Azov, o Batalhão neonazi que assume a defesa de Mariupol

Assumindo um papel fulcral na atual defesa da cidade de Mariupol, o Batalhão Azov é um regimento de infantaria indiciado por violação do direito internacional e por propagação da ideologia neonazi.

Recentemente, tem-se ouvido falar da decisão de Mário Machado, conhecido neonazi português, de ir combater as tropas russas na Ucrânia. Os meios de comunicação que a noticiam, por vezes, mencionam que Machado se juntará a mais forças de extrema direita que lutam em solo ucraniano. Vladimir Putin apelida os ucranianos de nazis. Que fundo de verdade haverá em tudo isto? Afinal, em que consiste a extrema direita ucraniana?

Criado em 2014 na cidade de Berdyansk e com origens nas claques do clube de futebol FC Metalist Kharkiv, o Batalhão Azov assume-se como principal força nacionalista da Ucrânia, chegando mesmo a ser considerado neonazi. Durante a decorrente invasão, tem tido um papel bastante relevante, estando na linha da frente na defesa de Mariupol, cidade portuária que tem sido dos locais mais afetados pela ofensiva russa e onde têm o seu quartel general. Maioritariamente através do Telegram, partilha vídeos da guerra, inclusive de soldados mortos, alegadamente russos que abateu.

Andriy Biletsky, fundador dos Azov
Fonte: Bloomberg

A fundação dos Azov teve como principal objetivo apoiar o exército ucraniano na sua luta pela recuperação da região de Donbass, há oito anos num conflito entre forças pro-ucranianas e forças pro-russas, nomeadamente as Repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk. Mais tarde, em 2019, foi notado pelo jornal The Nation que a Ucrânia era o único país do mundo a ter uma formação neonazi nas suas forças armadas. É constituída por voluntários e estima-se ter cerca de 900 a mil membros, chegando a organizar campos de férias que proporcionam treino militar a crianças e jovens. Tem por representantes nos partidos neonazis Pravvy Sektor (Setor Direito) e Svoboda (Liberdade). O seu símbolo é semelhante ao “wolfsangel” (anjo-lobo), utilizado na Alemanha nazi pelos SS. Porém, o Batalhão assegura que este deve ser apenas entendido como uma amálgama das letras “I” e “N”, numa sigla de “ideia nacional” (natsionalʹna ideya em ucraniano). Partilha o nome com o Mar de Azov, que tem como dois dos seus principais portos, as já referidas cidades de Mariupol e Berdyansk.

Militares do Batalhão Azov
Fonte: Revista Galileu
Comparação entre o emblema dos Azov (à esquerda) e o wolfsangel (à direita)
Fontes: Wikimedia Commons/ Reporting Radicalism
Mar de Azov
Fonte: Global Risk Insights
Crianças nos campos de férias dos Azov
Fonte: The Times

Os Azov têm apoio internacional, recebendo combatentes de três continentes diferentes, tendo também suscitado reações negativas. Em 2015, o Canadá e os EUA anunciaram que as suas forças armadas não iriam apoiar este regimento de infantaria, porém, no ano seguinte, o governo norte americano anulou a decisão. Em 2019, quarenta membros do Senado desse mesmo país elaboraram, sem sucesso, uma carta que pedia ao Departamento de Estado que classificasse a organização como terrorista. Já em Israel, vários ativistas pelos direitos humanos assinaram uma petição para travar a venda de armas à Ucrânia, alegando que estas iriam acabar nas mãos de antissemitas, numa referência aos Azov. O Facebook, por sua vez, proibiu a publicação ou criação de páginas que lhes sejam favoráveis.

Em 2016, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusou os Azov de violarem o direito humanitário internacional. Em causa, estavam acusações de ataque a edifícios civis, pilhagem, tortura e violação. Deste modo, o Batalhão tem servido como arma de arremesso do regime de Vladimir Putin contra a Ucrânia, numa propaganda que inclui a “desnazificação” do país.

Segundo o Expresso, o português Mário Machado está destacado para integrar uma milícia em Lviv que não são os Azov, apesar das semelhanças ideológicas.

Escrito por: Beatriz Santos

Editado por: Rita Tavares

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