Web Summit 2021 em resumo

Este ano tivemos o prazer de poder voltar a ter uma edição presencial do Web Summit, após um período marcado por confinamentos. A presença das máscaras ainda se manteve, mas a cidade de Lisboa encheu-se de novo, com uma multidão vinda de várias partes do mundo para partilhar conhecimento e o seu trabalho. A edição do Web Summit de 2021 decorreu nos dias 1, 2, 3 e 4 de novembro e contou com diversos nomes importantes e familiares, como puderam acompanhar nas storys do Instagram do Jornal desacordo. Na maioria das sessões do evento, as redes sociais e o seu impacto estiveram muito presentes, com perguntas que envolveram a utilização dos nossos dados, os algoritmos e até onde tudo isto pode estar a contribuir para um efeito prejudicial para a sociedade que construímos hoje. Neste artigo é dada uma perspetiva geral do evento, destacando algumas sessões.

1º dia – 1 de novembro

O primeiro dia passou-se apenas no palco central e teve como apresentadora Filomena Cautela, que protagonizou momentos mais divertidos com a plateia.

Filomena Cautela na abertura do Web Summit 2021

Após Patrick Cosgrave dar as boas vindas a todos, Carlos Moedas foi o primeiro a discursar, incentivando a sonhar alto, mas realçando que temos de olhar bem para os detalhes. O recentemente eleito Presidente da Câmara de Lisboa apresentou-se como “o presidente da Câmara da Inovação” e procurou também incluir no seu discurso um incentivo para a fixação de mais empresas em Lisboa, falando das empresas unicórnio já presentes.

Pedro Siza Vieira, Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, também procurou elevar as qualidades de Portugal e Lisboa. Refletiu sobre a pandemia e as mudanças que revelaram como o desenvolvimento tecnológico das nossas sociedades foi importante e de como irá ser acelerado pelas situações que vivemos. Abordou também o European Union Next Generation EU Plan, em que líderes juntaram-se para investir na recuperação das atividades que vão criar a base da nossa prosperidade partilhada no futuro, e uma sociedade e economia mais amiga do ambiente e mais digital.

Oradores do primeiro dia de Web Summit. Acima, à esquerda, Carlos Moedas, e em baixo Ayọ (fka Opal) Tometi. Já do lado direito acima, Pedro Siza Vieria e abaixo Frances Haugem.

Ayọ (fka Opal) Tometi apresentou o movimento BLM (Black Lives Matter) e a importância que este tem, tendo em conta que serve de estrutura para as pessoas negras terem voz e impacto no presente. Falou da primeira vez que teve contacto com o movimento através do Facebook, querendo construir uma plataforma onde a comunidade poderia estar conectada e ter, ao mesmo tempo, o mundo a seu lado, no que é considerado ser o maior movimento da história americana. Falou também dos obstáculos que a comunidade ainda encontra, como trolls na internet, polícia mais armada e rígida, entre outros aspetos. A ativista afirma que com o movimento criaram um mundo onde é possível que pessoas de outras comunidades encontrem a sua voz e a sua força.

Frances Haugen, a whistleblower do Facebook, falou do que a fez revelar as informações do Facebook, sendo algo que envolveu a sua consciência ao pensar no impacto que poderia ter. Falou do algoritmo do Facebook que tem o problema de priorizar e amplificar conteúdos mais extremos, que em certos sítios do mundo não terão tanto impacto, como nos EUA, poderá levar a uma discussão ao jantar, mas que em países menos desenvolvidos, sem bons sistemas de segurança e que provavelmente nem os terão tão cedo, este algoritmo poderá ter um grande impacto, como o caso da Etiópia em que a violência está a ser amplificada pelas redes sociais.

2º dia – Dia 2 de novembro

O segundo dia iniciou-se com uma conferência de imprensa a Carlos Moedas, o Presidente da Câmara de Lisboa, onde se reforçou a importância do Web Summit em atrair empresas para Portugal, a fim de conseguir criar mais emprego com a possível fixação destas empresas. Numa semana de Web Summit com greve no metro, não podia deixar de surgir a questão ao Presidente da Câmara de Lisboa sobre o assunto, que afirmou que fez todos os esforços ao seu alcance, tanto de autocarros, como em shuffles, que além disso não dependeria de si, mas que a pressão sobre estes assuntos pela sua parte será sempre máxima, lamentando a imagem que dá a Portugal nesta semana, com a falta de um acordo entre os trabalhadores, que estão no seu direito, e o governo.

Pedro Siza Vieira, Ministro do Estado, Economia e Transição Digital, e Ricardo Mourinho Félix do Banco Europeu de Investimento, anunciaram o lançamento do Portugal Tech II neste mesmo dia. O Portugal Tech II visa mobilizar 250 milhões de euros de investimentos em capital de risco para apoiar projetos de transferência de tecnologia. O novo programa é inspirado no Portugal Tech I, que foi lançado em 2018 e “que tem sido reconhecido pelo sucesso ao mobilizar capital privado e gerar cerca de cinco euros de investimentos por cada um euro de financiamento nacional”, segundo o ministro.

Já na sessão de “Influencer Marketing in 2022”, com Caspar Lee, Ben Jeffries e Anna Anderson, foi abordada a mudança. Caspar Lee começou a sua carreira quando o Youtube era das plataformas mais utilizadas para o vídeo e em que tinham maiores exigências na qualidade do conteúdo que era feito. Caspar afirma que agora, com o Tiktok, é incrível como só com o telemóvel se pode fazer conteúdo rapidamente e com menos exigência em termos de material. Abordou-se também a mudança da Generation T, uma geração que vai além fronteiras de idade, localização, e que tem potencial para trabalhar com as empresas.

Caspar Lee, criador, empresário e investidor na Influencer.com

Em conferência de imprensa com Věra Jourová, Comissária Europeia, anunciou a apresentação, a 23 de novembro, de um novo quadro legislativo destinado a pôr ordem no mundo da publicidade política online. Afirmou que há muitos problemas que as empresas não cobrem, os quais até ajudam a criá-los. Jourová tem assim como objetivo tornar as empresas mais responsáveis com a legislação que se avizinha. A Comissária Europeia garantiu que a liberdade de expressão seria garantida mesmo se fosse para dizer coisas estúpidas, o importante era ter certeza que as pessoas estão protegidas de algoritmos e anúncios duvidosos, assim como bots.

Numa sessão denominada de “Empowering the next generation of women leaders“, a atriz e comediante Amy Poehler defendeu que a próxima geração de líderes femininas é capaz de coisas que nem imagina, e sublinhou que as jovens só precisam que lhes seja dado espaço para prosperarem. Deu um conselho, o de aconselhar menos, afirmando que a sua geração estava muito dependente disso, ao contrário das novas gerações que são mais independentes e que precisam do seu espaço. Também refletiu sobre a sua carreira e os papéis das mulheres na televisão e na indústria cinematográfica, desde que está presente na indústria.

A nível de desporto houve uma Palestra com Thierry Henry (ex-futebolista e elemento da equipa técnica da Seleção Nacional Belga) e Adam Patrick (representante PUMA), com o nome de  “Thierry Henry: Tackling online bullying”. Os tópicos abordados foram o racismo, bullying, a influência negativa das redes sociais e o quão fácil é usá-las para criticar e ofender os atletas e sobre a importância das organizações responsáveis, os clubes e as próprias plataformas agirem perante este problema.

Já na sessão “From footballer to entrepreneur”, com Louis Saha e Gaizka Mendiet, abordou-se a importância de os atletas se irem educando e pensando no que fazer no pós-carreira, durante a mesma, e que há vários caminhos que podem seguir, ao contrário do que muitas vezes é “estereotipado” sobre os jogadores de futebol no final da carreira terem que ser treinadores ou terem que ir para algum tipo de cargo dentro dos clubes, quando na verdade podem ser empreendedores, empresários, todo o tipo de empregos que quiserem na verdade (mas esta palestra focou-se no empreendedorismo).

Na conferência de imprensa com Gilberto Silva (ex-futebolista e Vencedor de um Mundial com o Brasil) onde foi feito o anúncio de uma plataforma onde atletas e fãs vão poder interagir, onde só podem entrar pessoas verificadas e onde existe uma política de zero tolerância perante o típico “hate” que as redes sociais de hoje em dia têm.

Gilberto Silva (ex-futebolista e o Brasil).

Patrícia Mamona e Fernando Pimenta, falaram sobre as dificuldades passadas no pré e durante umas Olimpíadas pós-covid, que teve muitas coisas diferentes (mais um ano de treino, menos fãs, imensas restrições, entre outras) e sobre a importância da saúde mental neste processo todo na sessão “Mental Strength and the road to Tokyo”.

Patrícia Mamona e Fernando Pimenta. Fonte: Tribuna do Expresso

3º dia – dia 3 de novembro

O dia começou com a conferência de imprensa “Gener8 in focus”, com o músico Tinie Tempah e o CEO do Gener8, Sam Jones, onde foi apresentada uma aplicação que permite que tenhamos o controlo dos nossos dados. O objetivo desta aplicação é empoderar as pessoas, dando-lhes informação quanto aos dados que estão a dar às empresas e dando a escolha de ocultar esses mesmos dados ou ganhar dinheiro com eles. Tinnie Tempah afirmou que a transparência é a chave deste processo e que é preciso servir os interesses do utilizador, que não recebe uma melhor experiência neste momento. Ao ouvir o caso da Cambridge Analytics, o músico quis perceber melhor e afirma que se não dermos as nossas informações, muitas das empresas não têm poder, decidindo investir num projeto assim.

De seguida, com Nas Daily e Eual Baumel, CEO da Yoola, foi discutido, numa conferência de imprensa, o futuro da criação de conteúdo, onde Nas Daily afirmou que “o vídeo é o agora e o que dá mais engagement“, referindo até que no futuro a rádio pode mesmo “morrer”, devido a carros que conduzem por nós e nos permitem assistir a vídeos. Além disso, ao contrário da maioria dos oradores, Nas Daily não demoniza o Facebook, explicando que confia nele para consertar a sociedade e afirmando que quando algo se torna tão grande, não se tem bem perceção de tudo.

Já no palco central, ao final do dia, Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas, e Sofia Nunes, Cofundadora e Diretora de Diversidade, Equidade e Inclusão da Mambu falaram numa sessão denominada de “Is there a digital glass ceiling?”, onde foi discutida a importância do digital para o conhecimento das mulheres. Catarina Furtado deu o exemplo da menstruação, que ainda é um tabu e, ao qual nem todas as mulheres têm acesso a essa informação.

4º dia – Dia 4 de novembro

O dia começou com o anúncio da parceria de Jean-Michel Jarre e a empresa Sensorium Galaxy, com a presença da sua CEO, Sasha Tityanko, em conferência de imprensa. A empresa e o artista estão a abraçar um novo desafio de criar um ambiente de som envolvente, além de criar programas exclusivos de realidade virtual. O Jornal desacordo acabou por perguntar como seria estabelecida a conexão com a audiência, sendo explicado que a próxima geração de seres virtuais terá o apoio da inteligência artifícial para desenvolver em tempo real e mostrar a sua individualidade nas conversas. Por exemplo, o avatar de Jean-Michel pode estar de forma dinâmica num espetáculo com esta inovação e ir mudando aspetos dessa atuação e ir interagindo com a audiência. Quando se vai a um concerto de realidade virtual, pretende-se que a audiência sinta que importa e pode contribuir com algo. O objetivo é remover aquela barreira que existe entre o artista e o seu público na realidade e até fazer com que fãs que não podem ir a concertos presencialmente, seja pelas condições geográficas e económicas, possam estar no espetáculo.

A conferência de imprensa seguinte contou-se com a presença da cantora Zara Larson e do Chefe Global de música da Roblox, Jon Vlassopulos, que apresentaram o trabalho que têm vindo a desenvolver na Roblox em conjunto. A Roblox funciona por mundos virtuais e a cantora tem também o seu. Foi no seu mundo na Roblox que teve a primeira experiência de um concerto virtual com o àlbum Poster Girl Summer Edition, onde estiveram presentes 4 milhões de pessoas, algo que não se atinge tão rápido em turnê. Além disso, foi apresentada a nova merchandising da cantora no mundo da Roblox, que inclui conteúdo que estará disponível por um tempo limitado e que poderá ser trocado entre utilizadores. Falou-se também das características da Roblox, como a faixa etária predominante, que conta maioritariamente com crianças e pré-adolescentes, algo que até é interessante para Zara, tendo partilhado com os jornalistas que houve quem a chamasse de “Roblox Girl”, ou seja, ali foi o primeiro local em que tiveram contacto com o seu trabalho, mesmo que já esteja no mundo da música há cerca de 10 anos. Zara abordou ainda a sua tour, relembrando que estará em Portugal em outubro.

Zara Larson e o Chefe Global de música da Roblox, Jon Vlassopulos à esquerda. à direita a nova merch de Zara na Roblox.

Cristina Ferreira esteve presente no evento, no palco Content Creators numa sessão com o nome de “Making in the media”. A sessão ficou marcada pelo facto da apresentadora trazer uma bifana consigo para fazer uma espécie de metáfora Eu digo é ok, eu começo de novo. Como? Venderei bifanas. Prometo-vos, eu vou vender bifanas mas vou ser a melhor vendedora de bifanas do país. Porque sei que consigo, porque eu acredito. E ganhas sempre, mesmo se perderes”.

Daniela Melchior esteve presente para falar da sua presença no filme Suicide Squad e dar mais detalhes de como foi se tornar a Ratcatcher. O entrevistador Rodrigo Gomes ainda tentou que Daniela nos desse mais alguns detalhes de trabalhos futuros, mas a atriz contornou bem as perguntas. A atriz aprofundou alguns aspetos que já tinham sido falados noutras entrevistas, como o facto de ser apanhada a dormir tantas vezes nos bastidores. A atriz explicou que prefere relaxar em vez de pensar demais e isso era como um momento de meditação em vez de estar nas redes sociais.

Daniela Melchior no palco central da edição do Web Summit de 2021.

Na conferência de Imprensa Best performing start-up: Road2WebSummit award” com António Dias Martins (CEO da Startup Portugal), Ana Casaca (responsável da inovação da Galp Energia) e André Azevedo (Secretário de estado da Transição Digital do Governo Português). A startup vencedora foi a Cremar, uma plataforma que tenta simplificar o processo de cremação e que permite a contratação de serviços de cremação online. A empresa destaca-se pela simplificação do processo e rapidez e tem ainda outro serviço que é a transformação das cinzas em diamantes.

Para terminar o evento, no palco principal, contou-se com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa com “The hope as we emerge from pandemic”, onde refletiu no período difícil que se passou com a pandemia, as mudanças que esse período causou e o que ainda é necessário fazer no futuro. Marcelo afirmou que o Web Summit é feito de pessoas e não apenas da tecnologia, que é apenas a ferramenta e demonstrou o seu desejo ambicioso de ter muitos participantes na próxima edição do Web Summit, em 2022.

Escrito por: Rafaela Boita e Renato Soares

Editado por: João Miguel Fonseca

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