Fast Fashion: roupas que despem vidas

Fast fashion (moda rápida) é o termo utilizado para definir o padrão de produção e consumo no qual os produtos são produzidos, consumidos e descartados a um ritmo vertiginoso. Mas afinal qual é o verdadeiro custo? Será tão reduzido como aparenta?

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Este modelo de negócio depende da eficiência do fornecimento e produção em termos de custo e tempo de comercialização dos produtos, que são a essência para orientar e atender à elevada procura de novas modas a baixo custo.

Esta tendência começou na década de 60, numa altura em que a geração mais jovem começara a comprar roupa mais barata afim de seguir constantemente as novas tendências, rejeitando a tradição das gerações mais antigas – para as quais a moda não era uma preocupação, de facto, as roupas eram compradas para durar.

Deste modo, a partir dos anos 60, os grandes produtores de roupa tiveram de encontrar formas mais eficazes para venderem produtos baratos a um compasso veloz. A solução passou por começar a fabricar os produtos nos países em desenvolvimento, o que permitiu às grandes marcas vender mais barato e ao mesmo tempo conseguir margens de lucro mais favoráveis.

Mas afinal qual é o verdadeiro custo? Será tão reduzido como aparenta?

Impacto Ambiental:

As cores atraentes e vibrantes das várias peças de roupa que usamos têm custos elevados para o meio ambiente, para o planeta. Isto acontece porque os produtores utilizam químicos tóxicos para atingirem as cores pretendidas. O ato de tingir a roupa é o segundo maior poluente de água do mundo (The Pulse of the Fashion Industry). Para além de poluírem a água, alguns pontos negativos prendem-se com a toxicidade da produção, cancerígenos e bioacumulativos, ou seja, as substâncias desenvolvem- se e acumulam-se mais rapidamente do que o processo de metabolismo ou de excreção de um organismo.

Estes tópicos nocivos aumentam quando falamos do tecido mais utilizado do mundo: o poliéster. Quando a roupa produzida com este material é lavada são libertados “detritos” de microfibras, responsáveis pelo aumento do nível de plástico nos oceanos. Isto acontece porque as microfibras passam facilmente pelos filtros utilizados nos esgotos e nas estações de tratamento de águas e, não sendo biodegradáveis, representam um problema sério para o ambiente, sobretudo, o aquático. Este tipo de lixo torna-se alimento para os pequenos seres-vivos como o plâncton e, a partir daí, afetam a cadeia alimentar até chegar aos humanos.

Também as fábricas de têxteis constituem um papel particularmente desfavorável para o meio ambiente, uma vez que, tal como acontece no meio aquático, estas fábricas destroem ecossistemas terrestres devido aos resíduos poluentes e não recicláveis que acabam por ser deixados à espera da sua própria degradação. Depois de tudo isto, será fácil deduzir que esta indústria, que é a segunda mais poluente, afeta igualmente o meio aéreo com a destruição eficaz da camada de ozono.

Em suma, a produção de vestuário e de calçado contribui para cerca de 5% dos gases com efeito estufa emitidos em Portugal anualmente; ao que se acrescenta ainda a poluição da água, o uso de produtos químicos tóxicos prejudiciais à saúde e ao ambiente, e a acumulação de cada vez mais lixo têxtil que acaba em aterros.

Impacto Humano:

Os países em desenvolvimento acabam por se tornar dependentes destas indústrias, desta exploração da mão de obra. Os governos mantêm propositadamente os salários baixos e evitam constantemente a aplicação de leis laborais locais por medo da recolocação da produção para outros países. Também as marcas preferem continuar com códigos de conduta voluntários por parte dos donos das fábricas de modo a proteger os seus interesses maiores. Assim, podemos facilmente afirmar que esta é uma indústria desumana, que sobrepõe os interesses capitalistas às necessidades humanas mais básicas.

Para fabricar peças de vestuário ou calçado, as empresas pagam menos de três euros, por dia, aos seus funcionários, que vivem em condições cada vez mais precárias. A maioria destes funcionários, muitas vezes crianças dos 3 aos 8 anos, ou indivíduos com pouca ou nenhuma formação, não têm registo de trabalhador, trabalham ilegalmente e, como tal, todo e qualquer tipo de acidente ou problema que os mesmos possam sofrer não são da responsabilidade das grandes marcas como a Zara, Bershka ou Pull&Bear. Na prática, significa que estas pessoas podem (e são) submetidas a horas exaustivas de trabalho intensivo em troca de um salário cada vez mais absurdo e as marcas que comercializam estas roupas não têm nenhuma obrigação legal sobre estes acontecimentos.

Para além disto, acabam por tentar “lavar” a sua imagem denegrida, por violarem os direitos humanos e terem tanto impacto ambiental, com campanhas de relações públicas, promovendo o chamado greenwashing que nada mais é do que investir em vídeos e campanhas “sustentáveis” que mostram como a marca é “amigável e se preocupa com o meio ambiente”, e com o consumidor. A verdade é que sai muito mais barato investir em campanhas de relações públicas para mostrar imagens comoventes e notáveis para nos distrair da realidade horrível por trás desta indústria.

A indústria da moda está numa situação de emergência social e ambiental. No entanto, é imperativo mudar os padrões de produção e consumo actuais – despir camisolas e vestir vidas.

Escrito por: Inês Conde

Editado por: Cláudio Nogueira

As cores atraentes e vibrantes das várias peças de roupa que usamos têm custos elevados para o meio ambiente, para o planeta. Isto acontece porque os produtores utilizam químicos tóxicos para atingirem as cores pretendidas. O ato de tingir a roupa é o segundo maior poluente de água do mundo (“The Pulse of the Fashion Industry“). Para além de poluírem a água, alguns pontos negativos prendem-se com a toxicidade da produção, cancerígenos e bioacumulativos, ou seja, as substâncias desenvolvem-se e acumulam-se mais rapidamente do que o processo de metabolismo ou de excreção de um organismo. Estes tópicos nocivos aumentam quando falamos do tecido mais utilizado do mundo: o poliéster. Quando a roupa produzida com este material é lavada são libertados “detritos” de microfibras, responsáveis pelo aumento do nível de plástico nos oceanos. Isto acontece porque as microfibras passam facilmente pelos filtros utilizados nos esgotos e nas estações de tratamento de águas e, não sendo biodegradáveis, representam um problema sério para o ambiente, sobretudo, o aquático. Este tipo de lixo torna-se alimento para os pequenos seres-vivos como o plâncton e, a partir daí, afetam a cadeia alimentar até chegar aos humanos.
Também as fábricas de têxteis constituem um papel particularmente desfavorável para o meio ambiente, uma vez que, tal como acontece no meio aquático, estas fábricas destroem ecossistemas terrestres devido aos resíduos poluentes e não recicláveis que acabam por ser deixados à espera da sua própria degradação. Depois de tudo isto, será fácil deduzir que esta indústria, que é a segunda mais poluente, afeta igualmente o meio aéreo com a destruição eficaz da camada de ozono.
Em suma, a produção de vestuário e de calçado contribui para cerca de 5% dos gases com efeito estufa emitidos anualmente em Portugal; ao que se acrescenta ainda a poluição da água, o uso de produtos químicos tóxicos prejudiciais à saúde e ao ambiente, e a acumulação de cada vez mais lixo têxtil que acaba em aterros.

 

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