Eleições presidenciais francesas 2022, formalidade ou possível surpresa?  

O ano de 2022 é sinónimo de eleições na terra de Voltaire e de Montesquieu. Depois de um mandato polémico e pandémico, o atual presidente francês Emmanuel Macron não hesitou em apresentar a sua candidatura para mais uma longa estadia no “Élysée”. Movimento dos coletes amarelos, manifestações pela liberdade sanitária e humilhações internacionais parecem não ter sido suficientes para abalar a confiança do atual presidente. Voltaremos a ter um novo presidente como em 2017, após uma não reeleição do seu antecessor François Hollande, ou será esta eleição apenas uma formalidade para Macron?

Cinco anos depois, é então possível efetuar uma análise detalhada do mandato de Emmanuel Macron. O julgamento será no próximo dia 10 de abril e o povo francês será chamado ao júri. A pergunta que será feita aos eleitores é a seguinte: Culpado ou inocente?

Embora uma condenação não tenha impedido vários governantes de chegarem ou de se manterem no poder, neste caso é muito pouco provável que o atual presidente lance uma revolta similar à da invasão do capitólio americano após a eleição de Joe Biden, no caso de uma improvável derrota. Os seus níveis de popularidade também não o permitiriam.

Mas nem sempre a falta de popularidade é sinónimo de derrota, basta não haver adversários competentes. Segundo a maioria das sondagens, apenas um candidato (neste caso candidata) parece poder fazer face numericamente ao atual presidente. O seu apelido já é um velho conhecido dos eleitores franceses e a palavra que vem normalmente a seguir é derrota. Marine Le Pen, derrotada em 2012 e 2017. Estará este apelido condenado a perder ou teremos enfim a primeira mulher a governar? A segunda possibilidade parece uma miragem. 

Das ruínas da esquerda gaulista emerge o candidato Jean-Luc Mélenchon, também derrotado várias vezes nas últimas eleições e com poucas possibilidades de se tornar no novo presidente da quinta república fundada pelo general Charles de Gaulle. Nome várias vezes citado pela maioria dos candidatos à direita de Macron. A direita gaulista, representada pelo novo candidato Eric Zemmour parece ter perdido o fôlego, depois de um início prometedor e as suas polémicas opiniões sobre a NATO e a sua relevância comprometem a sua possibilidade de chegar a uma eventual segunda volta. 

Também Valérie Pécresse parece estar fora das verdadeiras contas pelo título de camp…. Presidente da República. Neste caso nem o início, nem o fim foram prometedores. Valérie Pécresse é vista pela maioria dos franceses como uma versão mais barata de Emmanuel Macron. Uma versão um pouco mais nacionalista e patriota que parece não convencer ninguém, nem o próprio número dois do seu partido que rumou em direção ao recém criado partido Reconquete (Reconquista), liderado por Eric Zemmour. Para além da importância da França de um ponto de vista territorial, esta eleição merece o especial interesse de todos os Europeus, pois a França detém agora a presidência do Conselho Europeu. O novo presidente vai então ter a oportunidade de guiar e influenciar diretamente o rumo da União Europeia.

Escrito por: Rui Rodrigues

Editado por: João Miguel Fonseca

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