavares, começou por agradecer a Marcelo Rebelo de Sousa pelo trabalho que fez – nomeadamente na sua posição de defender os cuidadores informais por mais e melhores direitos e garantias – contudo, com falhas no que toca à falta de agenda para os sem-abrigo, no reforço do SNS e nas posições em relação ao Novo Banco, que tornam o seu cargo um “adorno”. Apresentou-se como social-democrata, o que gerou um gigante alvoroço nas redes sociais, dada a utilização do termo ideológico desde membros da Direita à Esquerda.

Marisa mostra que a “Força Maior” invocada nos seus cartazes de publicidade eleitoral se refere a situações de combate ou necessidade de socorrer os motivos atuais de força maior, sendo a situação pandémica, o SNS e a precaridade. A candidata expõe a sua crítica às entidades privadas de saúde, referindo-a como “indecente e inaceitável” pela atitude adotada no início da pandemia – “quando a pandemia começou, foram os privados os primeiros a fechar as portas”. Além disso, relembra os acordos que os privados tinham com os públicos e que deixaram de cumprir, deixando o SNS pouco eficiente – o que desencadeou um debate com Sousa Tavares, que desmente, apresentando estatísticas europeias de que Portugal tinha excesso de profissionais de saúde.

No que toca às finanças e à economia, MST começa por questionar a candidata a Belém acerca da sua posição em relação ao Novo Banco, dada a anulação da transferência de dinheiro para o banco – “Temos razões para desconfiar de que não está a correr bem“. Marisa aproveita para acrescentar, à sua opinião sem qualquer confiança no banco, a recente venda da Fidelidade ao Grupo Apollo por 40 milhões, ao qual esta volta a ser vendida a outra entidade, mas por 600 milhões de euros (“o negócio foi feito por baixo de propósito”). Marisa Matias mostrou o seu ponto de vista, ainda pouco fundamentando, na transferência de 1700 milhões dos contribuintes para TAP, mas com perspetiva de que seja uma companhia importante para “estar ao serviço das comunidades portuguesas”.

Refere-se, ainda, à Zona Franca da Madeira e à necessidade do fecho deste offshore, dado que “não cria emprego, nem traz vantagens económicas à região”. Com a permanência deste offshore, explica Marisa Matias, o aumento do PIB vai impossibilitar a Região Autónoma de receber fundos comunitários europeus, que lhe são justos – “a lógica dos offshore é permitir que as grandes empresas fujam às suas obrigações de pagar impostos e esconder dinheiro nestes paraísos”.

Em campo de Relações Internacionais, a situação de veto da Hungria e da Polónia volta a ser destaque na entrevista de Sousa Tavares. A candidata revela que é injusto o balancear do Governo húngaro e polaco entre o cumprir o Estado de Direito ou Portugal receber os fundos, apelando à “justiça fiscal” e aos tratados que compõem a União Europeia e que estes Governos não estão a cumprir – “temos de ter uma mão firme”.

Fazendo um panorama geral das Presidenciais, Marisa Matias candidata-se para cumprir naquilo em que Marcelo falhou. Mostra-se solidária com a adversária Ana Gomes, na qual apesar de algumas compatibilidades ideológicas que as colocam relativamente perto no mesmo espetro político, divergem em política orçamental, europeia e na defesa.

Relembrando a crítica de André Ventura, que apelidou Marisa Matias como a “candidata marijuana”, esta expõe-no como “vigarista, cobarde e troca-tintas“. Justificou o dito como “matéria de facto”, uma vez que ao ser eleito (Ventura) exigiria exclusividade, que, no entanto, reviu-se num acumular de salários, e por ter mudado, em menos de 24h, de opinião em relação ao Novo Banco – “votou contra, absteve-se e votou a favor“.

Recentemente afirmou que vai prosseguir com a campanha eleitoral, mas com as devidas condições de proteção e medidas sanitárias contra possíveis contágios por covid-19. A candidata conta com o apoio do Bloco de Esquerda e tem esperança numa eleição com 2 voltas.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: João Miguel Fonseca

Editado por: Júlia Varela

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