“O Nosso Cônsul em Havana” – filme portugês realizado por Francisco Manso

Apesar de estarmos em tempos um pouco diferentes dos habituais, com todas as restrições que nos são impostas por causa da pandemia, é sempre boa altura para irmos ao cinema e apreciar aquilo que de melhor se faz em Portugal no campo da Sétima Arte.

Fonte: Público

“O Nosso Cônsul em Havana” , realizado por Francisco Manso, estreou a semana passada nos cinemas portugueses.

Partindo da série de televisão com o mesmo nome que passou na RTP1 em 2019, o filme acompanha a chegada de Eça de Queiroz à capital cubana, Havana, em 1872 e a sua estadia lá incumbido pelo Governo Português de uma missão muito especial: acompanhar de perto a escravatura a que o Império Espanhol sujeitava os chineses chegados de Macau com papéis portugueses (não nos esqueçamos de que na época Macau era uma possessão ultramarina portuguesa) sendo forçados a trabalhar nas plantações de cana de açúcar a troco de nada, enriquecendo os grandes proprietários da ilha.

O jovem Eça cedo se apercebe de que nem com o Governador de Cuba pode contar para contornar a questão, uma vez que ele e os proprietários das plantações estão em conluio para que a escravatura permaneça. Apesar disso, o cônsul português não se deixa abater e procura apoio junto da fação revolucionária que operava no lado oriental de Cuba e é com o apoio desses anti-esclavagistas que Queiroz vai enfrentar altas entidades, muito poderosas, e sobretudo, muito perigosas.

Outra personagem da com a qual nos cruzamos é o General Bidwell, combatente na Guerra da Secessão Americana, que se encontra em Cuba com a mulher e a filha, Molly. A introdução desta personagem no enredo não será certamente ao acaso e faz-nos pensar acerca da questão da escravatura de um ponto de vista global: apesar de em Cuba continuar a praticar-se a escravatura, esta já tinha sido abolida nos Estados Unidos em 1865, aquando do término da Guerra Civil que opôs nortistas e sulistas, e o Reino de Portugal também já a havia abolido em 1869.

É então bastante percetível que Espanha (que possuía Cuba) continuava irredutível perante um mundo em mudança.

Este drama histórico aborda a questão dos assuntos internacionais, dos direitos humanos e das relações diplomáticas e conta com Elmano Sancho no papel de Eça de Queiroz, e ainda com nomes como Ivo Arroja, Luísa Cruz, João Lagarto, Mafalda Banquart, Joaquim Nicolau, António Capelo, entre outros.

Escrito por: Bernardo Maria de Sottomayor

Editado por: Mariana Rodrigues

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