A tecnologia e inovação como centro de um mundo pós-pandemia. O primeiro dia da Web Summit 2020 foi assim

A maior cimeira tecnológica do mundo realiza-se mais uma vez em Lisboa, desta vez online. Graças a uma plataforma interativa criada de raiz, a Web Summit junta mais de 100 mil pessoas. Ao longo do primeiro dia seguiram-se conversas sobre inúmeros temas – desde política e legislação de internet a movimentos ativistas.

Fonte: All Tech Conferences

Na passado dia 2, o evento descolou com a cerimónia de abertura, onde contamos com a presença do co-fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, do Primeiro Ministro, António Costa, e do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. A principal mensagem passada foi da importância da digitalização e da inovação, no mundo atual e no mundo pós-pandémico.

O mundo pós-pandémico será diferente. E cabe-nos assegurar que será melhor.” – António Costa

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, usou o seu tempo para deixar um aviso relativamente às grandes plataformas da Internet, que tanto têm lucrado, lembrando aos utilizadores da importância dos seus dados e dos seus direitos de privacidade. Reforçou ainda que “o que é ilegal offline tem de ser ilegal também online”. Apesar dos avisos, a presidente da Comissão Europeia mostrou-se otimista, referindo que foram as tecnologias que permitiram criar vias de comunicação alternativas durante a pandemia, assim como desenvolver o processo de vacinação que toma como o método para acabar com a crise pandémica.

Cindy Cohn, advogada especializada em legislação de internet e Diretora Executiva da Electronic Frontier Foundation, aprofundou mais o tema dos direitos civis online. Concordou com Leyen no aspeto em que os utilizadores estão dependentes dos gigantes da internet, explicando que os dois principais pontos a apostar são na encriptação e na lei de privacidade de dados. Quando questionada acerca do sucesso da implementação do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) pelo Parlamento Europeu, respondeu que foi pioneiro e positivo tendo, porém, algumas lacunas que permitem às empresas “fugir” à legislação, através de truques como os Termos e Condições extensos – que fazem os internautas clicar a aceitar sem verdadeiramente os ler.

Mudando para o mundo da informação e do jornalismo, Norman Pearlstine, Neil Brown e Connie Guglielmo mencionaram a importância da tecnologia: de como foi benéfica para a captação e divulgação de notícias, mas de como foi negativa, na medida em que acelerou todo o processo da redação, podendo gerar erros e desinformação. Falaram da falta que sentem da interação presencial e de estarem no terreno e acrescentaram também a falta de consumidores críticos, que num mundo de informação devem saber escolher e filtrar as suas fontes.

Ben de Pear e Rich Lowry explicaram como os órgãos de comunicação do Reino Unido e dos Estados Unidos da América podem ser politicamente tendenciosos. Por um lado, temos uma maior diversidade de pontos de vista. Por outro, as pessoas consomem mais a informação que se aproxima dos seus valores – ou seja, é muito fácil ficarem presas numa “bolha”. Parafraseando Lowry, no meio de tantas boas notícias, é fácil encontrar más, se alguém quiser encontrar uma notícia de que Trump ganhou as eleições (mesmo que sem provas) consegue. Aquilo que se pode exigir das agências noticiosas é transparência.

O impacto da Inteligência Artificial na criação de um mundo mais sustentável foi exposto por Jenny Schuster e Benno Blumoser, corporizando um projeto vinculado à Siemens, cujos objetivos rondam a interação constante entre o humano e a máquina. É nesta medida que a ótica da IA atua. Ao depararmo-nos com barreiras, devemos encará-las como oportunidades para iniciativas desta colaboração num mundo sustentável ao nível da saúde, do ambiente, do trabalho, e outros aspetos.

Keith Krach, do Departamento de Estado de Donald Trump, expõe a sua ideia em relação a um equilíbrio entre estes dois conceitos – o homem e a tecnologia – de forma a haver uma economia global forte e relações internacionais seguras. Da sua experiência no cargo, aproveita o discurso para direcionar uma crítica à China, nomeadamente à situação pandémica enquanto motor de combustão para a economia chinesa, e alguns preceitos vinculados à Huawei.

A problemática do racismo propagado, essencialmente, por conteúdos online, mensagens de ódio nas redes sociais e noutras plataformas em que é possível a interação social, foi abordada por ativistas como Siyabulela Mandela, Modupe Odete e Femi Kuti. Os convidados alertaram para estarmos “atentos ao passado”, lutarmos contra a brutalidade policial, o racismo institucional e as forças opressoras no poder, por exemplo nos regimes do Sudão do Sul e da Tanzânia.

Fernando Jardim, gerente comunitário associado ao cenário de startups em Portugal, mostra-nos uma Lisboa como o epicentro da origem de inúmeros projetos inovadores.

Ekaterina Malievskaia e Kelsey Ramsden quebraram o estigma associado às substâncias psicadélicas e, tendo em conta uma perspetiva clínica e outra associada ao manusear destas drogas, afirmou-se a importância e necessidade do apoio psicadélico ao combate de doenças mentais.

Assim foi o primeiro dia da Web Summit. Até dia 4 de Dezembro, o Jornal desacordo estará para trazer todas as novidades do evento.

Escrito por: Júlia Varela e João Miguel Fonseca

Editado por: Mariana Mateus

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