Dois dedos de música com Mary N

Mary N é uma cantora e instrumentista portuguesa que vai atuar no Rock in Rio no próximo dia 25 de junho. Em 2020, venceu o prémio E! da E! Entrenimento Portugal, na categoria na música. Numa entrevista ao Desacordo, a artista revelou alguns detalhes do seu percurso musical e do seu novo álbum.

Fonte: ActiGamer

Como surgiu esta tua paixão pela música?
Surgiu mais ou menos aos sete anos. A Avril Lavigne lançou uma música, o Complicted (que acho que toda a gente conhece) e eu, ao ver uma rapariga com uma guitarra e uma banda, apaixonei-me. Também queria ter uma guitarra e uma banda. Mais tarde, aos dez anos, recebi minha primeira guitarra e foi aí que me iniciei realmente na música.

No teu site oficial dizes que, até aos 15 anos, eras demasiado tímida para atuar em público, mas que depois percebeste que podias utilizar a música para comunicar com pessoas que tivessem passado por experiências semelhantes às tuas. Como é que isto aconteceu?

Por volta dos 14/15 anos, queria começar a escrever as minhas próprias músicas e para isso tinha de as cantar. Sempre gostei de cantar mas ninguém sabia e queria mostrar isso às pessoas. Então, arranjei um plano: inscrevi-me em aulas de canto numa escola, que sabia que fazia uma espécie de audição no final do ano. Iria ser a minha maneira de tentar avançar. A partir daí senti-me muito mais livre e comecei a escrever sem parar.

Escreves as tuas próprias letras, que são bastante pessoas. Tens algum ritual para escrever ou escreves sempre que te sentes inspirada?

Normalmente, começo por escrever as músicas com melodia e nunca com letra. Canto em “jibbles”, ou seja, canto uma melodia numa espécie de língua inventada e depois deixo o tempo dizer-me do que é que vou realmente falar, embora algumas vezes já tenha uma noção. Não tenho nenhuma hora do dia reservada para fazer isso, é quando calha.

Já falaste da influência que a música “Complicated” e a Avril Lavigne tiveram no teu percurso profissional. Há mais algum artista ou banda em quem te inspires particularmente?

Tenho algumas bandas que foram importantes na minha vida e no meu percurso musical, por exemplo McFly ou The Berries. Mas, de momento, oiço mesmo de tudo e não um artista específico.

Tens um álbum publicado, que se chama “Patience”. Fala-nos um pouco do seu processo de criação e lançamento.

Trabalhei no “Patience” dos 15 aos 21 anos. Produzi-o em casa, embora tenha havido uma ou duas músicas gravadas em estúdio. Foi inspirado na minha vida e é um pouco triste, pois encontrava-me numa fase pior. Já o meu novo álbum é precisamente o contrário disso.

Qual a tua opinião acerca do atual panorama da música em Portugal?

Sou muito sincera, não estou muito a par da música portuguesa, não é muito o meu tipo de coisa. Acho que existe por aí muito talento escondido e melhor do que o nosso “Top 10”. Acho que é tudo muito igual, muito melancólico, muito acústico, não há muita variedade. É praticamente sempre o mesmo estilo e o mesmo tipo de produção.

Quais os maiores obstáculos que encontras enquanto profissional de música?

Existe muita competição e, agora que toda a gente tem acesso a redes sociais e ao mundo da internet, é muito mais difícil alguém destacar-se. Tens de estar sempre a criar conteúdo e a inovar. Aqui em Portugal, por ser um país pequeno, as oportunidades são muito raras e é muito difícil entrar no circuito da indústria musical, pois já existem círculos feitos. Um pouco como estar numa escola e tentar pertencer ao “grupo dos populares”.

E qual a melhor parte de ser profissional de música?

A minha paixão é a música e é incrível poder fazer disso vida. Conheço gente nova e estou sempre em sítios diferentes. Obviamente que há partes piores mas diria que estou contente e feliz durante 90% do tempo, pois estou a fazer o que gosto.

Fora da música, a que mais gostas de dedicar o teu tempo?

Gosto de estar com os meus amigos. Gosto imenso de desportos com prancha, como skate, surf e snowboard. Gosto de de ler livros técnicos. Gosto de novas experiências, de comer fora. Enfim, muita coisa.

Vais atuar no Rock in Rio no próximo dia 25 de junho. Qual os teus receios e expetativas em relação a isso?

O meu maior receio, que deve ser o maior receio de qualquer artista, principalmente de um artista novo, é não ter público ou não ter muita gente a assistir. Mas acho que vai ser muito giro, é o Rock in Rio e é uma animação. Acho que vai correr bem, vou para o concerto com muita energia e estou ansiosa.

Como descreves o sentimento de poder atuar no Rock in Rio?

É um sentimento incrível. Das poucas oportunidades que tenho aqui em Portugal, ir logo para o Rock in Rio é um sonho. É algo que risco da check list, já posso dizer que dei lá um concerto.

Que mensagem pretendes passar às pessoas que te irão ver a atuar no Rock in Rio?

Vou poder mostrar o meu trabalho e quero passar a mensagem do álbum que eu vou lançar, que se chama “Better” e que refelte um bocado o meu crescimento, não só como artista mas também como pessoa. Quero dizer que a vida não é sobre o destino, mas sobre o caminho e que devemos tirar sempre partido daquilo que ela nos dá, seja bom ou mau, para nos tornarmos sempre melhor ( better ). Que não devemos desistir e que se tabalharmos conseguimos o que queremos. Há muita gente que desiste à primeira. Eu própria, tenho de estar sempre a provar aos meus pais que isto é mesmo aquilo que quero.

Tens mais algo a dizer sobre o teu novo álbum, “Better” e sobre as suas músicas?

Tal como o “Patience”, fala um bocadinho sobre a minha fase “má” mas de uma forma mais positiva, do lado positivo das coisas, como se houvesse uma saída. Por exemplo, há uma música que eu tenho que se chama “Lost” que é sobre nem sempre ser mau nós nos perdermos, porque quando nos perdemos encontramos sempre alguma coisa nova.

O próximo single de Mary N sairá já no próximo dia 24 de junho, um dia antes da sua atuação no palco Super Bock no Rock in Rio.

(Artigo com fotos em atualização)

Escrito por: Beatriz Gouveia Santos

Editado por: Rafaela Boita

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