Presidenciais 2021 – Tiago Mayan, o primeiro candidato “genuinamente” liberal

Tiago Mayan Gonçalves é o candidato da Iniciativa Liberal às presidenciais de 2021, cuja estreia televisiva foi esta segunda feira (23), na entrevista que deu a conhecer ao país os aspetos que pretende emendar na sociedade portuguesa – “por um país mais justo, mais próspero e mais livre”.

Fonte: Diário de Notícias

Esta segunda feira, o segundo convidado de Miguel Sousa Tavares candidato à Presidência da República foi Tiago Mayan Gonçalves, representante da Iniciativa Liberal. Uma entrevista, por parte de Sousa Tavares, mais moderada (em relação à da semana anterior), no entanto, com retenção ideológica insuficiente do convidado, influenciado pela duração da entrevista.

No seu site de apresentação, Tiago Mayan evoca os 200 anos da Revolução Liberal, a grande origem dos ideais que compõem o seu partido – a separação dos poderes, a soberania individual, a igualdade perante a lei, o pluralismo político e a liberdade de expressão. Criticando as “sucessivas décadas de governação socialista“, mostra que o poder do Estado tem, progressivamente, tornado o povo mais dependente deste e limitado as opções dos seus cidadãos – “Não vos direi que sei o que é melhor para cada um de vocês, vou exigir um país que vos garanta liberdade para viverem a vossa vida, como acharem melhor”.

Sousa Tavares iniciou a entrevista referindo que Tiago Mayan não fora a 1ª opção da Iniciativa Liberal para candidato à Presidência, ao qual apelou ao sentimento de desvalorização por parte do entrevistado, que se defendeu dizendo que o seu partido “não escolhe protagonistas, escolhe quem pode corporizar essas ideias (liberais) e valores a cada momento”. Aproveitando a deixa de MST, de que o candidato era desconhecido a grande parte dos portugueses, mostra que a sua visão foca-se em “devolver o poder ao seu dono, o cidadão”.

Um dos grandes pontos de interesse que o candidato liberal expõe ao longo da sua campanha política é o mau desempenho de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República. Tiago Mayan manifesta o seu desagrado com o possível adversário às Presidenciais, enunciando aspetos em que o PR “abdicou” do seu cargo e falhou – “Pedrógão, Tancos, Lar de Reguengos de Monsaraz, o milagre português“. Critica, ainda, a atitude de colaboração que adquire, constantemente, com o Governo (“Um presidente a sério deveria garantir que portas giratórias do Ministro das Finanças para Governador do Banco de Portugal não aconteçam”), que está numa “deriva autoritária“, nomeadamente por causa da renovação do Estado de Emergência.

A renovação do Estado de Emergência (agora prolongado até às 23h59 de 8 de dezembro), que a Iniciativa Liberal votou contra duas vezes – “medidas de limitação (…) sem qualquer fundamento” – é um dos aspetos de um Governo que “não tem um Presidente que lhe ponha a mão” e que Mayan contesta. Questionado várias vezes por Sousa Tavares acerca de como agiria no lugar de Chefe de Estado, Tiago Mayan não aborda diretamente a questão: mostra que a renovação do EE não é um simples “ligar ou desligar”, mas que no seu todo impeça a crise de saúde pública e garanta os direitos, liberdades e garantias gerais (“questões como a negociação com os privados a tempo e horas, de oferta para a saúde (…) já deviam ter sido feitas há mais tempo“). Conclui o seu raciocínio formulando uma metáfora de renovação do EE com uma ambulância, que, ao assinalar a marcha de emergência, “vai poder violar regras de trânsito”, mas deve ter em atenção que não poderá atropelar pessoas e enfrentar tudo à sua volta até chegar ao seu destino.

O candidato liberal foi confrontado, tal como André Ventura, convidado da semana anterior, acerca da coligação PSD/CDS/PPM e dos acordos estabelecidos entre partidos de Direita. Em nome da IL, Tiago Mayan explica que foram estabelecidos os ditos acordos com o PSD, no entanto, independentemente da coligação, o partido “será oposição a tudo o resto, nomeadamente, o que represente ataque aos nossos valores” incluindo aspetos que o líder do Chega!, discute que vai contra os ideais liberais do partido – “há muito com o que discordamos. E se isso se reproduzir em propostas nos Açores, nós vamos ser oposição”.

Ainda em matéria relacionada com o partido Chega!, MST mostra que ambos partidos partilham, estipulado no programa político, uma revisão constitucional. Esta revisão, incitada pela Iniciativa Liberal, pretende combater a carga ideológica que a Constituição Portuguesa compreende, sobretudo “capítulos a falar de planos económicos. Acho que isso não tem cabimento nenhum na Constituição, mas não é uma prioridade, para mim” palavras de Tiago Mayan. O candidato liberal foi inquirido, ainda, sobre o limite constitucional à despesa pública e à carga fiscal, o que fomentou uma chuva de críticas relacionadas com a falta de profissionalismo, nervosismo e pouco à vontade e preparação para a entrevista de Mayan. Este rebateu a pergunta, pedindo a MST para convidar o deputado parlamentar do IL para discutirem acerca disso, pois as propostas apresentadas em AR cabem ao deputado João Cotrim de Figueiredo e não ao candidato presidencial.

No final da entrevista, Sousa Tavares perguntou a Mayan se considerava o Estado português “grande de mais”, ao qual este referiu o investimento de 1700 milhões de euros na TAP ou o renacionalizar dos CTT enquanto “inúmeros aspetos em que o Estado está a mais“. Com a escassa informação ideológica de Tiago Mayan Gonçalves e a nervosa e pouco profissional prestação em televisão, as dúvidas formam-se em volta de se esta entrevista foi suficiente para conquistar o eleitorado português.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: João Miguel Fonseca

Editado por: Júlia Varela

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