IndieLisboa: Super Natural

Super Natural é na verdade um pseudo-filme, no sentido em que é constituído por quase uma hora e meia de pretensiosidade, sofrendo de uma abstinência de qualquer forma de sentido ou ponto a ser feito. O que é super natural em Super Natural é a forma em que o filme ofende a inteligência da plateia, chegando a ser cómico em certos momentos, fazendo os nossos olhos revirarem-se de formas que antes pensava serem humanamente impossíveis.

A primeira coisa que deve ser dita sobre esta “obra” realizada por Jorge Jácome, é que ela é, de facto, muito mais interessante como tópico de conversa, do que como obra cinematográfica. O filme que fala connosco e nada nos consegue dizer, é certamente uma proeza da parte da produção. O filme faz tanto esforço em não ser acessível que ele nem entrega nada para o telespectador alcançar.

Pois André Teodósio, um dos escritores dessa coisa, faz questão absoluta de não entregar nada a ninguém. No diálogo depois da sessão no IndieLisboa, a quantidade de desconexão com a realidade rivaliza com os momentos surreais do filme, é quase como ouvir uma pessoa sob efeito de narcóticos explicar porque é que a água é molhada, no sentido em que um simples “porque sim” responderia à pergunta com menor uso de saliva do que dolorosos minutos de palavras vazias.

Pode-se tentar o quanto quiser, dizer que a “terra deveria chamar-se oceano” não diz nada para qualquer um com mais de 12 anos de idade. Na realidade, não me espantaria que uma criança de 12 anos tivesse escrito esse filme, infelizmente não é a realidade e não é possível oferecer essa desculpa.

Dito tudo isso, não existe problema algum em tirar valor desse filme, opiniões são apenas opiniões. No entanto, existem sim problemas maiores que a falta de valor intelectual, que é o grave problema em que o filme se aproveita de pessoas com necessidades especiais. É desconfortável a falsa tentativa do filme em trazer um aspecto identitário à sua “narrativa”, em que o efeito oposto ocorre, acabando por ser mais exclusivo do que inclusivo. O filme usa as pessoas com necessidades especiais, em vez destas usarem o filme. Esse problema surge obviamente da falta de substância no enredo e a falta de, novamente, qualquer ponto a ser feito.

Fonte: Berlinale

Em resumo, filmar lindas praias em super 8 não constitui algo maior que a vida, e se pelo menos existisse alguma honestidade intelectual da parte dos produtores, certamente seria uma experiência exponencialmente melhor, onde é melhor não tentar e ser honesto em que não houve uma tentativa, do que fingir que houve.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Guilherme Alves de Freitas

Editado por: Rita Tavares

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