Do Cinema à Fotografia: O segundo dia das Jornadas de Ciências da Comunicação

O segundo dia das Jornadas da Comunicação contou com três talks em modo híbrido, começando de manhã, com uma sessão online, uma sessão presencial à tarde e uma sessão online novamente ao final da tarde.

O dia começou com a sessão “As Diferenças entre a Assistência nos Filmes Publicitários e nos de Ficção”, com Bárbara Malheiro Dias Jordão, estudante do liceu António Arroio, bolseira da Universidade de Artes de São Francisco e licenciada em Design de Comunicação na Lusófona. Bárbara fez ainda um curso de um ano em argumento na Restart e desde 2001 já trabalhou como scouter, diretora de casting, crowd, estagiária de assistência de realização, em seguida foi terceira assistente de ficcção e publicidade e agora é a segunda assistente de ficção e publicidade.

Através de Bárbara foi possível trazer mais uma convidada, Adriana Moniz, uma atriz já com um longo percurso na área da representação, tendo estudado teatro e enveredado por vários modos de representar. A sua carreira já passou pelo teatro, a televisão, o cinema. Adriana Moniz faz também dobragens, tendo dado voz a personagens de filmes como Coco (2017) e Luca (2021).

Na sessão, tanto a atriz como a assistente de realização falaram do seu percurso e de como é o mundo da realização e da publicidade. Ambos os mundos têm horários específicos, que devem ser cumpridos, mas as regras na publicidade e o tempo são mais rigorosos. Falou-se também nas diferenças das filmagens, dependendo o país, por exemplo um anúncio para a Europa pode ter pessoas a beber álcool dos copos, mas nos Estados Unidos da América, não. Foram também explicadas as várias funções dos assistentes de realização, tendo em conta que o primeiro assistente está mais responsável pela maquinaria, a iluminação e afins e o segundo assistente é quem faz a ponte com os atores, a equipa de maquilhagem, guarda-roupa.

Bárbara mencionou ainda várias coisas que podem acontecer nas gravações, dando exemplos da sua experiência e da pressão vivida com o tempo, porque, por exemplo, na ficcção é uma indústria onde não pagam horas extra, e na publicidade os orçamentos são maiores, pagam melhor aos atores, mas há maior pressão com o tempo. Ambas as convidadas falaram de pontos relacionados com a representação, como a importânica de ter uma boa dicção e Adriana tirou dúvidas quanto ao mundo das dobragens em Portugal.

As convidadas aconselharam a que os alunos que queiram enveredar por esta área procurem trabalhar com os melhores e mostraram-se disponíveis para tirar dúvidas, que podem ser respondidas através do Núcleo de Ciências da Comunicação, enviando e-mail para n.cienciascomunicacao@gmail.com.

Sessão “As Diferenças entre a Assistência nos Filmes Publicitários e nos de Ficção”.

Às 15 horas, ocorreu a primeira conversa presencial do evento, “Jornal Expresso e os Desafios do Digital”, que contou com as intervenções de Pedro Miguel Coelho, coordenador de redes sociais, e João Pedro Barros, editor online, ambos do Expresso.

Pedro Miguel Coelho estreou-se no mundo da comunicação aos 14 anos, fundando o programa de rádio Espalha Factos, inicialmente emitido na estação local de Oliveira do Hospital (a Rádio Boa Nova) e que na atualidade conta com um site e podcasts próprios. Sendo coordenador de redes sociais, falou do desafio que é selecionar conteúdos atrativos, mencionando que, por vezes, os títulos podem ser diferentes dos do site e que colocar citações de entrevistas pode ser um excelente método para obter mais engagement. As redes sociais tiveram um papel fundamental na reação ao ataque cibernético ao Expresso, ocorrido a janeiro deste ano, sendo que o Facebook passou a ser o principal canal comunicativo do jornal, o Instagram um espaço de explicação e desenvolvimento e o LinkedIn um espaço para questões económicas e de emprego.

Pedro Miguel Coelho referiu, ainda, a importância da veracidade das notícias, principalmente durante o atual cenário de Guerra na Europa, visto que “a guerra também se ganha do lado da propaganda” e que ambas as partes beligerantes propagam informações falsas. Vê como risco futuro a personalização excessiva da informação, numa lógica de algoritmos, que pode levar à pouca diversidade de conteúdos consumidos e a opiniões enviesadas.

Já João Pedro Barros disse, igualmente, que “na guerra a primeira vítima é a verdade”, citando a Reuters e a AFP como agências noticiosas de referência. Como editor, diz que está constantemente a pensar nas notícias e a observar o trabalho dos restantes jornais, analisando o que estes fazem de melhor. Assume que o futuro do jornalismo é digital mas receia que, deste modo, as pessoas se esqueçam do papel da comunicação social na sociedade, entrando numa bolha, já visível em algumas caixas de comentários, que classifica os jornalistas como submissos ao poder instaurado.

Ambos disseram que o panorama do jornalismo na atualidade é bastante diferente do que era há cerca de vinte anos, muito por conta do digital, sendo que este permite que o próprio público seja produtor e difusor de informação. O Expresso tem em conta a opinião dos seus leitores, respondendo a reparos feitos no Instagram e aceitando as críticas construtivas. No final, houve espaço para perguntas do público.

Sessão “Jornal Expresso e os Desafios do Digital”, com Pedro Miguel Coelho e João Pedro Barros.

Ao final da tarde houve uma pequena alteração no horário, tendo a sessão das 17h30 passado para as 19 horas devido a compromissos profissionais do orador. No entanto, às 19 horas, a sessão “A Importância do Fotojornalismo nas Crises Humanitárias” conseguiu ter início com o convidado Gonçalo Borges Dias, um profissional do fotojornalismo que estudou no IPF (Instituto Português de Fotografia) e que tem já uma carreira cheia de projetos, sendo, inclusive, um dos fundadores do Everyday Covid, um projeto que tem exemplares publicados e que não só acompanhou a vida das pessoas no primeiro confinamento, como também procurou mostrar como estava o país a quem estava confinado.

Na sessão abordou-se primeiramente a importânica do fotojornalismo para as crises humanitárias, falando do seu impacto e do direito das pessoas estarem informadas. No entanto, foi apontado que há uma diferença entre tentar aterrorizar as pessoas, muitas vezes pela repetição de uma foto que choca, e de informar, isto é, mostrar o que está a acontecer através da publicação de uma foto chocante sem estar constantemente a mostrá-la.

Sessão “A Importância do Fotojornalismo nas Crises Humanitárias”.

Além disso, Gonçalo Borges Dias foi questionado quanto ao fotojornalismo na guerra, respondendo com a sua visão e elogiando o trabalho feito pelo fotojornalismo português. Apesar de nunca ter feito fotojornalismo de guerra, o orador conhece o trabalho que é feito e pessoas que o fazem, explicando também um pouco do que exige através das experiências que conhece. Foram ainda abordadas questões éticas e deontológicas associadas ao fotojornalismo, como o que deve ser documentado ou não e o que causa mais impacto na nossa sociedade ocidental. Por exemplo, uma família ocidental em sofrimento impacta mais do que outras situações.

Gonçalo Borges Dias falou ainda do trabalho que se faz entre o fotojornalismo e o jornalista, que geralmente funciona com o redator que faz o texto e o fotojornalista que capta. No entanto, se o fotojornalista tiver algo que quer escrever no momento pode fazê-lo e arranja alguém que faça uma revisão do seu trabalho para poder publicar. Antes de terminar, o orador falou do seu percurso, deu conselhos aos estudantes, sugestões de formações e mostrou-se disponível para falar com qualquer aluno que tenha alguma dúvida relacionada com o fotojornalismo, podendo contactá-lo através das redes sociais.

Por último, foi questionado pelos alunos sobre projetos futuros do fotojornalista, pergunta à qual Gonçalo Borges Dias só pôde responder com pistas. Aconselhamos assim a que estejam atentos ao seu trabalho.

Escrito por: Beatriz Gouveia Santos e Rafaela Boita

Editado por: Rita Tavares

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