Valete Frates!

As organizações discretas têm sido alvo de vários ataques nos últimos dias. Foram feitas acusações por António Lobo Xavier, falando de uma “rede maçónica” que controla a política e a magistratura e que persegue alguns dos seus clientes.

Rui Rio, líder do PSD, também acusou o Partido Socialista de obedecer à maçonaria, em resposta ao voto contra da bancada do PS à proposta elaborada pelo Partido Social Democrata de exigir aos titulares de cargos políticos que declarem as associações de que fazem parte, desde a Maçonaria a clubes de bairro.

Gostaria de começar por dizer ao Dr. Rui Rio que, por essa lógica populista de generalização, de dizer que o PS obedece à Maçonaria por ter votado contra a proposta do seu partido, também posso afirmar que o PSD obedece à Igreja Católica, baseando-me, por exemplo, num acontecimento de há uns anos atrás, em que as pressões da Igreja terão levado um determinado subsecretário de estado da cultura a bloquear a candidatura de um livro, de um dos mais geniais escritores da língua portuguesa, a um prémio internacional.

Já se nota há algum tempo que Rui Rio tem uma especial comichão com a Maçonaria. Já na altura das eleições no seu partido acusou a Maçonaria de conspirar contra ele e querer eleger Luís Montenegro e agora acusa o PS de estar a obedecer à Maçonaria. Parece-me que qualquer dia o Dr. Rui Rio vai culpar uns senhores de avental pelo seu insucesso político. Rui Rio está cada vez mais parecido com André Ventura, tal como o líder do Chega gosta de culpar os ciganos por todos os problemas do país, o líder do PSD gosta de culpar a Maçonaria.

Esta acusação que Rui Rio faz, de existirem “irmãos” na bancada do PS, é ridícula e discriminatória. Então e os primos, tias, cunhados e sobrinhas? Nada? Não se percebe.

Debrucemo-nos agora sobre a proposta do PSD, de querer tornar obrigatória a declaração de pertença a qualquer tipo de associação por parte de responsáveis políticos, em nome da transparência política. À primeira vista parece ser uma violação dos artigos 41.º e 46.º da Constituição, para além disso também é muito difícil que seja aprovada na Assembleia. Posto isto, não é uma proposta com grande futuro. Mas, ainda assim, se a curiosidade for muita, existem maneiras informais de descobrir essas coisas. Quanto a outras organizações não sei, mas para descobrir quem não é da Opus Dei parece-me simples, organizam-se uns joguinhos de futsal com todos os políticos e, nos balneários, olhando para as costas de cada um será fácil perceber quem pertence ou não à Opus.

De facto, compreende-se ser possível pensar que a política seria mais transparente se soubéssemos que políticos pertencem, por exemplo, à Maçonaria, mas o problema é que como em tudo, não se pode generalizar, não se pode assumir que todos os maçons são maçons por interesse.

A Maçonaria sofre uma grande generalização, o que é reprovável, mas a Maçonaria não está completamente isenta de culpa por essa generalização existir. Por exemplo, António Arnaut, o arquiteto do Serviço Nacional de Saúde, era um membro da Maçonaria e, por isso, a organização diz que “a Maçonaria teve uma grande influência na concretização do SNS”. Já quando, um membro da Maçonaria, ex-espião, entregou dados classificados a um investidor, também maçom, numa loja maçónica com o nome de um compositor austríaco, a Maçonaria afirmou “não somos corruptos, não se pode julgar a ‘floresta’ por uma ‘árvore’”. Portanto, talvez o melhor conselho a dar à Maçonaria é que se mantenha mais discreta, como deseja, e não tente colher os louros para toda a instituição, das ações de um membro, para também não ser objeto de críticas no seu todo pelas ações de um dos seus.

A principal razão que cria revolta em relação à Maçonaria nalguns círculos políticos e socias, é a alegada ocorrência de Lobbying nos seus corredores e de uma suposta teia de influência que se alastra à política e à magistratura. Contudo existe uma justificação muito simples para estas práticas. Uma das coisas que a Maçonaria exige aos seus membros é que façam obras de caridade e que ajudem os seus “irmãos” sempre que tiverem algum problema. Logo, quando um “irmão” não tiver emprego, não conseguir pôr caviar na mesa, um outro “irmão” que o possa ajudar, arranjar-lhe-á um trabalho como subsecretário de estado das pescas e, no futuro, quando este caridoso “irmão” precisar de ajuda, o “irmão” outrora ajudado irá tentar ajudar no que puder, se não puder, provavelmente acabará como cliente do Lobo Xavier.

Refira-se que, falo apenas da Maçonaria, porque não tenho espaço para falar de todas as organizações. Poderia ter optado por outras como os míticos concelhos de ministros na Tribuna VIP do Benfica, por exemplo.

Para concluir, manifesto a minha condenação a qualquer tipo de generalização, sendo que, a que se faz com a Maçonaria me provoca particular incómodo. Tem-se ouvido dizer que a Maçonaria é uma ameaça à democracia, o que não faz qualquer sentido, pois os principais ideais da mesma são: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Generalizações é que são ameaças à democracia e perseguições a maçons são características de ditaduras. Ainda assim, não afasto a possibilidade da existência de alguns membros da Maçonaria que se aproveitem dela para manipular o jogo como pretendem, mas não se pode julgar a “floresta” por uma só “árvore”, por isso a Maçonaria não é corrupta, os homens é que o são.

Valete Frates!

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Afonso Alturas

Editado por: Inês Conde

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