ISCSPoiler – Quem espera nem sempre alcança

Morbius, o tão aguardado filme da Sony que deveria ter estreado em julho de 2020, chega finalmente às salas de cinema dois anos depois, a 31 de março de 2022. O filme relata a origin story do anti-herói da Marvel, o doutor Michael Morbius, interpretado por Jared Leto.

Fonte: Big Pictures

O filme dirigido por Daniel Espinosa trata a história de Michael Morbius, um médico de renome que sofre de uma doença sanguínea rara. Assim, em busca de uma cura, conduz uma experiência pouco convencional que envolve a combinação do ADN humano com o de um morcego, usando-se como cobaia.

Um aspeto positivo que destaco é que existe uma combinação interessante de géneros cinematográficos, na medida em que Morbius é um filme de super-heróis, de ação, e que procura ainda juntar o terror.

O ator e vencedor de um Óscar, Jared Leto, foi uma boa escolha para o papel de Michael Morbius. Para além de evocar os traços físicos da personagem, conforme é retratada nas bandas desenhadas da Marvel, Leto conferiu-lhe um caráter misterioso, sombrio e vampiresco. No entanto, um aspeto bastante interessante da história do personagem – o dilema ético que advém de, enquanto médico, não poder causar dano ou matar – foi completamente mal explorado no filme. A questão foi bastante negligenciada, para além de transmitida de uma forma muito superficial e desmazelada.

Fonte: Pinterest

O personagem principal, infelizmente, não foi um caso isolado do mau aproveitamento dos talentos do elenco. Por exemplo, Milo (interpretado pelo ator Matt Smith) é o melhor amigo de infância de Michael Morbius, que também sofre da mesma doença para a qual o médico procurava uma cura. As motivações que conduzem Milo a converter-se no vilão não são explicadas. A própria história por detrás da amizade de longa data entre ambos, merecia ter sido contada de uma forma menos brusca, com mais detalhe e integrando continuidade temporal, atendendo ao facto de serem as personagens de maior importância para a narrativa.

No geral, o filme falha em estabelecer ligações entre personagens e em fazer com que as cenas tenham impacto no espectador. Não se percebe bem o porquê de as personagens agirem como agem ou de tomarem certas atitudes. Desde cenários irrisórios, em que a polícia descarta a importância de vários homicídios (pelo facto de se tratarem de indivíduos mercenários), a personagens apaixonarem-se e viverem o seu romance de uma forma tão abrupta, que parece pouco ou nada genuína, está claro que há imensos loopholes na história que nos é contada.

Um aspeto que não passa despercebido é o facto de a história ser incrivelmente previsível, clichê e com momentos de absoluto copy-paste de outras produções cinematográficas. Faço menção a uma icónica cena do filme Batman Begins (2005) em que o super-herói entra numa gruta com imensos morcegos, sentindo-se integrado entre eles. Em Morbius há uma cena bastante semelhante, quer quanto ao significado, à parte visual e também à banda sonora.

Morbius de certa forma recordou-me dos tempos de escola. Uma vez aconteceu-me… distraí-me com o tempo e escrevi uma redação que me levaria 30 minutos a escrever (no mínimo), em apenas 10. Não iria ter mais tempo para concluir a prova, portanto comprimi ao máximo toda a informação e desenvolvi um texto “em cima do joelho”, descartando muitos elementos que fariam a minha história fazer sentido. A ideia podia até ser boa, mas a execução deixou muito a desejar.

Nota: 5/10

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Joana Horta Lopes

Editado por: Rafaela Boita

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