Nunca veremos a Riviera

Édith Piaf foi indiscutivelmente a maior intérprete da História da música francesa.

O que é curioso notar no percurso de vida daquela que é uma das mais famosas figuras do século XX, são as suas origens. Aos 20 anos, corria o ano de 1935, Édith não era mais do que uma pedinte que cantava nas esquinas de Montmartre e vivia envolvida na atmosfera boémia daquele bairro: a miséria generalizada, crianças marginais, muitas delas negligenciadas pelos pais, a prostituição de rua, em cada beco, em cada esquina e o álcool, sempre o álcool.

Era esta a vã e solitária existência de Édith até ao iluminado dia em que Louis Leplée, dono de um cabaré, reparou no talento da pobre rapariga. Em poucos meses, a jovem tinha o seu primeiro disco de 78 rotações gravado e a França a aplaudi-la, rendida ao seu espetacular talento musical sem qualquer tipo de formação, e à sua característica e brilhante capacidade interpretativa em palco, vestindo a pele das personagens que cantava de forma singular. A cantora saíra diretamente das ruas de Paris para a ribalta: os palcos, os fãs, as flores, os aplausos e a fama.

Apesar disso, nesta época Édith ainda não era um fenómeno à escala global. Era reconhecida na velha Europa e especialmente admirada em França, mas é apenas em meados da década 40 que ruma ao estrelato supremo: o nome de Piaf correu o mundo depois da estreia do estrondoso sucesso “La Vie en Rose”, escrito pela própria. Piaf passou então a atuar com frequência nos Estados Unidos da América, no período imediatamente após a Segunda Grande Guerra, e conquistou os americanos gravando “La Vie en Rose” também em inglês.

Depois dos Estado Unidos seguiu-se a conquista da América Central e do Sul, tendo sido especialmente admirada em países como o México e o Brasil.

Para aqueles que querem descobrir mais sobre a fascinante história de vida desta estrela que veio do nada, recomendo vivamente que assistam ao filme “La Vie en Rose”, (do ano de 2007, realizado por Olivier Dahan), onde Piaf é magistralmente interpretada por Marion Cotillard, que é, de resto, considerada uma das melhores atrizes da sua geração. Há quem diga até que Cotillard nos ensina neste filme como ganhar um Óscar em cinco minutos. Descubram então qual é esse momento trasncendente da fita.

Fonte: France 24

Escrito por: Bernardo Maria de Sottomayor

Editado por: Miguel Costa

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