E se pudesses discursar como um político na tua Universidade?

Num mundo onde os jovens são o futuro e o dom da palavra é um valioso trunfo, onde o valor de uma visão é a qualidade dos argumentos do seu discurso e a velocidade de aliciamento do público, a experiência de debate torna-se quase basilar.

Foto de Mikhail Nilov em Pexels.com

Discursar com experiência e confiança e cativar o público através da argumentação abrem as portas que anteriormente somente com silêncio se transporia. Mas a oportunidade de poder treinar as capacidades argumentativas individuais sem o que foi afirmado se tornar público por vezes revela-se difícil de encontrar. «Onde posso eu treinar essas capacidades?» é a pergunta de muitos alunos. A resposta de outros tantos é a adesão à Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa (SDUL).

Segundo o website da Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa (SDUL), «A Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa é uma organização de Estudantes composta pelos mesmos, sem fins lucrativos, aberta a toda a comunidade estudantil pertencente à Universidade de Lisboa funcionando na base do associativismo. Todas as semanas organizados debates semanais para além de outras atividades.»

Uma dessas atividades será o torneio «Open Tejo’22» decorrente entre os dias 25 e 27 de março. Mais informações estão disponíveis no Instagram da SDUL: @debatesdul.

Entre os elogios e o ceticismo que por esta organização estudantil são recebidos, decidi entrevistar alguns estudantes pertencentes à Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa quanto à sua experiência enquanto membros desta entidade estudantil.

Há quanto tempo és membro da Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa?

Alexandra Pardal:

«Desde setembro de 2020. Entrei na altura do confinamento, então comecei pelos debates online

David Greer:

«Há 4 anos.»

Francisca Baptista:

«Sou membro desde fevereiro de 2017.»

Leonor Marques:

«Sou membro da SDUL há cerca de um ano, comecei em abril do ano passado.»

Quais são os temas que mais despertam o teu interesse em um debate?

Alexandra Pardal:

«Vários, mas destaco a ciência e a educação.»

Leonor Marques:

«Os temas que mais despertam o meu interesse são Relações Internacionais e Economia, mas também gosto muito do facto de na SDUL nós conseguirmos debater temas de toda a variedade de assuntos que se possam imaginar. Discutimos Educação, Agricultura, Psicologia. E isso acaba por também abrir um pouco os meus horizontes sobre os vários assuntos do mundo e também me obriga a pesquisar sobre outros assuntos que não só aquilo que está dentro do meu círculo de interesses.»

Ao longo da vida muitas vezes somos pressionados a escolher um lado. Assim, não podia deixar de lhes perguntar:

Como é que estabelecem os temas para o clube de debate?

Francisca Baptista:

«Tentamos que sejam assuntos diversos, atuais, divertidos e interessantes. Como o objetivo é desenvolver a capacidade dos estudantes problematizarem diferentes temas, ninguém sabe o que vai ser discutido até quinze minutos antes do debate, por isso há uma equipa de pessoas com experiência a compreender se as moções que vão ser debatidas são equilibradas e permitem um debate para as quatro casas, que escolhem várias moções para votarmos e debatermos a eleita.»

David Greer:

«Escolhemos temas atuais e temas já debatidos noutros torneios. Isto porque construir uma moção não é tão fácil quanto parece: temos que garantir uma formulação clara em que é equilibrado para ambos os lados, assim como tem profundidade suficiente para existirem vários tipos de argumentação diferente.»

Baseando-se no Modelo Parlamentar Britânico, a ambição e a pressão consequentes da elevada expectativa estão inegavelmente presentes no momento de proferir os curtos, mas poderosos, discursos de sete minutos. Mais poderosa do que os discursos, apenas a crítica e a autocrítica que para os ambiciosos é inevitável. Estarão os membros da Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa satisfeitos com os seus resultados?

Achas que os debates da Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa vão ao encontro dos debates do Parlamento britânico?

Leonor Marques:

«Eu acho que sim até porque a maior parte das formações que nós consumimos são formações britânicas que têm muito à base daquilo que realmente é a essência do modelo British Parliamentary (BP). Acho que nós obviamente tentamos seguir ao máximo o modelo a que nos propomos porque também achamos que é um modelo justo e é um modelo que acaba por nos preparar de forma diferente. Nós acabamos por conseguir ser mais concisos, mais claros nas nossas ideias e mais eloquentes.»

David Greer:

«Penso que os da SDUL são melhores! O Parlamento Britânico está constrangido pelas suas responsabilidades para com a sua população, enquanto nós podemos ter debates mais diversos e hipotéticos. Por exemplo, “Assumindo que a tecnologia necessária existe, esta casa redistribuiria inteligência pela população”.»

O que sentes que melhorou na tua vida após te tornares membro da Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa?

Leonor Marques:

«Após eu me ter tornado membro da SDUL a minha vida melhorou no sentido que eu aprendi a expressar-me de forma diferente. Também alarguei as minhas amizades o que acabou por ter uma grande contribuição no meu crescimento pessoal e até profissional. Desde que entrei na SDUL descobri outras empresas e outras oportunidades de mercado de trabalho e isso também contribuiu para que eu acabasse por me mudar para a empresa onde estou hoje. Isso foi, portanto, um grande impacto que a SDUL teve na minha vida.»

Francisca Baptista:

«Melhorei muito a minha capacidade de debater e de pensar. Quando comecei a debater não tinha à vontade nenhum e ficava muito nervosa, tinha dificuldade em pensar em argumentos e não me sentia confortável com a maioria dos temas. Agora debater é a minha zona de conforto, divirto-me muito sem qualquer ansiedade por estar a falar para outras pessoas e com imensa confiança na análise dos temas. Mas o que mudou mais em mim, foi a capacidade de ouvir e compreender opiniões diferentes da minha e a minha cultura geral, pois tornei-me muito mais interessada e ativa na procura de estar informada em diferentes áreas (ler artigos, ver vídeos sobre temas específicos, ir a formações de áreas que não são a minha), o que me permitiu tornar-me uma pessoa muito mais interdisciplinar e com mais cultura geral.»

A História Mundial está repleta de indivíduos que fizeram do seu passatempo uma carreira. Deste modo, considerei esta questão um tópico de especial interesse para ser perguntado:

Planeias fazer do debate uma carreira?

David Greer:

«Em termos profissionais, não. Mas penso que o debate contribui imenso para a minha carreira, pelas softskills de pensamento crítico e saber trabalhar sobre pressão.»

Francisca Baptista:

«Não sei que carreira pretendo seguir, mas tenho a certeza que seja ela qual for as capacidades argumentativas e de trabalho em equipa que desenvolvi vão ser bastante úteis. Pretendo sempre dar o meu apoio para o movimento crescer e ajudar mais pessoas que, como eu, não se sentia confortáveis a fazer uma exposição oral à frente de várias pessoas ou a questionar-se sobre assuntos que não dominam.»

Gostarias de deixar alguma mensagem aos jovens que estejam a considerar aderir à Sociedade de Debate da Universidade de Lisboa?

Alexandra Pardal:

«Sim! Venham experimentar um dos nossos debates semanais. Prometo que vai ser divertido e vão querer vir mais vezes.»

Leonor Marques:

«Eu acho que a SDUL e as sociedades de debate deixam-nos crescer na vida tanto a nível pessoal como a nível profissional. Tu acabas por ter acesso a muitas coisas através da SDUL. Não só porque é uma sociedade interdisciplinar, ou seja, em que tu acabas por ter contacto com várias disciplinas, tanto a nível das Humanas como das Exatas, mas também por ser uma sociedade a nível da Universidade de Lisboa.

Nós temos contacto com pessoas de universidades de todo o país e até a nível internacional, portanto, nós acabamos por ter contacto com muitas pessoas diferentes e muitas ideias diferentes.

Uma das maiores contribuições da SDUL é mesmo esta capacidade de nós conseguirmos conhecer outras pessoas, conseguirmos ter estas softskills muito mais aprimoradas, portanto, eu acho que se as pessoas querem crescer e querem ir mais além na sua vida académica eu recomendo cem porcento a SDUL.»

Francisca Baptista:

«Se querem viajar pelo país e pelo mundo a conhecer alunos de outras faculdades com maneiras de ver o mundo diferentes então a SDUL é a vossa casa. Se sentem que têm muitas ideias, mas que as organizar e partilhar é um obstáculo e querem muito melhorar então a SDUL é a vossa casa. Se não querem passar a vossa vida académica limitados às paredes da vossa faculdade e querem ter amigos de toda a universidade e de diferentes cursos, então a SDUL é a vossa casa. Se sentem que adoram debater e ter razão e querem conhecer mais pessoas assim então a SDUL é a vossa casa. A SDUL é a casa onde aprendemos a ouvir quem pensa de maneira diferente e ganhamos as ferramentas para defender as nossas ideias de maneira mais estratégica e eficiente, mas também onde fazemos amigos para toda a vida e enchemos a memória do telemóvel de memes e stickers divertidos e a memória pessoal de abraços e momentos acolhedores de pessoas que aceitam e celebram a diferença.»

David Greer:

«Posso partilhar que os membros da SDUL muitas vezes têm pena de não terem conhecido a SDUL mais cedo!»

Escrito por: Cristina Cargaleiro

Editado por: Rafaela Boita

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