Hungria e Polónia: Democracia é só no papel

Com a Covid-19 a reinar a Agenda dos meios de comunicação mundiais, os partidos extremistas e ultra conservadores têm estado a fazer o que bem entendem, sem grande cobertura mediática.

Vejamos… Na Hungria e na Polónia, os primeiros ministros Mateusz Morawiecki e Victor Órban, têm estado a engolir os media independentes. Vão contra quaisquer princípios da União Europeia (UE) – relativos ao Estado de Direito, da liberdade de imprensa e do pluralismo – e parecem estar a trabalhar em prol da censura e da manutenção da mente acrítica dos cidadãos. Para além de controlarem a informação de muitos órgãos de comunicação, têm conseguido manter um sistema de voto não secreto, sobretudo nos meios rurais.

Fonte: Açoriano Oriental

Ora, se vivemos numa sociedade onde prevalecem a tolerância, a não discriminação, a justiça e a solidariedade, faria sentido fazer jus aos seis valores da UE apresentados na Carta dos Direitos Fundamentais: a dignidade do ser humano; a liberdade; a democracia; a igualdade; o Estado de Direito; e os direitos humanos. Mas será que estes ministros, líderes de partidos ultra conservadores, conhecem os princípios regentes da União de que fazem parte?

Num comunicado conjunto, afirmaram que estarão sempre em concordância, formando uma união, e que não farão parte nem dos fundos comunitários, – que apontam como uma futura arma que poderá vir a destruir a UE – nem do pacote de fundo de recuperação – que foi pensado para combater a crise financeira provocada pelo Covid-19. Talvez esteja na altura de pressionar estes países e não deixar que as constates “chantagens e sabotagens” vençam perante a União Europeia.

Fonte: Cagle

Atualmente, segundo o Annual Report by the partner organisations to the Council of Europe Platform to Promote the Protection of Journalism and Safety of Journalists, foram criados vários alertas de perigo para a atividade dos jornalistas nestes países. O direito de acesso às fontes tem vindo a ser negado, os despedimentos de jornalistas independentes que difundam informação não aprovada pelo Estado aumentaram, os movimentos políticos contra os jornalistas independentes amplificaram-se – “Hungary haters”, “traidores” e “agentes infiltrados” foram alguns nomes utilizados – e o ambiente de trabalho tem vindo a tornar-se cada vez mais hostil e perigoso.

Para além disto, sites como a Wikipédia estão interditos em ambos os países, a burocracia dos processos jurídicos contra jornalistas de opinião diminuiu, por forma a constituírem processos mais rápidos, as liberdades académicas estão a ser fortemente restringidas e as penas para o “jornalismo indevido” têm vindo a crescer. E sem a regulamentação necessária, já não se sabe o que este conceito será ao certo – talvez seja “aquilo que o Estado não quer ouvir nem quer que se saiba”.

Não é de espantar que, segundo dados disponibilizados pelos Repórteres sem Fronteiras, a Polónia se situe em 66º lugar na “Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa em 2020” e a Hungria em 88ª lugar. Talvez por Portugal se encontrar em 10º lugar neste ranking, este artigo possa ser publicado. Não sei se teria a mesma sorte nestes países.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Guilherme da Guia

Editado por: Gabriel Reis

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s