O 25 de abril e a atualidade

Ainda no dia 24 de abril de 2020, o ponteiro do relógio ou os dígitos apontam para as 23h:30. Passa para as 12 badaladas, para as 00h:00. Recomeça um novo dia. Dia este que é o 25 de abril, dia que tal como a meia-noite aponta para um recomeço, também ele o apontou.

O que se assistiu neste ano foi diferente dos outros, face ao confinamento não houve gente nas ruas, o feriado não foi o mesmo, mas a memória, essa sim permanece, é a mesma, e o seu significado é o mesmo a relembrar, a luta pela liberdade.  As redes sociais enchem-se logo à meia-noite, enchem-se assim mais que em qualquer ano, num ano em que celebramos com a liberdade condicionada devido à nossa segurança. Não nos vemos desprovidos dessa liberdade por semelhantes, mas por um vírus que teima em ficar, e que nos tenta levar os mais sábios, a geração mais rica de espírito de forma generalizada, alguma da geração que sofreu antes de abril e viu um recomeço no 25 de abril. Mas tenho a dizer-vos que a nossa liberdade não se resume à mobilidade, a maior liberdade que temos é a liberdade de pensar, aquela que está na nossa mente e que com a qual podemos viajar por mundos, expor pareceres, através de um simples click.

Este vírus torna-nos mais pobres de pertences, mais pobres a níveis sociais, mas não poderá tornar-nos mais pobres em espírito. O povo canta à janela pela liberdade, unidos, lembram a liberdade, algo que não poderá ser esquecido após tudo isto. Tempos difíceis se avizinham, mas não nos amedrontemos, procuremos soluções em liberdade, liberdade de expressar, de ajudar o outro, sempre a liberdade, nunca contra a liberdade. A liberdade é a voz, é a arma da nação.

Deixo por fim um apontamento atual, uma reflexão de como nós mesmos nos censuramos, uma censura inconsciente. As redes sociais são as mais fortes nessa censura, é fácil atacar nestas, muitos sem sequer dar a cara. O ódio no discurso é cada vez mais evidente, a agressividade que já tanto corrompeu a liberdade. Somos todos livres de nos expressar, mas para isso temos de respeitar a liberdade do outro, argumentar, discutir e não apenas discordar, maltratar por ver ideias diferentes. Por mais incorrecto que seja, por mais que nos chegue às pontas dos cabelos, não será muito mais interessante derrotar ideias que consideramos através de boas ideias?  Argumentação, uma aliada poderosa. Estamos a tornar-nos demasiado agressivos até à mínima coisa. Para quê recorrer a barbaridades quando as palavras são dos maiores dons? Merecem ser bem utilizados. Saber argumentar é uma aprendizagem de cada dia, contra mim falo, somos humanos, cedemos à raiva, mas a argumentação é a favor da razão, dá-nos liberdade.

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Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Beatriz Duarte

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