“Pra cima de Puta” – O novo livro de Cristina Ferreira

Fontes: TVI

Este título sui generis bem ao estilo da apresentadora e diretora de entretenimento e ficção do canal de Queluz de Baixo, que tem como objetivo colocar o país a pensar. Não julgue o livro pela capa.

“Este livro é sobre a violência e sobre a necessidade urgente de mudar. Com ele, pretendo confrontar-nos com a impunidade das agressões que, nas redes sociais, se dirigem não interessa a quem ou com que consequências.”

Anúncio do livro na redes social da apresentadora / Fonte : Instagram

O livro foi anunciado há pouco mais de uma semana e com muito para desvendar à cerca da sua temática. Cristina Ferreira é já comparada e apelidada de Oprah Winfrey de Portugal.

Um fenómeno de audiências, dona de uma revista, marca de roupa e acessórios, perfume, marca de verniz gel, uma incontornável figura do panorama nacional. De raízes humildes, formada em Ciências da Comunicação, Cristina Ferreira tem provado o que é ser mulher e o que é estar e representar altos cargos.

Exemplo dos comentários diários na caixa de comentários de Cristina / Fonte: Instagram

Esta visibilidade e esta exposição despertam alguns dos fenómenos que são relatados neste livro como: “És uma grande vaca! Achas-te tão importante que não tens nada! És uma supérflua! O dinheiro subiu-te à cabeça grande cabra?!?!!? Agora tomaras tu o Rúben!!! Não passas de uma velha frustrada, cheia de celulite nessas banhas. Tens umas ancas tão grandes que quase viras o iate! Vai mas é pra casa tomar conta do teu filho, aprende a cozinhar, sua vaca presunçosa. Já não suporto ouvir falar de ti, a tua voz é de uma bimba peixeira, metes nojo ao mundo!”.

São apenas alguns dos exemplos que surgem diariamente nas caixas de comentários das redes sociais da apresentadora. A própria salienta que não é a única, este hábito de má índole e de cobardia reflete-se na vida de todos aqueles que utilizam redes sociais. De repente, um qualquer indivíduo pode fazer o comentário que quiser e ofender quem quiser salvaguardado pela impunidade de estar atrás de um ecrã.

Por isso a importância desta obra: as figuras públicas cujas vidas pessoais, são encaradas como território livre, para destilar ódio. Todas as mulheres que “se puseram a jeito”. As pessoas que se insultam publicamente só porque não concordam num assunto absolutamente irrelevante. Na maioria dos casos, são adolescentes, vítimas de cyberbullying, dos quais acabam por não resistir ao impacto emocional da perseguição online, chegando mesmo a pôr termos às próprias vidas.

Este livro traz para cima da mesa um tema relevante, atual e que nos toca a todos de alguma forma. É dividido em 7 capítulos e cada um aborda uma forma de agressão feitas à apresentadora. Temos o “Convencida”, “Vergonhosa”, “Traidora”, “Manipuladora”, “Falsa” e “Exibicionista”. No último capítulo a apresentadora em jeito de mensagem escreve: “Escolho eliminar os rostos e os apelidos das pessoas cujos comentários estão neste livro. Deixo apenas o primeiro nome, ou parte do nickname, para que se possa identificar o género”. “Não quero vingar-me de ninguém. Quero apenas que analisem o momento social que estamos a viver. (…) Guardo apenas se é homem ou mulher. Há uma disparidade muito grande. E essa avaliação merece ser feita. A grande maioria das pessoas que me atacam é composta por mulheres.”

Na entrevista do Jornal das 8 da TVI, no passado dia 28 de novembro, a apresentadora quando confrontada com a pergunta “Cristina, como irás utilizar a tua exposição e o teu livro para arranjar soluções contra o Cyberbullying?”, revela que todas as receitas do seu livro irão ser utilizadas para apoiar causas e associações que combatem o bullying, bem como a criação de uma Petição Pública contra o ódio e a agressão gratuita na internet, disponível aqui.

Cristina lançou dia 21 de novembro o 1º vídeo relativo ao seu livro com a descrição: “Eu não sou apenas a capa de um livro. Eu existo. 🤍”

Fonte: Instagram

Atacada por mulheres, por ser mulher. Goste-se ou não, uma mulher que chegou onde poucas chegam: ao lugar dos homens. E aqui fica uma mensagem sobre o empoderamento. Devemos apoiar-nos, independentemente do sexo ou género e não ferir ou invadir a outra pessoa com as nossas frustrações ou “dor-de-cotovelo”.

Aconselho ainda a leitura da secção online dedicada ao cyberbullying da APAV. Consulte mais informações aqui ou peça ajuda através do 707 200 077 (10h00-13h00/14h00-17h00 – dias úteis) ou do e-mail APAV.SEDE@APAV.PT.

Escrito por: André Nogueira

Editado por: Mariana Rodrigues

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