Trotinetes que estacionam sozinhas podem chegar a Lisboa

A empresa Spin está a estudar o mercado português e o seu portefólio inclui trotinetes com condução autónoma.

Não é novidade para os residentes em Lisboa, ou para quem visita a cidade, que os veículos de micromobilidade estão a ganhar terreno – literalmente. É estranhamente comum ver áreas de estacionamento completamente vazias e, quando tal não significa a utilização em simultâneo de todos os veículos, o mais certo é encontrarmos passeios bloqueados, entradas obstruídas ou “desmaios” à beira da estrada ou a mergulhar no Tejo. Prova disso é a coleção de fotos do @deadscooter que, durante um ano e meio, registou no Instagram números circenses e desmaios insólitos protagonizados por estes veículos e pelos seus utilizadores.

Reconhecendo estes problemas, algumas marcas têm vindo a desenvolver campanhas de responsabilidade, quer para a condução, de acordo com o Código da Estrada, quer para o estacionamento correto do veículo, mas a solução poderá passar por melhorar o próprio sistema das trotinetes. É nisso que a Ford está a apostar com as suas trotinetes Spin, que já se encontram nas ruas de Madrid e Tarragona, no país vizinho e num total de 25 cidades europeias.

A oferta da Spin conta com bicicletas elétricas, com trotinetes de duas rodas e com a novidade de uma trotinete de três rodas. Esta última está equipada com um sistema de inteligência artificial para a condução autónoma, mediante a sua “chamada” através da aplicação, permitindo ainda à Spin corrigir remotamente o estacionamento do veículo. A empresa pretende responder às necessidades de cada cidade, e não é certa a opção pela cidade de Lisboa, mas a possível chegada de trotinetes que desobstruem caminhos remotamente parece uma luz ao fundo do túnel numa Lisboa que espera ansiosamente pela reabertura completa no verão.

Desde a chegada da Lime em 2018 que Lisboa tem vindo a reforçar o seu leque de alternativas de mobilidade partilhada com marcas como a Bird, a Frog, a Hive, a Bolt e, mais recentemente, a Link. É certo que há diferenças a nível da segurança, da estabilidade e até do conforto oferecido pela plataforma, pelos pneus ou até pela coluna de direção, mas a oferta também varia quanto ao estacionamento e quanto à disponibilidade. A Bird só permite o aluguer das trotinetes entre as 7h e as 21h, sendo então recolhidas pelos Bird Watchers para serem carregadas – equipa que também está disponível durante o dia para solucionar problemas técnicos ou de estacionamento. Já as Lime estão disponíveis 24h e contam com uma equipa de juicers, onde cada membro pode recolher até 25 scooters para carregamento na sua própria casa. A trotinete mais “novinha” nas ruas de Lisboa, a Link, também disponível 24h, chegou com a premissa de ser uma alternativa segura e robusta, “mesmo para jogadores de râguebi”, e apresenta um sistema de segurança inteligente (Vehicle Intelligent Safety System) para a deteção autónoma de falhas em tempo real.

Com desbloqueio grátis ou no valor máximo de 1€ e um custo médio de utilização de 0,15€/min, a oferta de trotinetes em Lisboa tem agradado residentes e turistas, mas a sua propensão a desmaios coletivos continua a ser um problema. Com a possível chegada da Spin, cresceria a família de trotinetes, mas pelo menos estas saberiam estacionar após uma noite na rua cor de rosa e, com sorte, não contribuiriam para os monumentos subaquáticos do Rio Tejo.

Escrito por: Inês Leote

Editado por: Rafaela Boita

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s