Os 75 anos da libertação de Auschwitz: um olhar para o passado com o pensamento num futuro

No passado dia 27 de janeiro celebraram-se os 75 anos da libertação de Auschwitz, hoje um símbolo do holocausto, transmitindo uma história deste período negro da Europa que é relembrado e passado de geração em geração.

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Em frente ao portão de Auschwitz, estiveram presentes mais de 200 sobreviventes para relembrar a data, assim como os Presidentes da Polónia, Andrzej Duda (de Israel), Reuven Rivlin (da Alemanha), Frank-Walter Steinmeier e Volodimir Zelenskii (da Ucrânia), que inclusive perdera familiares no Holocausto, sendo ele judeu.

O crescimento de ideais extremistas por todo o mundo, como de movimentos nazis, racistas e antissemitas, esteve no centro dos discursos da cerimónia, apelando ao combate destes e à luta pela democracia e pela paz, numa data que serve de oposição aos maus tratos humanos, ao ódio racista para que um acontecimento como este não se repita.

É importante falar da posição de Portugal quanto a tal acontecimento e de outros atuais que envolvem o povo judeu. O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve em Jerusalém para o Fórum Internacional sobre o Holocausto, onde reafirmou a posição do nosso país em relação à defesa da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, para Israel e para a Palestina, e afirmou ainda que “algum populismo não quer aprender nada com o Holocausto”, em reflexão deste dia.

Porquê o envolvimento de tantos líderes nestas cerimónias que nos fazem relembrar este passado terrível? Porquê preservar um lugar e uma memória que trouxe tanta dor e sofrimento? Porque é realmente importante para a nossa História e para o nosso futuro. É importante mostrar a gerações atuais e futuras, que algo assim aconteceu, que é realmente possível algo assim acontecer, e que devemos de fazer de tudo para que não volte a acontecer. Por mais difícil que possamos imaginar, foi possível, foi real.

Auschwitz e o período do Holocausto não é apenas uma memória, é um acontecimento que deixou marcas, não só visíveis, como as paredes manchadas pelo sofrimento de inocentes que o único pecado que tinham era serem judeus, mas é também uma marca que fica nas mentes de todos aqueles que sobreviveram, um trauma para o resto das suas vidas. Para além dos sobreviventes, os seus familiares carregam também carregam o trauma com eles, através das memórias dos seus pais e avós, e ao continuar a espalhar as suas histórias.

Seria possível voltar a acontecer algo assim? Dificilmente aconteceria neste momento, no entanto, no futuro não poderia dizer que seria impossível, cabe-nos a todos nós zelar pela paz e respeito entre povos, cooperando para um mundo melhor. Sei que estas palavras soam a uma perfeição inexistente, mas mesmo com todos os interesses que movem o mundo, podemos tentar e esforçar para tal. Não nos deixemos dominar pelo medo e pelo egoísmo, ás vezes é bom olharmos para uma realidade diferente da nossa e tentar encontrar um equilíbrio nessas realidades, não vivemos sozinhos no mundo.

É realmente difícil ficar indiferente a este período, a curiosidade de saber como se mergulhou num período tão sombrio, e a dificuldade em acreditar nos atos cruéis pelos quais as pessoas passaram. Deste modo termino com a referência a dois livros, de entre muitos que existem, muito interessantes de histórias de sobrevivência ao período em questão. Terei, como é óbvio, de referir o Diário de Anne Frank, um livro que li num verão do meu sexto ano, de uma rapariga que conta a sua própria história, uma rapariga que estava em crescimento tal como eu, tinha sonhos e paixões que foram arruinadas pelo simples motivo de ser judia. Anne Frank não cometera nenhum crime, era uma jovem como todas as outras, apenas tinha uma cultura diferente.

Seguidamente A Rapariga de Auswitch, de uma sobrevivente do holocausto, ainda viva, Eva Schloss de noventa anos, onde conta como na sua tenra idade viveu tudo aquilo, desde a fuga à vida no campo de concentração. Eva Schloss conviveu com o pai de Anne Frank, Otto Frank, pois após o fim do holocausto este casou com a sua mãe, Elfriede Geiringer, quando Eva tinha 23 anos. Eva continua a partilhar a sua história em palestras, idas a escolas e entrevistas.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Cláudio Nogueira

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