Análise Tática: como o Gil Vicente FC venceu o SL Benfica

O SL Benfica, em busca de mais uma vitória e de continuar na luta pelo título nacional, enfrentou, no último sábado, dia 17 de abril, a equipa do Gil Vicente FC, no Estádio da Luz. Contudo, os “Encarnados” não conseguiram confirmar o favoritismo e saíram derrotados (1-2), após uma exibição interessante e organizada dos visitantes.

No papel, Jorge Jesus organizou a sua equipa num 3-4-3, com Helton Leite; Lucas Veríssimo, Otamendi, Vertonghen; D. Gonçalves, Weigl, Taarabt, Grimaldo; Waldschmidt, Seferovic e Rafa.

Do outro lado, Ricardo Soares optou pelo tradicional 4-3-3, utilizando Denis; Joel, R. Prado, R. Fernandes, Talocha; V. Carvalho, Pedrinho, L. Mineiro; Leautey, P. Marques, Lourency no 11 inicial.

A partir do apito o papel pouco importa e as equipas organizam-se de maneiras diferentes, tentando sempre manter um padrão pré-estabelecido pelo treinador. Com isso, a proposta de cada adversário era evidente: os “Encarnados” procuravam manter a posse de bola e, com isso, criar boas oportunidades de abrir o marcador. O Gil Vicente FC, por outro lado, mantinha as linhas baixas e, com isso, atraía a equipa da casa. Com a bola, era rápido e incisivo, tentando, através de transições velozes, chegar à baliza.

Na fase ofensiva, o SL Benfica, com três centrais, utilizava a saída a três, com dois alas (Grimaldo e Diogo Gonçalves) em amplitude, dando opção aos defesas. No setor de meio-campo, Weigl era o homem mais recuado e Taarabt tinha liberdade para avançar. A equipa, porém, parava na ótima organização defensiva dos visitantes.

Benfica a utilizar a saída de três durante a partida (Foto: Reprodução)

Alternando entre um 4-3-3 e um esquema com cinco centrais ao longo da partida, o Gil Vicente FC estava extremamente compacto e, deste modo, evitou todas as ações do SL Benfica pelo corredor central. Com isso, a equipa da casa usou e abusou de jogadas pelas extremidades do campo e bolas alçadas na área, para Seferovic resolver – algo que não foi bem sucedido.

Gil Vicente compacto, defende em 4-3-3, obrigando o SL Benfica a utilizar os extremos (Foto: Reprodução)
Linha de cinco defesas e alta compactação do Gil Vicente (Foto: Reprodução)

Na reta final da primeira parte, o Gil Vicente FC, de maneira inteligente, encaixou um ataque em velocidade e, encontrando a defesa benfiquista desorganizada, abriu o marcador. A jogada nasceu de um lançamento lateral, com marcação alta e individualizada da equipa de Jorge Jesus. Após furar esta primeira linha de pressão, Pedrinho teve liberdade e visão de jogo suficiente para alcançar Léautey, que se lançou em profundidade e numa boa jogada individual, conseguiu finalizar e anotar o primeiro golo da partida.

Marcação individualizada do SL Benfica no lateral que originou o golo (Foto: Reprodução)
Defesa desorganizada e Pedrinho livre para achar Léautey em profundidade (Foto: Reprodução)

Quando não contra-atacava, o Gil Vicente, ao contrário do SL Benfica, não utilizava uma saída de três. Deste modo, o guarda-redes passava para um dos centrais, que poderiam optar pelos laterais, que davam opção em amplitude, ou pelos médios, que se aproximavam. Os “Encarnados”, neste momento, subiam as linhas e, novamente, individualizavam a marcação, algo que gerou problemas em diferentes momentos, pois, ao quebrar a primeira linha de pressão, os visitantes encontravam muito espaço entre linhas.

Marcação individual do SL Benfica na saída de bola do Gil Vicente. Aproximação do médio para dar opção de passe e lateral em amplitude (Foto: Reprodução)

Ao ser atacado, o SL Benfica acabou por sofrer com algumas boas chances criadas pelos visitantes. Os “Gilistas”, sempre com ataques incisivos, velozes e de qualidade, conseguiram, em muitos momentos, manter-se em igualdade numérica na fase ofensiva. Isto porque a equipa de Jorge Jesus era pouco compacta e lenta nas transições defensivas, oferecendo muitos espaços.

Gil Vicente, em igualdade numérica, avança pela extremidade do campo, enquanto, do lado oposto, o extremo em amplitude ataca as costas do lateral (Foto: Reprodução)

E foi a partir de uma transição ofensiva em velocidade que a equipa de Ricardo Soares ampliou a sua vantagem. Mais uma vez, com o extremo infiltrado em profundidade nas costas do lateral, Claude Gonçalves lançou Lourency, que finalizou para dentro da baliza de Helton Leite. Um factor de extrema importância na jogada foi a superioridade numérica no setor, com destaque para Weigl, preocupado com Lucas Mineiro, e Otamendi, com Samuel Lino, impedindo assim a cobertura do espaço deixado pelo lateral.

Transição ofensiva do Gil Vicente no lance do segundo golo (Foto: Reprodução)

Por fim, o SL Benfica ainda conseguiu reduzir. Com Pizzi recuado e a fazer a saída de três ao lado dos centrais, devido à saída de Lucas Veríssimo, Rafa atacou as costas do lateral e recebeu um lançamento espetacular. Após tirar o defesa da jogada, finalizou e Denis defendeu. No ressalto, Vítor Carvalho empurrou a bola contra a própria baliza.

Saída a três do SL Benfica, com Pizzi a lançar Rafa e os laterais em amplitude (Foto: Reprodução)

Com este resultado, o SL Benfica despediu-se praticamente do título da Primeira Liga, ficando 12 pontos atrás do líder Sporting CP. O Gil Vicente, por sua vez, assumiu a 9ª posição e, com isso, ganhou maior tranquilidade na luta pela permanência na elite do futebol português.

Escrito por: João Pedro Heleno Sundfeld

Editado por: Inês Conde

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