Afinal, o que é o movimento #FreeBritney? O lado menos cor de rosa da aclamada princesa da pop

Depois de vários insólitos e escândalos ocorridos em 2008, Britney Spears é considerada mentalmente inapta para cuidar de si própria e dos seus bens aos olhos da justiça norte-americana.

Que Britney Spears é uma das maiores estrelas e ícones da música pop ninguém tem dúvidas. No entanto, nos últimos anos a super estrela tem dado muito que falar nas redes sociais, e não pelos motivos que desejávamos. O assunto remete a 2008, contudo só nos últimos tempos tem sido alvo de discussão nos órgãos de comunicação social, após o surgimento de um movimento online. Criado através da hashtag #FreeBritney, em português, “Libertem a Britney”, o movimento visa contestar, denunciar e repudiar o regime tutelar ao qual a artista está submetida, não tendo qualquer liberdade sobre a sua carreira, negócios ou assuntos pessoais.

“O Colapso de Britney Spears”, mediaticamente assim conhecido, constitui um dos períodos mais gloriosos dos paparazzi, que se aproveitaram de um momento mais frágil e conturbado de Spears para alimentar a indústria cor de rosa. Depois de várias polémicas, um casamento falhado e a perda da guarda dos seus dois filhos, a estrela da pop chegou a ser internada num centro de reabilitação na ilha Antígua em 2007. O mediatismo desmedido, a desvinculação nem sempre bem vista da imagem inocente, doce e jovem para uma imagem mais sexualizada e provocadora aos olhos do grande público, bem como a pressão do meio tóxico e altamente competitivo onde estava inserida, ditaram a queda de uma das maiores estrelas do universo pop.

Britney Spears em 2007, após rapar o seu cabelo enquanto era perseguida por paparazzi
Fonte: Showpo

É no ano de 2008, altura em que se encontrava hospitalizada e lutava pela custódia dos filhos, que Spears é considerada inapta para tomar conta de si própria e dos seus bens aos olhos da justiça norte-americana. Desde então, a cantora está sob um regime tutelar e conservatório a cargo do seu pai – Jammie Spears – que gere a agenda, carreia e o património financeiro da artista.

Um regime de conservadoria é decretado por um juiz que nomeia um indivíduo ou uma organização para cuidar de outro adulto inapto para gerir a sua agenda pessoal, profissional e financeira. Ao pai, Spears é obrigada a pagar um “ordenado” mensal avaliado em cerca de 100 mil dólares pelas funções de tutor da filha.

É de realçar que em 2018, a super estrela tinha faturado um património líquido de 59 milhões de dólares, tendo gasto, só nesse ano, 1,1 milhões em taxas legais e outras despesas com o regime conservatório.

Spears em 2009 a atuar na sua tour “Circus”, enquanto lutava pela custódia dos filhos
Fonte: BB Charts

A viver num “circo” mediático, e embora a lutar pela sua saúde mental, Spears refugiou-se na sua carreira e reergueu-se de um período mais negro através do seu sexto álbum de estúdio, intitulado precisamente de “Circus” (2008). A cantora de “Womanizer”, recuperou a custódia dos filhos, reencontrou o amor ao lado de Sam Asghari e nos últimos anos tem-se dedicado mais à família enquanto assumiu um dos maiores espetáculos da história de Las Vegas com o seu concerto residencial – “Britney: Piece of Me” – entre 2013 e 2018, onde faturou mais de 140 milhões de dólares líquidos durante cerca de 250 apresentações.

Diz-se que depois da tempestade vem a bonança. Contudo, nos últimos dois anos os fãs da artista têm vindo a duvidar dos termos tutelares aos quais a artista está submetida, acusando o pai de se aproveitar do património da filha. O movimento #FreeBritney surgiu após um advogado anónimo ter-se mostrado preocupado com a situação da cantora e sobre a forma duvidosa e peculiar como o pai gere a vida da mesma.

O assunto não é novo, já que em 2009 foi criado o FreeBritney.net, onde os fãs demonstravam achar que Spears já não precisava de um tutor que assumisse as decisões da artista. “Os seus conservadores [o pai de Spears] decidem se ela trabalha ou não, uma vez que ela não pode contrair contratos por si própria, porque legalmente não é a sua própria pessoa. Britney Spears precisa da permissão dos seus conservadores para sair de casa ou gastar algum do seu próprio dinheiro”, manifesta o site.

Manifestação do movimento #FreeBritney à porta do Tribunal Superior de Los Angeles
Fonte: Bazaar

Em novembro deste ano, Britney Spears fez um pedido ao tribunal superior de Los Angeles, onde se mostrava insatisfeita com o seu regime de conservadoria e requisitou a supressão do mesmo. No entanto, a juíza Brenda Penny não aprovou o pedido. Em tribunal, Samuel Ingham, advogado da artista, referiu que “A minha cliente informou-me que tem medo do seu pai (…) Ela não voltará a atuar se o seu pai estiver encarregue da sua carreira”. Embora o tribunal tenha admitido avaliar um possível futuro pedido, Spears terá de esperar por 2021 para conseguir efetuar um novo requerimento que isente o pai das funções, ao qual está encarregue há mais de 12 anos.

Já vários rostos mediáticos e bem conhecidos internacionalmente mostraram-se indignados e revoltados com a situação, apoiando Spears a “libertar-se” do seu progenitor. Miley Cyrus, Missy Elliot, Cher, Ruby Rose ou Courtney Love são alguns dos vários nomes da lista de figuras públicas que se associaram ao famoso movimento. A verdade é que aos 38 anos, Britney Spears não tem qualquer autonomia sobre a sua carreira, negócios ou decisões familiares. Os fãs prometem não baixar guarda e alegam que o movimento só irá terminar quando a artista tiver poder absoluto sobre si mesma.

Escrito por: Tiago Malheiro

Editado por: Mariana Mateus

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