Presidenciais 2021 – Ana Gomes e a sua magistratura de influência

De Embaixadora de Portugal na Indonésia, até 2003, a Eurodeputada, até 2019, Ana Gomes está agora na corrida a Belém. A candidata está confiante na escolha certa dos Portugueses e pronta a pedir a reapreciação da legalidade do partido Chega!, liderado por André Ventura.

Fonte: Expresso

Esta segunda feira, Ana Gomes foi a convidada de Miguel Sousa Tavares. Teve a oportunidade de mostrar a sua influência na política portuguesa, a vontade de mudar as instituições democráticas corrompidas – “alguém que se move por causas e não por cargos” – e a renovação do Estado de Direito.

Ana Gomes inicia o seu discurso referindo-se às áreas pertinentes de pouca ou nenhuma influência do Presidente da República que necessitavam da sua atuação, relembrando o homicídio do cidadão ucraniano nas instalações do SEF, o “dispensar-se de fazer a pedagogia contra as teses racistas e xenófobas” e o não-combate às infiltrações da extrema-direita nas forças de segurança – “que têm de ser bem equipadas, bem instaladas, bem formadas”).

A sua crítica a Marcelo prolonga-se por toda a entrevista, apelidando-o de “o grande desestabilizador”, acusando o PR de se encostar muitas vezes ao Governo, de durante a pandemia ter “desautorizado” a Ministra da Saúde Marta Temido e o SNS – dando espaço aos privados – pelo inexistente combate às alterações climáticas e a transição para energias verdes e a pouca atuação nas relações laborais, na precaridade e os despedimentos recentes em todos os setores económicos.

Ao abordar Portugal e os Portugueses, apresenta-os como um “povo aberto” de gentes de “grande qualidade“. Contudo, admite o problema destes cada vez mais estarem descrentes na política por causa da corrupção e das organizações disfuncionais. Aponta o triunfo que os Portugueses fazem no estrangeiro, devido à falta de oportunidades em Portugal, influenciadas pelo pouco investimento na educação, na qualificação e na inovação.

Sousa Tavares questiona a candidata a Belém do seu passado, nomeadamente da sua afiliação com o MRPP, “uma grande escola de cidadania”. Admite a militância “devota” no partido, assim como o arrependimento em relação a algumas coisas que lá fez. A sua desvinculação do MRPP, em inícios de 1976, foi motivada pela destabilização da democracia criada com o 25 de abril, afirmando-se cada vez mais próxima do Partido Socialista – “não fazia sentido o MRPP estar a pôr em causa a democracia“.

Confrontada com a polémica de ter dito que o Chega! não devia ter sido legalizado, mostra que este é um partido xenófobo, racista e violento – que revela que as suas influências geram situações como o assassinato do cidadão ucraniano no SEF – e caso seja eleita irá pedir uma reapreciação da sua legalidade à PGR. Acrescenta que a finalidade do Chega! é “confinar etnias” (ao qual MST respondeu “só na pandemia”) e a destruição da Constituição Portuguesa – que cada vez estão mais perto de o fazer, através das coligações partidárias, da qual é exemplo a dos Açores. Confirma, ainda, a sua presença num debate com André Ventura, que terá lugar na TVI.

No que toca às Relações Internacionais, MST propõe à candidata o cenário da próxima visita do PR do Brasil Jair Bolsonaro e qual seria a sua atitude caso fosse recebê-lo: esta pretende manter a relação diplomática aberta com o Brasil, mas evitaria receber o Chefe de Estado Brasileiro devido às suas práticas políticas – “defendeu os torturadores da Presidente Dilma. Para mim não é um bom interlocutor”.

A entrevista encerrou, abruptamente, com a opinião de Ana Gomes em relação à TAP. A candidata diz que a transportadora aérea é uma empresa estratégica para Portugal, assim como a CGD, e que “vale a pena gastar dinheiro na TAP“. MST confronta a candidata com as recentes estatísticas que saíram, que indicam que o salvamento da TAP consistirá no desembolsar de 300€ dos bolsos de cada contribuinte, ao qual refuta apontando as quantias injetadas no Novo Banco, “uma empresa que não é nada estratégica”.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: João Miguel Fonseca

Editado por: Júlia Varela

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