ISCSPoiler – “Le Mans ’66: o Duelo”, uma história verídica de um verdadeiro duelo de titãs

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“Le Mans ’66: O duelo” (originalmente intitulado “Ford Vs Ferrari”) é um filme escrito por Jez Butterworth, John Henry Butterworth e Jason Keller, produzido por Peter Chernin, Jenno Topping e James Mangoldestrelado, dirigido por James Mangold e protagonizado pelos conceituados atores Christian Bale e Matt Damon, que retrata a história verídica de todas as peripécias que antecederam a célebre corrida de 24 horas de Le Mans, no ano de 1966.

A narrativa tem início no ano de 1963, altura na qual Henry Ford II (Tracy Letts) – neto do mítico Henry Ford e então C.E.O. da empresa automobilística – se encontra com vários problemas relacionados com as vendas da marca, que caíram substancialmente nos anos anteriores, ao mesmo tempo que a marca Ferrari vivia um crescente e exorbitante sucesso. A fim de encontrar uma solução para aumentar as vendas, Lee Iacocca (Jon Bernthal), vice-presidente da Ford, sugere que a marca participe na famosa competição de Le Mans, procurando imitar a estratégia da marca italiana, que vencera quatro vezes o torneio nos cinco anos precedentes.

Depois de uma tentativa falhada da Ford negociar com Enzo Ferrari – excelentemente interpretado pelo ator italiano Remo Girone, que para além de apresentar incríveis semelhanças físicas com o fundador da marca topo de gama, o encarna com soberba magnificência – , Henry Ford II ordena aos seus trabalhadores que construam um carro capaz de derrotar os italianos no torneio de 24 horas.

É aqui que a história da Ford se vai entrelaçar com as histórias de Carroll Shelby (Matt Damon), ex-piloto vencedor de Le Mans em 1959, que teve de abandonar o desporto por problemas de coração, e Ken Miles (Christian Bale), que se pode caracterizar como um inglês temperamental, um mecânico dedicado, um pai de família emotivo e um piloto apaixonado pela velocidade e pelos carros em geral.

Shelby e Miles, que na altura se debatem com difíceis problemas financeiros, assumem com a Ford o compromisso de tornar a marca vencedora de Le Mans. No entanto, este compromisso não vai ser assim tão fácil de cumprir, devido a várias divergências e quezílias entre Shelby, Miles e os dirigentes da empresa. Muitos problemas, conflitos e animosidades vão surgir até ao torneio de Le Mans de 1964. Será que Ken Miles vai conseguir concorrer? Será que o carro concebido é o mais adequado ao circuito? Será que a Ford vai, finalmente, conseguir vencer a Ferrari? É o que vamos, progressivamente, tentar perceber ao longo do filme. As emoções são-nos postas ao rubro. O inesperado acontece.

Em termos técnicos, a obra nada a deixa a desejar. A imagem é excelente – os tons vintage transportam-nos para os E.U.A. dos anos 60, sob o sol incandescente, com vários vislumbres das descontraídas indumentárias da época e dos extremamente belos, imponentes e aerodinâmicos carros de corrida – tanto os da marca americana como os da marca italiana.

O que mais me captou a atenção no filme foram, porventura, as reproduções das corridas. Despertaram em mim um enorme sentimento de adrenalina e, honestamente, senti que também eu estava a pilotar um carro a alta velocidade naqueles circuitos tão complexos e competitivos.

A prestação dos atores é também de louvar, com destaque para, como já mencionei, Remo Girone e Christian Bale – que consegue interpretar perfeitamente o papel de um homem com todas as características anteriormente faladas, explorando cada uma delas com bastante rigor. O resto do elenco, nomeadamente quem tem um papel mais preponderante como Matt Damon, Caitriona Balfe e Noah Jupe (que representam Mollie, a mulher de Miles e Peter, o seu filho, respetivamente) também se entrega aos seus papéis de corpo e alma, ilustrando incrivelmente todas a complexidade de emoções, personalidades e sentimentos exigidos pelos seus papéis.

Em suma, “Le Mans ’66: O duelo” apesar do tema desportivo e viril, é um filme bastante intenso que concilia a força com a paixão e o talento com a rebelião. Uma autêntica obra prima e um fiel retrato daquilo que foi e continua a ser o vasto e às vezes injusto universo do automobilismo e das cativantes corridas de carros.

 

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Beatriz Gouveia Santos

Editado por: Júlia Varela

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