Ilhas Comores, a surpresa da CAN 2021

Bastou uma vitória sobre a candidata ao título Gana para a seleção das Ilhas Comores garantir a inédita qualificação para os oitavos de final do Campeonato das Nações Africanas (CAN 2021), que decorre no mês de janeiro e fevereiro. Reconhecida como seleção pela FIFA desde 2005, a seleção da África Oriental vive um verdadeiro “conto de fadas” na sua estreia nesta competição.

Mesmo para os mais fiéis adeptos de futebol, poucos serão aqueles que estão familiarizados com a seleção de Comores e com os seus atletas, no entanto, desde a primeira vitória, em 2016, enquanto seleção frente ao Botsuana, que este país vive o seu período de ouro, tendo culminado com a primeira participação naquela que é a maior competição de seleções do continente africano – o Campeonato das Nações Africanas.

Com menos de 900 mil habitantes e reconhecida como seleção pela FIFA há 17 anos, Comores conseguiu garantir a sua histórica qualificação, em março de 2021, após empatar em casa, 0-0, com a seleção do Togo, ficando em segundo num grupo também composto, pela possível candidata à conquista da CAN2021, Egito e pelo Quénia. 

No sorteio da fase de grupos da CAN 2021 – prova que decorreu em 2022 devido à pandemia da Covid-19 – a estreante seleção ficou colocada no grupo C, o apelidado “grupo da morte” da competição, sendo este composto pelas favoritas Gana e Marrocos e pela, também ela forte, seleção do Gabão. A prova não começou da melhor maneira para as Ilhas Comores, tendo perdido as duas primeiras jornadas contra o Gabão e Marrocos, por 1-0 e 2-0, respetivamente.  

Estes desaires iniciais levaram a que este país, independente de França desde 1975, tivesse que disputar um dos quatro melhores terceiros lugares contra a seleção do Gana – seleção três vezes campeã da CAN e que conseguiu chegar aos quartos de final do campeonato do mundo de 2010, que decorreu na África do Sul.  O que nada faria prever é que os comandados de Amir Abdou, vencessem a seleção ganesa por 3-2, conseguindo garantir a vitória e o feito mais importante da sua história enquanto seleção.

Mesmo a jogar com menos um atleta desde o minuto 25 com a expulsão de André Ayew, os ganeses ainda conseguiram converter uma desvantagem de 2-0 para 2-2, contudo, nada conseguiram fazer quando aos 85 minutos, Ahmed Mogni, extremo esquerdo de 30 anos que joga no FC Annecy, clube da terceira divisão de França, fez o 3-2 e deu a primeira vitória da sua seleção na prova. 

Ao contrário da maioria das seleções que se encontra na CAN – veja-se o caso da própria seleção do Gana que conta com jogadores como os irmãos Ayew, Thomas Partey, Daniel Amartey ou Kudus – a seleção das Ilhas Comores, não conta com nenhum atleta de relevo no futebol internacional. Nos seus convocados destaca-se El Fardou Ben, avançado de 32 anos que joga no Estrela Vermelha, atual tetra campeão da liga sérvia, Youssouf M`Changama, médio de 32 anos que joga no Guingamp da segunda divisão francesa e o próprio Ahmed Mogni, atual melhor marcador da seleção no torneio com dois golos marcados. 

Embora em vésperas de jogar com a seleção dos Camarões, enfrentar um surto de Covid-19 na sua equipa, que condiciona ainda mais uma possível passagem aos quartos de final da prova, a presente edição da CAN ficará marcada pela pequena seleção de Comores e pelos feitos históricos por eles alcançados.

Escrito por: Alexandre Silva

Editado por: João Miguel Fonseca

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