“O Amor é tão Simples” , a peça de teatro que traz ao Teatro da Trindade reflexões sobre o amor

“O Amor é tão Simples” é uma peça escrita, originalmente, em 1939 pelo dramaturgo inglês Noël Coward e estreou no Teatro da Trindade a 10 de fevereiro, estando em cartaz até 26 de junho.

Cartaz da peça
Fonte: Teatro da Trindade

Com encenação e protagonização de Diogo Infante, a história da peça gira à volta de Guilherme de Andrade, um ator galã com inúmeros admiradores que atravessa uma crise de meia-idade e que vive numa mansão apenas com os seus empregados – uma secretária (Rita Salema), uma governanta (Ana Cloe) e um mordomo (Flávio Gil). Pouco antes de partir para uma digressão em África, Guilherme depara-se com inúmeras peripécias amorosas que tomam proporções absurdas. De um lado, tem Henriqueta (Gabriela Barros), uma jovem com idade para ser sua filha e com quem passou a noite, que está perdidamente apaixonada por si. De outro, tem a ex-mulher (Ana Brito e Cunha), de quem continua amigo depois de um casamento falhado. Num terceiro lugar, encontra-se um excêntrico aspirante a dramaturgo (Cristóvão Campos) que lhe tem uma obsessão similar à de Henriqueta. Por último, existe Joana (Patrícia Tavares), mulher do seu amigo Hugo (António Melo) que o seduz, tal como fez a Mateus (Miguel Raposo), um outro amigo. Porém, embora tenha todos estes pretendentes, Guilherme apresenta a sua perspetiva sobre o amor através dos seguintes versos de Florbela Espanca:

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente”

Num ambiente de comédia, a peça retrata vários tipos de relações com as quais grande parte dos espetadores se identificarão. Henriqueta e o excêntrico, na sua paixão por Guilherme, representam o amor intenso, mas platónico/não correspondido, tanto de um ponto de vista heterossexual, como homossexual, respetivamente – Coward, o autor, era homossexual e, na época em que escreveu este texto, a sociedade europeia era muito homofóbica, daí ser ainda mais interessante perceber que aqui tentava ilustrar a homossexualidade de uma forma subtil. Já a ex-mulher de Guilherme representa as relações de fraternidade e lealdade pois, apesar de estar separada, continua a ser uma importante e crucial presença na vida do ex-marido.

Joana, por sua vez, interpreta as relações adúlteras e secretas, traindo e sendo traída pelo seu cônjuge e entregando-se a dois amigos deste. Podemos dizer, ainda, que são também representados o celibato (ainda que implicitamente) na figura da secretária, solteira e que não demonstra interesse amoroso por ninguém, e a sobreposição da luxúria ao amor, na figura do mordomo, que mantém uma relação com uma dançarina de um clube noturno.

Em suma, “O Amor é tão Simples” acaba por ser uma reflexão profunda sobre o próprio amor, contada de forma ligeira e bem humorada. A interpretação sublime dos atores encenados por Diogo Infante encarnará perfeitamente, a meu ver, a mensagem que Coward, eventualmente, quis passar ao mundo nos anos 30 do século passado. Os bilhetes para assistir à performance no Teatro da Trindade, variam de 10 a 20 euros, consoante o lugar escolhido. Os horários de atuação são às 21 horas, de quarta a sábado, e às 16:30 ao domingo.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Beatriz Gouveia Santos

Editado por: Rafaela Boita

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