ISCSPoiler: Everything Everywhere All At Once

Tudo, em todo lugar, ao mesmo tempo, o filme faz justiça ao nome, a quantidade de coisas acontecendo a todo momento, em todos os cantos da tela, durante quase todo o runtime, é de espantar. É uma verdadeira sobrecarga de informação que os realizadores Dan Kwan e Daniel Scheinert proporcionam ao público.

A experiência de ver Everything Everywhere All at Once (que será referido apenas como EEATO a partir de agora) é similar a ficar 2 horas e 19 minutos no TikTok, inclusive, esse filme pode ser visto como um gigantesco TikTok. No entanto, uma diferença crucial entre a odisseia dessa família de imigrantes chineses, e os pequenos vídeos da rede social chinesa, é o fio narrativo que conduz a história com relativa eficácia – e sendo honesto, é até impressionante que as 2 horas tenham alguma coerência.

A linha narrativa não só é coerente como no meio de todo seu caos nos dá um final satisfatório. É inegável como esse filme nos satisfaz, um verdadeiro crowd-pleaser. Aí começamos a entender o que é EEATO, um blockbuster calculado, com ação coreografada, o humor sempre presente, uma viagem de emoções e um final que nos deixa com um sorriso no rosto. A produção feita pelos irmãos Russo deixa tudo mais óbvio também, esse filme acaba por ser tudo aquilo que os filmes de heróis dos últimos anos tentam ser de certa forma.

É um blockbuster mais requintado também, referências visuais ao Wong Kar-wai e ao Kubrick mostram a paixão pela forma que os realizadores possuem, a fotografia certamente teve tempo e carinho devotados à sua confecção, cada segundo foi planejado. E diferentemente de outros blockbusters atuais, é possível se importar com as personagens presentes, sem precisar de quase uma década de desenvolvimento por trás. 

O problema é que talvez seja tudo um pouco demais, não é a oitava maravilha do mundo, o foco tende a perder-se em certas partes, e depois de um tempo a piada de plug anal perde a graça. A maior crítica que pode ser feita a esse filme, é que o tempo, provavelmente, não será carinhoso com ele, não que a carga emocional se disperse, mas o valor do entretenimento certamente deve diminuir ao longo dos anos.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Guilherme Freitas

Editado por: Renato Soares

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