Revisão de janeiro: um início de década conturbado

Entramos em fevereiro de 2020 e o mês que passou pareceu durar um ano. Foi um começo de 2020 pesado. Para além do stress dos exames que os estudantes têm de enfrentar, só no mês de janeiro, o ano pareceu estar a descambar completamente, com os olhos dos media muito centrados nos acontecimentos negativos que, na verdade, eram mais que os positivos. Desde uma ameaça de guerra, às catástrofes naturais verificadas com grandes estragos como incêndios, cheias e outros, à chegada do Brexit e à morte inesperada de um astro do basquetebol e da sua filha, um possível prodígio futuro do desporto. Passamos então a uma revisão do mês de janeiro.

América e o Ataque ao Irão

Em primeiro lugar, logo nos primeiros dias de janeiro, vimos o mundo a temer uma guerra entre os Estados Unidos e Irão, que poderiam levar a algo ainda maior, com ameaças entre os países. Tudo se deveu ao ataque fatal dos Estados Unidos ao general iraniano Abu Mahdi al-Muhandis, com a justificação de prevenir futuros ataques iranianos, depois dos EUA afirmarem também que este general foi responsável por coordenar o ataque à embaixada americana no Iraque.

O Irão prometeu vingança e atacou de novo uma base americana no Iraque, no entanto, os americanos e iranianos não voltaram a responder, tendo apenas Trump feito um discurso que ameaçava cortar relações económicas e incentivava países europeus a tomar uma posição. A tensão parece ter acalmado, mas nada nos garante que não reacenda.

Teorias em relação a isto? O que pode ser comentado? Donald Trump, entre 2011 e 2013 dera sempre a entender que Barack Obama iria provocar uma guerra com o Irão para ser eleito. Ora mesmo que o general iraniano fosse responsável por vários crimes, o facto de conquistar cidadãos americanos expondo o seu poder militar e basicamente passando a mensagem de “com os americanos não se metem”, pode ter sido uma das justificações ocultas no ataque, porém neste caso ficamos pelas suposições e pela suspensão de um grande conflito.

Discurso de Trump sobre a situação com o Irão. Fonte: CNN

Catástrofes da Natureza

Em termos de catástrofes da Natureza, 2020 entrou com uma continuação dos incêndios na Austrália que têm vindo a arrasar o país desde setembro de 2019 e ainda não viram fim. Os incêndios mataram cerca de 33 pessoas e destruíram 18 mil quilómetros. Esta catástrofe atingiu diversas espécies de animais, principalmente os coalas, ameaçando a espécie. Recentemente, o serviço meteorológico australiano previu temperaturas que poderão chegar aos 40 graus e fortes rajadas de vento, o que não ajuda no combate aos fogos. A principal preocupação centra-se num incêndio em Vale Orroral, a sul da capital australiana, desde a semana passada devido a um incêndio numa floresta que se pode espalhar pelo sul do país. O fogo não parece estar a dar tréguas à Austrália.

Já no Brasil, as cheias em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, provocaram cerca de 65 mortos, 20 mil desalojados e mais de uma centena de cidades em estado de emergência. Nos últimos dias as temperaturas têm chegado perto dos 40 graus, no entanto, ao que tudo indica, a chuva e o temporal não irão desaparecer tão cedo.

Coronavírus aumenta de dia para dia

O novo Coronavírus (2019-nCoV), foi identificado a 7 de janeiro de 2020, na China. Tal surge na sequência de, a 31 de dezembro de 2019, a China ter reportado à Organização Mundial da Saúde vários casos de doentes com pneumonia de causa desconhecida em trabalhadores e frequentadores do mercado de peixe, mariscos vivos e aves na cidade de Wuhan, província de Hubei.

Janeiro de 2020 ficou também marcado pelo avanço da situação do vírus, que neste momento já se encontra, com um número reduzido de infetados, em cerca de 17 países, entre eles países europeus como Alemanha, França, Itália e Finlândia. O número de mortos na China já subiu para 304, enquanto que os casos nos restantes países se encontram estabilizados. Com o vírus a alastrar a curiosidade quanto ao conhecimento da sua origem aumenta todos os dias. Primeiramente, falou-se da origem do vírus vinda de uma espécie de “sopa de morcego”, porém ao contrário do que está a ser divulgado a sopa de morcego não é assim tão característica e a origem a partir desse prato não terá sido confirmada, assim como nenhuma foi ainda. Porém, acredita-se que o novo coronavírus tenha surgido a partir do comércio ilegal de animais selvagens num mercado em Wuhan.

Outra teoria sugere que o vírus seria parte de um “programa secreto de armas biológicas” da China e teria sido espalhado pelo Instituto de Virologia de Wuhan. É natural tornar-se viral uma teoria como estas, tendo um Instituto como este em Wuhan, onde são realizados estudos relacionados com vírus, e onde possivelmente tudo poderia ter começado, em laboratório.

Outras teorias foram divulgadas, relacionadas com ocultação de informação por parte da China, entre outros fatores, mas a verdade ainda não fora descoberta

São ainda mais informações para avaliar a origem do vírus e a sua transmissão, apelando a que não haja contacto entre pessoas infetadas e não infetadas. Os sintomas reportados por doentes infetados são habitualmente febre, tosse e falta de ar, evoluindo para pneumonia. O Centro de Prevenção e Controlo das Doenças atenta que o tempo de incubação do vírus pode durar entre 2 a 14 dias.

Neste momento ainda não existe vacinas ou tratamentos totalmente adequados à vacina, sendo que se deve ter cuidado com o contágio. Os viajantes que chegam de Wuhan, província de Hubei, China, há menos de 14 dias, e que apresentem sinais e sintomas de infeção respiratória aguda, com febre, tosse e dispneia e nenhuma outra causa que explique a sintomatologia devem ligar para o centro de contato SNS24 (808 24 24 24), antes de recorrer a serviços de saúde, e referir sempre o histórico de viagens, contato com animais e pessoas doentes, seguindo as orientações que lhes forem dadas.

Devemos também tomar medidas como lavar frequentemente as mãos com água e sabão,  tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir, utilizar máscara cirúrgica, se a sua condição clínica o permitir, e outros.

Morte trágica de lenda do basquetebol

Kobe Bryant, de 41 anos, lenda do basquetebol americano, morreu a 26 de janeiro num acidente de helicóptero na Califórnia, juntamente com a sua filha de 13 anos, Gianna Maria-Onore Bryant. O helicóptero particular terá entrado em chamas quando sobrevoava a cidade de Calabasas, morrendo para além de Kobe e a filha, o treinador de basebol John Altobelli, a sua mulher Keri e a filha Alyssa foram vítimas do acidente, assim como mãe e filha Sarah e Payton Chester,  o treinador Christina Mauser e o piloto Ara Zobayan.

O jogador, que começou a carreira aos 17 anos foi cinco vezes campeão da NBA, passando os seus 20 anos de carreira a jogar no Los Angeles Lakers, acabando por se reformar em abril de 2016. Teve inúmeras conquistas. Além dos cinco títulos da NBA, foi considerado o jogador mais valioso da NBA em 2008 e foi campeão olímpico duas vezes.

Após terminar a carreira, ganhou um Óscar de melhor curta de animação em 2018 pelo filme Dear Basketball, uma curta-metragem de cinco minutos baseada no seu amor ao desporto.

A sua filha, Gianna, tinha o talento e a paixão do pai, tendo sido apontada como um dos possíveis futuros prodígios do basquetebol feminino.

Brexit

No último dia de janeiro deu-se um dos acontecimentos tão adiado no Reino Unido o Brexit, que foi recebido com muito alarido e festividade.

Embora o Reino Unido tenha acertado os termos de saída da UE, os dois lados ainda precisam decidir como será o futuro, havendo assim um período de transição de 11 meses, imediatamente após o dia do Brexit e deverá terminar em 31 de dezembro de 2020, onde serão discutidos novos acordos e outros assuntos.

O período de transição tem como objetivo dar aos dois lados o tempo necessário para que um novo acordo de livre comércio seja negociado, já que o Reino Unido deixará o mercado único e a união aduaneira, e um acordo poderá permitir que as mercadorias circulem pela UE sem inspeções ou taxas extras. Se não chegarem a acordo irão ser impostas barreiras comerciais.

Além do comércio,  irão ser discutidos assuntos como o acesso às áreas de pesca, o fornecimento de electricidade e gás, licenciamento e regulamentação de medicamentos, circulação de pessoas, entre outros.

Muitos residentes que não são de origem inglesa, encontram-se preocupados com tal acontecimento, tendo em conta que terão mais entraves nas visitas ao seu país e já são notáveis as atitudes xenófobas mais acentuadas no Reino Unido.

Podemos dizer que janeiro foi sem dúvida um mês de muita ansiedade e mudança, porém o importante é olhar em frente e trabalhar para um fevereiro e um ano mais estável, com respeito mútuo e apelo à paz, para que as boas notícias sejam mais que as más.

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Cláudio Nogueira

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