Ucrânia – As pessoas não são números

Trezentos e cinquenta e dois é, até agora, o número de civis ucranianos mortos à mão dos invasores russos.

Outdoor de apoio à Ucrânia, em Lisboa.
Fonte: Twitter

Em pleno ano de 2022, estamos a assistir a uma guerra em solo Europeu. Seja por questões estratégicas, por aspirações czaristas ou por uma tentativa de fortalecer a posição russa no quadro internacional, Putin orquestrou uma guerra injustificada e quem vai pagar não são somente os influentes. São pessoas inocentes, de todas as idades e com todas as ocupações. Por toda a Ucrânia, o povo prepara-se para um eventual cenário de guerrilha urbana.

Ao quarto dia de guerra, o número de baixas civis do lado ucraniano é de trezentos e cinquenta e dois. Destes trezentos e cinquenta e dois, catorze eram crianças, informou o Ministério da Saúde da Ucrânia. Infelizmente, são números que, muito provavelmente, vão subir.

E não são apenas números, é muito mais do que isso. Estes trezentos e cinquenta e dois eram mais do que um simples número numa estatística diária. Eram pessoas como eu, como os meus familiares, como os meus amigos. Pessoas com sonhos, com profissões, com interesses, com família. Pessoas que estavam a viver a sua rotina e cujas vidas se dissiparam em breves segundos. Pessoas que não tinham culpa do que está a acontecer.

E não são só os mortos. Milhares de cidadãos estão a procurar deixar a Ucrânia e a tentar refugiar-se em países fronteiriços. Os que lá permanecem, protegem-se em ginásios, estações de metro e estabelecimentos transformados em bunkers. Vemo-los nas fotografias que nos chegam, a mexer no telemóvel, a brincar com os filhos, a tentar conviver, como muitos de nós fazemos todos os dias. Pessoas como nós estão a ser constantemente assaltadas pelo barulho de sirenes que anunciam algo trágico. Os homens dos dezoito aos sessenta anos foram impedidos de sair do país, ao abrigo da lei marcial. Podiam ser os nossos pais, os nossos filhos, os nossos irmãos, os nossos tios, os nossos primos, os nossos padrastos, os nossos namorados, os nossos maridos.

Cidadãos ucranianos fazem fila numa estação de comboios em Lviv, com vista a sair do país o mais depressa possível.
Fonte: Expresso
Criança senta-se num baloiço em frente a um prédio residencial destruído em Kyiv.
Fonte: Público
Residentes de Kyiv apressam-se a entrar num ambrigo anti bombas.
Fonte: Público
Pessoas abrigam-se numa estação de metro em Kyiv. Fonte: G1
Natali Sevriukova vê a sua casa destruída em Kyiv.
Fonte: G1
Mulher ferida em Kharkiv.
Fonte: Al Jazeera
Homem, chamado Vladimir, ferido depois do seu apartamento ser atingido em Kyiv.
Fonte: Click On Detroit
Mulher tenta fugir de Kyiv com o seu gato.
Fonte: Today
Edifício residencial atingido por rocket em Kyiv.
Fonte: ABC News
Supermercado com prateleiras vazias, em Kyiv.
Fonte: Axios
Homens ucranianos prestes a ser avaliados para enfrentarem as tropas russas.
Fonte: The New York Times

Ver estas imagens faz-me pensar no quão insignificantes alguns dos meus problemas são e na sorte que é viver em Portugal – mesmo que não estejamos livres de nada. As queixas sobre o trabalho, sobre os outros, sobre o dinheiro, nestes momentos desaparecem. Nestes momentos, as pessoas das fotografias perguntam-se de que maneira sobreviverão.

Na edição da Caminho do livro “A Espada e a Azagaia”, de Mia Couto, lemos as frases “As guerras são tapetes. Por debaixo delas se ocultam as imundícies dos poderosos”. E é nada mais do que isso.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Beatriz Gouveia Santos

Editado por: João Miguel Fonseca

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