Tom Moore, o símbolo de esperança que o Covid-19 levou

No passado dia 2 de fevereiro, Sir Tom Moore, veterano da II Guerra Mundial, morreu aos 100 anos após testar positivo à Covid-19. A figura de esperança e cooperação arrecadou milhões para instituições de caridade ao longo do primeiro confinamento da pandemia na Grã-Bretanha.

Tom Moore, o homem que fez 44 milhões de euros para instituições de caridade do serviço nacional de saúde britânico, ao realizar 100 voltas à sua casa.
Fonte: sol.sapo.pt

Moore nasceu em Keighley, West Yorkshire, em abril de 1920. O veterano concluiu uma licenciatura como engenheiro civil e, de seguida, ingressou no exército. Em 1940, foi selecionado para a formação de oficiais e ascendeu ao posto de capitão, sendo posteriormente colocado no nono batalhão do Regimento do Duque de Wellington, na Índia. Serviu e lutou no Arracão, o nome do Estado de Rakhine na época, localizado no oeste da Birmânia, e foi com o seu regimento para Sumatra após a rendição japonesa. Depois da guerra, voltou ao Reino Unido e trabalhou como instrutor na Escola de Veículos de Combate Blindados em Bovington, Dorset. Morou em Kent durante muitos anos, até que em 2007 se mudou para Bedfordshire, onde ficou mais perto da família.

O veterano tinha sido internado no hospital de Bedford no domingo, altura em que precisou de ajuda para respirar depois de ter estado a receber cuidados em casa. Tom Moore estava a receber cuidados devido a uma pneumonia e ainda testou positivo para a Covid-19 na semana passada.

Os esforços que o capitão fez para arrecadar fundos durante o primeiro confinamento britânico, em abril do ano passado, resultaram em cerca de 44 milhões de euros para instituições de caridade do National Health Service, o serviço nacional de saúde britânico, após ter prometido dar 100 voltas no seu jardim antes de seu 100º aniversário. Esta atitude comoveu o mundo e captou a admiração pela sua condição e determinação.

Recordemos o seu feito neste vídeo do The Gardian

As filhas, Hannah e Lucy, que confirmaram a morte do capitão Sir Tom Moore, afirmaram que “O último ano da vida de nosso pai foi nada menos que notável. Ele rejuvenesceu e experimentou coisas que sempre sonhou”. Nunca é tarde para ter novas experiências, realizar velhos desejos. EA idade mais avançada não tem de ser encarada como um “fim” precoce: não deixamos de ser quem éramos por envelhecer. É de facto um exemplo para todos.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, expressou as condolências, elogiando os “esforços heróicos de Moore” que serviram como um reforço de ânimo em toda a nação.

Perdemos um símbolo de esperança de uma geração que passou por muita instabilidade, e ficamos com outra geração que não sabe dar valor e zelar pelo que tem. As gerações mais jovens dividem-se entre aqueles que estão atentos ao problema e os que ignoram e desrespeitam a situação.

Pegando no caso português, que se repete em mais países europeus, deparamo-nos com uma geração jovem que não quer ver refletida em si culpas relacionadas com o crescimento dos números da pandemia e que ignora os riscos inerentes a um comportamento imaturo e irresponsável. E o facto é que é um problema de uma geração e não de um país, pois por toda a Europa já ouvimos falar de festas ilegais que nos deixam incrédulos face ao atentado à saúde pública e à vida dos mais frágeis que representam, com ajuntamentos inaceitáveis.

No entanto, não deixo de louvar todos os jovens que participam em campanhas de sensibilização, campanhas de angariação de fundos, que apoiam os mais frágeis e os nossos profissionais de saúde. Muitos jovens deveriam de olhar para aqueles que praticam estas ações e refletir, porque podemos não ser de faixas etárias tão afetadas com o vírus (apesar do cenário estar a mudar cada vez mais), mas podemos estar a prejudicar alguém vulnerável. Já estão fartos da mesma conversa? Eu também, tenho pena que muitos não entendam e que tenhamos de nos repetir.

Não querendo roubar o protagonismo da celebração da vida de Tom Moore, faço apenas este apontamento que me fez refletir ao relembrar a sua ação, para que coloquemos a mão na consciência, olhemos para o que realmente importa e respeitemos o outro.

O exemplo de Moore, a sua determinação em realizar um esforço físico em idade avançada para benefício dos outros, vem mais uma vez destruir o estigma relacionado com as principais vítimas da Covid-19, as pessoas mais velhas e a posição à parte que muitas vezes têm na nossa sociedade. São pessoas que ainda podem participar nestas iniciativas e ainda têm muita vida em si. Devemos zelar pela saúde deles e de todos.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Mariana Mateus

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