ISCSPoiler: Black Widow, a despedida de Natasha Romanoff

Chegou o momento pelo qual muitos aguardavam há bastante tempo. Um filme a solo da Black Widow, um dos principais membros do tão adorado grupo dos Avengers, que nos deixou no filme Avengers: Endgame (2019). O filme que conta com a realização de Cate Shortland situa-se depois de Captain America: Civil War (2016) e antes de Avengers: Infinity War (2018), um período onde Natasha é perseguida por desrespeitar acordos de Sokovia, o que nos traz alguma nostalgia depois de tanto tempo de espera, mas não deixa de nos introduzir personagens que iremos ver na Fase 4 do Marvel Cinematic Universe.

Black Widow (2021). Marvel Studios.

A trama começa no passado de Natasha Romanof (Scarlet Johnanson), em Ohio, a 1995, onde acompanhamos um jantar com a sua família que rapidamente se torna numa fuga. Ao chegarem a Cuba, aparentemente tudo é um esquema, os seus pais, Alexis (David Harbour) e Melina (Rachel Weisz), não são realmente seus pais. Natasha e a suposta irmã, Yelena (Florence Pugh), são levadas para a Red Room, um centro de treino soviético que foi criado para produzir espiões altamente especializados, nomeadamente as Widows. Após tudo isto, damos um pulo para o ano de 2016, onde Natasha é perseguida pelo secretário Ross, acabando por escapar com sucesso e instalar-se longe da cidade, numa casa móvel, proporcionada por um amigo, Rick Mason (O. T. Fagbenle), que inclusive lhe deixa uma caixa com coisas de Budapeste. Ao ter um corte na energia, Natasha decide dirigir-se à cidade, e acaba por levar a caixa de Budapeste para deixar no lixo. Porém, no caminho, é surpreendida por um carro que vai contra si e percebe que quem a atingiu procura algo que veio na caixa de Budapeste, umas cápsulas vermelhas. Desde aí, acompanhamos a protagonista na tentativa de descobrir o porquê de terem-lhe enviado as cápsulas vermelhas, do que se trata e um possível regresso de tormentos do passado.

Black Widow não é um filme de origem, pega em pontos que remetem à origem da personagem principal, mas não chega a explorar como imaginaríamos num filme desse tipo. Infelizmente, não veio no melhor timing. É verdade que o filme nos dá mais algumas informações sobre o que aconteceu em Budapeste. Percebemos finalmente como Natasha chegou à S.H.I.E.L.D. e até temos informações da verdadeira mãe da protagonista. No entanto, continuamos a sentir que a informação é dada de forma muito subtil, através de muitos diálogos, tal como outros filmes em que a protagonista participou até agora.

Em relação ao timing, é algo que influencia o filme e o faz enveredar pelo período de tempo pelo qual opta e pelo seu enredo. O aguardado filme mais focado na origem da personagem fazia mais sentido se tivesse sido pensado mais cedo, mas não vou dizer que a Black Widow não tinha ainda possibilidade de ter até vários filmes a explorar a sua história, que seriam a delícia dos fãs. Com este filme é possível encaixar melhor a linha do universo cinematográfico, mas ainda assim não acrescentou grande conteúdo. Parece que falta algo. Não sei se será o filme de despedida que a personagem merecia.

Porém há coisas interessantes. Além das informações dadas, a história tenta aliar o lado de ação característico da Black Widow com a vertente mais emocional e humana do passado e do presente da protagonista, que desde o seu primeiro aparecimento em Iron Man 2 (2010) se tinha vindo a intensificar, resolvendo vários assuntos que representavam traumas passados e estabelecendo ligações mais fortes com os Avengers. Em Black Widow podemos ver os sentimentos de Natasha quanto ao seu passado e as pessoas que tiveram impacto nele, a vontade de evitar que mais raparigas passem pelo que ela passou e um sentimento de culpa que poderão descobrir qual é ao ver o filme. Não temos resposta a tudo o que procurávamos, mas ficamos a conhecê-la mais um bocadinho e à Red Room.

As cenas de ação são expectáveis e agradam, porque vai ao encontro da protagonista e do que a fez chegar ali. Uma protagonista forte, destemida, que cresceu num meio difícil, programada para a violência e persuasão. É inegavelmente uma heroína cheia de garra, não só pela sua inteligência, mas também pelas suas skills e persistência que a tornam quem é sem quaisquer poderes sobrenaturais ou de outro tipo. No entanto, há momentos em que parece que certas cenas de ação são exageradas ou sentimos a certa altura que estamos em algo como um videojogo de Tomb Rider.

Há que destacar quanto ao elenco, para além de Scarlet que está sempre bem e é a eterna Black Widow, a personagem de Florence Pugh, Yelena. Destaca-se com o seu lado cómico, que é característico do MCU, a sua dimensão emocional e o sotaque russo. A personagem de Pugh é como que um comic relief, com algumas piadas, o típico gozo com as superhero landing, mas também ela uma vítima da Red Room e uma possível sucessora de Natasha na próxima fase, o que justifica uma maior atenção que há em torno dela para além da protagonista.

Outra das personagens que se apresenta também como cómica é a personagem de David Harbour, o Red Guardian, que aparece um pouco do céu e que tem uma fixação com o Capitão América, o qual nem tem conhecimento dele. O ator, conhecido da série Stranger Things, apesar de não interpretar a melhor personagem, fê-lo como seria suposto.

Outra das personagens que também nos promete surpreender é Taskmaster em relação à sua identidade, não propriamente pela positiva, principalmente àqueles que já conhecem a personagem das bandas desenhadas. Tendo esse conhecimento das comics, não estava minimamente à espera, mas no filme pode se perceber a decisão, mas não aplicada a todo o universo da Marvel, porque é uma personagem que pode ser aplicada em vários contextos. O escritor do argumento de Black Widow afirmou que a decisão feita para a identidade da personagem surgiu porque para ele as peças juntavam-se e escondia um segredo sombrio da protagonista.

Na banda sonora é de destacar a versão sombria e dramática de Smells Like Teen Spirit, originalmente da banda Nirvana, que combina com a atmosfera da entrada da obra. Esta versão, da autoria de Malia J, acompanha uma entrada que pretende ser expositiva dos treinos e trabalho da Red Room, mas que até se pode tornar um pouco confusa e tenta resumir ali coisas que gostaríamos provavelmente de ver exploradas.

Outra das músicas que se encontra em destaque é American Pie de Don McLean, ouvida duas vezes no filme, que marca a saída dos Estados Unidos da América pela “família” de Natasha e Yelena e o reencontro. Este tema era o preferido de Yelena quando ainda era criança, estabelecendo uma relação emotiva entre ela e as lembranças de um passado que, mesmo sendo uma farsa, representa memórias que a personagem guarda com muito carinho.

Black Widow apresenta-se como um miminho aos fãs que pode não os preencher completamente e não acrescentar muito ao universo, mas tenta entregar uma despedida de uma personagem que deu muito até agora ao MCU, encerrando um capítulo do seu passado de vez com a ação característica de um filme de super-heróis que qualquer um ia adorar, dando ainda umas pistas para o futuro da Fase 4.

Nota: 6/10

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Júlia Varela

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