Lá Para Dentro: o caos está instalado!

Nos últimos tempos, quem acompanha o futebol português decerto que já deu conta do clima de guerra que se tem vindo a instalar. Patrocinado pelos diversos agentes desportivos, procuram justificar alguns insucessos desportivos (ou, por outro lado, o sucesso dos rivais) apontando o dedo às arbitragens, às instituições que gerem o futebol e até mesmo à pandemia!

O primeiro caso a analisar é o que envolveu o atleta João Palhinha. O Sporting CP (clube em que o referido atleta atua) deslocava-se ao Estádio do Bessa para defrontar o Boavista FC, sendo que na jornada seguinte recebia o eterno rival, SL Benfica. O jogador em questão não foi titular neste encontro, tendo entrado aos 76 minutos. Aos 79 minutos o momento que foi falado durante toda a semana: o jogador era admoestado com um cartão amarelo (o 5º na presente temporada), que o retirava do jogo com o Benfica da jornada seguinte.

Momento após a exibição do cartão amarelo a João Palhinha. Fonte: A Bola.

No semana que antecedeu o derby lisboeta não se falou de outra coisa. O árbitro Fábio Veríssimo, que exibiu o referido cartão amarelo, acabou por vir publicamente assumir que a sua decisão havia sido errada. No entanto, nada poderia ser feito: o árbitro não podia voltar atrás. Após alguns recursos por parte do Sporting, uma decisão sem precedente: o cartão a Palhinha era retirado e o jogador podia ir a jogo frente ao Benfica quando o seu próprio treinador, Rúben Amorim, já dizia que não contava com o atleta para o referido encontro. Abriu-se, assim, uma Caixa de Pandora no futebol português. Será inevitável considerar que é uma questão de tempo até que os principais clubes do nosso futebol (que, infelizmente, tendem a ter um tratamento diferenciado nestas matérias) se façam valer desta tomada de posição para seu próprio proveito.

O Sporting derrotou o Benfica com um golo de Matheus Nunes aos 90+2. Palhinha entrou aos 60 minutos de jogo. Fonte: sambafoot.com

Na semana seguinte, era a vez do FC Porto ter razões de queixa. Empatava no Jamor frente à B SAD, num jogo que ficaria marcado pela lesão de Nanu, após um choque violento com o guarda-redes da equipa detida pela Codecity, Kritsyuk. Este lance, aliado ao péssimo estado do relvado, seriam a base da argumentação dos responsáveis azuis e brancos para justificar uma exibição menos conseguida.

Momento do choque entre Nanú e Kritsyuk. Fonte: Adeptos de Bancada.

Mas nos dois jogos seguintes (curiosamente, ambos em Braga frente ao Sporting local), o tom da contestação subiria de nível. Primeiro, para o campeonato: Corona seria expulso pelo árbitro Artur Soares Dias aos 60 minutos e os orientados por Sérgio Conceição, após estarem a vencer por 0-2 até aos 87 minutos, permitiam que a equipa da casa chegasse ao empate. Na ótica dos portistas, uma expulsão injusta de um jogador cujo futebol é regularmente condicionado pelos adversários.

Momento em que Artur Soares Dias expulsa “Tecatito” Corona. Fonte: SIC Notícias.

Três dias depois, novo jogo em Braga e nova polémica: Luís Diaz é expulso com um vermelho direto, num lance em que David Carmo saiu lesionado com gravidade. Luís Godinho, árbitro do encontro, justificou a expulsão precisamente com a lesão do atleta dos “arsenalistas”, apesar da falta de intenção em atingir o adversário na abordagem ao lance por parte do atleta do FC Porto. Aos 90+7, nova expulsão, todavia menos polémica: Uribe agrediu Ricardo Esgaio com uma cabeçada.

Lance que resultou na lesão de David Carmo e expulsão de Luis Diaz. Fonte: O Jogo.

A jogar contra 9 unidades, o SC Braga chegaria à igualdade aos 90+12 por intermédio de Fransérgio. Após o apito final, revolta dos responsáveis dos “dragões”: Sérgio Conceição pedia aos seus jogadores para abandonarem o relvado sem cumprimentar a equipa de arbitragem e proferia umas palavras minimamente desagradáveis para o técnico adversário, Carlos Carvalhal (posteriormente, o técnico do FC Porto, mais calmo, foi ao balneário adversário pedir desculpa ao colega de profissão).

O jogo na “Pedreira” terminou com os ânimos exaltados na estrutura do FC Porto. Fonte: O Jogo.

Mas desengane-se quem pensa que a culpa para o insucesso desportivo prende-se sempre às razões que no futebol português já são vistas como tradicionais. De modo a justificar a época totalmente fracassada (até à data) do Benfica, o técnico Jorge Jesus coloca as culpas… na pandemia!

Depois de também ter estado infetado e ter falhado alguns jogos da sua equipa, o técnico de 66 anos regressou no jogo frente ao Famalicão. Na flash-interview, revelou que apenas três atletas dos encarnados não foram infetados pela covid-19, o que condicionou imenso a preparação para os jogos, assim como a prestação dos atletas nas mais diversas frentes em que o clube esteve envolvido.

O jogo Benfica x Famalicão (2-0) marcou o regresso de Jorge Jesus ao banco de suplentes dos “encarnados”, após ter estado infetado pelo novo coronavírus. Fonte: A Gazeta.

Em suma, numa época extremamente atípica (marcada pelas bancadas desertas), os intervenientes no futebol português preferem justificar os maus resultados desportivos com fatores “extra-jogo”, trocando regularmente acusações com os rivais. Nota negativa também para alguns órgãos de comunicação social, que valorizam mais este “espetáculo” deprimente, em vez de alguns bons jogos de futebol disputados em terras lusas. Reflita-se acerca do que vai mal no nosso futebol…

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Filipe Ribeiro

Editado por: Gabriel Reis

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