ISCSPoiler – È stata la mano di Dio

Nápoles, terceira maior cidade da Itália, uma instituição em cultura, culinária e cenário que chegam a emocionar os olhos do observador. Uma cidade boêmia, talvez a maior representação do sul italiano e a sua rixa com o norte, o centro econômico do país às margens do mediterrâneo contra o povo ao sul de Roma, por vezes esquecido. 

Fonte: MUBI

È stata la mano di Dio é um filme sobre Nápoles, e Nápoles é uma cidade sobre a vida, e como toda cidade, uma imagem de seus habitantes, que através das objetivas comandadas por Paolo Sorrentino, nos contam sobre algo maior que as próprias vidas, nos contam sobre emoções que nos fazem humanos, seja a saudade incurável, o amor inexplicável, ou a emoção provocada pelo gol, o orgasmo do futebol, como disse Eduardo Galeano.

E que maneira melhor de falar de Nápoles do que sobre a ótica de seu deus, Diego Armando Maradona? E que maneira melhor de falar das pessoas do que sobre a ótica da crença em seus deuses?

O mais humano dos deuses, voltando a citar Galeano, Maradona é peça central para o filme, da mesma forma que foi para a vida de tantos napolitanos durante a estadia do controverso argentino que tinha a bola como sua ferramenta. Ninguém é perfeito, diz o filme, nem a cidade, nem suas personagens, talvez apenas Diego, em uma visão compreensivelmente romantizada.

É talvez em 1986, contra a Inglaterra, no novo continente, abaixo do mesmo sol que banhou os astecas, que o filme explode, quando o pequeno latino vence o goleiro que tinha 18 centímetros a mais, em uma disputa aérea. A crença chega ao seu auge, que logo após é superada pela realidade, a ser confrontada pelos obstáculos da vida, onde nem mesmo a alegria presenciada nas arquibancadas é suficiente para curar a dor da perda.

E podemos ignorar a perda, nos esconder dela, ou deixarmos senti-la em toda sua força, desistir de tudo, e só talvez, olhar para o futuro com o sumo da dor que nós sentimos. Finalizando as duas horas e dez minutos de filme com o que é o cinema, e o seu papel, Paolo nos deixa claro sobre o que deve ser dito sobre È stata la mano di Dio, performances importam, os aspectos técnicos também, mas o que realmente traz significado é o que temos a dizer, e a honestidade com que dizemos.

Em um tom menos emocionado, é evidente que o longa é competente em todos os sentidos, ótimas performances por quase todos os atores, a direção de fotografia é impecável, alguns erros de montagem, que não distraem, mas não é preciso dizer isto tudo neste texto, afinal de contas a academia já reconheceu todos esses pontos com a indicação a melhor longa internacional no Oscar deste ano, de forma totalmente merecida.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Guilherme Alves de Freitas

Editado por: João Miguel Fonseca

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