The Desacordo Sessions – The Impala Rush

Quase 5 anos após o lançamento de Currents, os Tame Impala voltam aos álbuns com The Slow Rush, que conta com 12 músicas.

Kevin Parker (a voz de Tame Impala) considera o tempo inimigos dos perfeccionistas pois nunca nada está completo, daí o lançamento do álbum só ter sido realizado no dia de São Valentim (14 de fevereiro) e não em 2019 (como estava previsto). No geral, apesar de ser um albúm mais calmo, continua a ter melodias ricas e inovadoras.

A banda australiana foi cabeça de cartaz do segundo dia da última edição do Coachella. Kevin Parker tinha intenções de lançar o álbum em Abril do ano passado de modo a apresentá-lo no festival: em vez de apresentar o álbum completo, os Tame Impala tocaram os maiores sucessos da sua carreira como “Let It Happen” e “The Less I Know The Better” e, apresentaram “Patience” e “Borderline”: o primeiro tema acabou por não ser incluído em The Slow Rush enquanto que o segundo ocupa a terceira posição na tracklist do álbum.

 

Tame Impala a atuar na última edição do Coachella

 

“One More Year” é o opening track de The Slow Rush onde Kevin Parker reflecte sobre o conceito de tempo e sobre as limitações do mesmo; ao longo da letra, Kevin “explica” que apesar de ter consciência de que o tempo está a passar, e das implicações do mesmo, prefere viver a vida ao máximo, tendo em conta tudo o que pode acontecer.

I never wanted any other way to spend our lives, I know we promised we’d be doing this ‘til we die and now I fear we might

Tame Impala, One More Year

“Instant Destiny” é a segunda música de The Slow Rush e fala do pedido de casamento de Kevin a Sophie, do casamento, e de como será a vida a dois. Musicalmente, “Instant Destiny” recorda o álbum de 2015 de Tame Impala, Currents.

“Borderline” foi tocada pela primeira vez no Saturday Night Live, juntamente com a música Patience. A versão presente no albúm é diferente da apresentada ao mundo no dia 12 de abril de 2019, versão que foi recebida muito bem pela crítica nacional e internacional; a versão presente no albúm contém elementos fortes e “escondidos” de bateria.

 

 

Kevin utiliza a palavra borderline (fronteira em português) mais vezes como um adjectivo, para descrever risco e incerteza, do que como um nome; apesar de assuntos como as imigrações e a passagem de fronteiras serem temas que estão na agenda internacional, a borderline retratada nesta música consiste numa metáfora entre os espaços que se encontram no meio de relacionamentos tóxicos: “We’re on the borderline, caught between the tides of pain and rapture”.

 

 

“Posthumous Forgiveness” foi o terceiro single lançado pela banda australiana, no início do mês de dezembro de 2019. Este tema começa com uma melodia melancólica, fazendo lembrar a sonoridade de InnerSpeaker (primeiro álbum da banda australiana) enquanto que os 2 últimos minutos possuem uma sonoridade similar à de Currents.

 

 

 

Este tema começa com a frase “Ever since I was a small boy, no one else compared to you, no way”; nesta música, Kevin fala do seu pai, que já faleceu, e da relação entre ambos. Na primeira parte da música, Kevin conta do desagrado que sente em relação às atitudes do pai e das suas dificuldades de relacionamento: “But you decided to take all your sorrys to the grave”. Na segunda parte da música, a mudança de ritmo é acompanhada de uma mudança de mensagem, de ponto de vista: Kevin pensa na falta que o pai lhe faz e como gostaria ainda de o ter com ele e de lhe mostrar o seu trabalho: “Wanna tell you ‘bout my life, wanna play you all my songs”

“Breathe Deeper” tem 6 minutos e 12 segundos de duração onde, até aos 4 minutos e 20 segundos, o ritmo é muito similar fazendo lembrar os primeiros trabalhos da banda; no resto da música encontramos um rock psicadélico mais mexido e alternativo. Em “Breathe Deeper”, o principal foco é como respirar fundo pode ser determinante em situações stressantes e negativas de modo a acalmar-nos. Kevin confessou numa entrevista ao Spotify que artistas como Mariah Carey, The Neptunes e Pharrell Williams foram as suas principais referências bem como a sua primeira vez sobre o efeito de ecstasy.

 

“Tomorrow’s Dust” volta a fazer referência ao principal foco deste albúm, a noção de tempo: Kevin faz o apelo para nos focarmos no presente, visto que o tempo é passageiro e quando nos apercebemos do que está a acontecer, o momento já passou. Ao longo da letra, encontramos um paralelismo com a música de 2015,”Past Life”;

What do you want when I say I won’t?

And though I try, I do the same, as though I must

And in the air of today is tomorrow’s dust

Tame Impala, Tomorrow’s Dust

“On Track” é uma música mais calma que começa com uma única nota e que contém elementos de órgão. Este tema aborda temáticas como a perseverança e o processo de ultrapassar certas situações mais complicadas. Kevin Parker diz que “On Track” é a música perfeita para um eterno optimista.

“Lost In Yesterday” foi o quarto single lançado por Tame Impala para The Slow Rush. Este tema fala sobre nostalgia e como acontecimentos passados podem continuar a atormentar o presente. Kevin propõe a quem o está a ouvir que recorde más memorias de modo a “chegar a um acordo” com elas e deixá-las definitivamente para trás. Esta música marca o regresso dos Tame Impala aos videoclips; o último video lançado pela banda foi para o tema “The Less I Know The Better”, em 2015.

 

 

“Is It True”,  segundo Kevin Parker, é uma canção escrita através da perspectiva de alguém que “desiste” de uma relação amorosa por recear o futuro.

“It Might Be Time” fala de como o tempo passa, como uma pessoa pode mudar e como isso pode afectar uma relação. “It Might Be Time” foi lançada no dia 28 de outubro de 2019 e obteve excelentes criticas; até ao lançamento de The Slow Rush, surgiram inúmeros memes com o nome desta música: “It Might Be Time to drop the album”.

“Glimmer” é a música mais curta do album com 2 minutos e 8 segundos e funciona como uma espécie de interlúdio. Esta canção começa com um áudio em que se ouvem pessoas a falar sobre a utilização de bass na música; a utilização bass tem vindo a crescer de ano para ano e esse crescimento tem ocorrido em inúmeros géneros musicais, como no hip hop, na música eletrónica, entre outros.

I just want a glimmer of hope

Tame Impala, Glimmer

“One More Hour” é a música final do 4º álbum de estúdio de Kevin Parker onde este faz um exame de retrospectiva do que lhe aconteceu, do que lhe está a acontecer e do que o futuro lhe reserva. “One More Hour” começa com uma pequena melodia de piano que se vai transformando progressivamente numa melodia com mais elementos, como acordes de guitarra, bateria e vozes de fundo.

 

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Miguel Costa

Editado por: Mariana Mateus

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