Recordar Georges Moustaki

Hoje recordamos um dos grandes compositores da música ligeira europeia do século XX, que, mesmo sendo europeia, fez sucesso dos dois lados do Atlântico. De pianista discreto, passando por possível amante de Édith Piaf, nos anos 70 Moustaki radicou-se em Portugal onde, no calor da revolução, se juntou à causa e ao lado de cantores como Zeca Afonso pôde expressar livremente o Novo Esquerdismo em que acreditava.

Moustaki, à esquerda, com Zeca Afonso, em 1975.
Fonte: RTP

Moustaki nasce a 3 de maio de 1934 na cidade de Alexandria, no Egito, no seio duma família judia de origens gregas, cedo demonstrando amor pela música. Estuda numa escola francesa onde se interessa pela literatura daquele país, bem como pelo estilo musical à época em voga: a chanson française, literalmente “canção francesa”, sendo que este amor pela língua francesa o faz partir para Paris, onde trabalha como jornalista e barman. Ao trabalhar neste conceituado bar, conhece muitas estrelas da época, entre os quais Henri Crollla, guitarrista famosos que o apresentará a Piaf – corria o ano de 1958, e é no ano seguinte que a intérprete canta um enorme sucesso escrito por Moustaki, Milord.

Um jovem Moustaki com Piaf. Fonte: Pinterest

Em 1963 fecha-se o capítulo Piaf definitivamente e Moustaki, que havia já lançado um albúm a solo em 1961, continua a sua carreira lançando vários outros: Le Méteque (1969), Il y avait un jardin (1971), Danse (1972), Déclaration (1973). É no ano seguinte, em 1974, que Moustaki se fixa em Portugal – o artista que sempre foi de Esquerda encontra neste país em revolução a oportunidade de ouro para expressar a sua ideologia e através da música espalhar a mensagem – ao lado de Zeca Afonso, fará jus à mítica frase da época “A cantiga é uma arma”. Gravará assim a canção Portugal, adaptação do original de Chico Buarque, descrevendo os acontecimentos sociais e políticos do país que tentava libertar-se de meio século de prisão ideológica.

Na segunda metade dos anos 70 gravou outros albúns e ao longo das décadas seguintes nunca deixou de o fazer, bem como de apresentar-se em público, tendo ido a estúdio pela última vez em 2009. A sua saúde deteriorou-se e a 23 de maio de 2013 morreu, aos 79 anos, vítima de problemas pulmonares em Nice, ao sul da sua amada França, tendo sido sepultado no Cemitério Pére Lachaise, em Paris, onde se encontra também o corpo da sua mais famosa companheira de canções, Édith Piaf.

Moustaki é uma mítica figura do panorama musical contemporâneo que, pelo maravilhoso legado em francês, italiano e português que deixou, vale a pena recordar.

Mustaki em concerto nos anos 70.
Fonte: Pinterest

Escrito por: Bernardo de Sottomayor

Editado por: Rafaela Boita

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