Dois Dedos de Música com ÁTOA | “Queremos ser os Xutos da nossa geração”

De quatro passaram a três, mas o talento é inquestionável. Guilherme Alface (Gui), João Direitinho e Mário Monginho nasceram em 1996 e há cinco anos decidiram unir vozes e instrumentos. A rubrica “Dois Dedos de Música” está de volta com ÁTOA.

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Foi em Évora que nasceram, cresceram e começaram a dar os primeiros passos no mundo da música. Chamam-se ÁTOA porque “quando a banda foi criada era tudo assim, um bocado à toa. Não havia ensaios fixos e apenas fazíamos o que queríamos. Que melhor nome poderíamos ter?”. Assumem-se como uma banda de música original pop rock, mas dão às músicas o que acreditam ser “o melhor para a obra final”.

Os três rapazes alentejanos começam por nos explicar o início da sua amizade, bem antes da subida ao palco. “Durante os tempos de escola chegamos a ser da mesma Associação de Estudantes em que o João era o Presidente, o Gui o Vice e o Mário o Presidente da Mesa da Assembleia”, revelam.

O gosto pela música sempre esteve presente. Gui e João estudaram juntos no conservatório de música, já Mário revelou-se um verdadeiro autodidata e aprendeu tudo o que hoje sabe por pesquisa própria. Entre bares, casas de fado e o YouTube, cada um começou a seguir o seu caminho na música. Contam-nos que as suas famílias reagiram bem à decisão de se tornarem músicos, “não acreditaram é que se ia tornar uma coisa tão séria tão rapidamente”, confessam.

São fruto das inovações tecnológicas, porque foi através da plataforma online Tradiio que foram descobertos pela Universal Music Portugal. Verdadeiros millenials, contam-nos que não encontraram dificuldades por serem de uma cidade do interior porque “o online fez do mundo uma aldeia”.

E inspirações? Respondem rapidamente: “Cada um de nós tem as suas inspirações, mas o que nos levou a formar a banda foi a vontade de trazer a Portugal música nova e jovem”. Ornatos Violeta, Tiago Bettencourt/Toranja e Os Azeitonas são nomes que marcam o seu crescimento, sendo verdadeiras inspirações. Hoje em dia, estão atentos a bandas como TwentyOnePilots e Imagine Dragons.

Os ingredientes estão todos preparados. O nome da banda está decidido, a vontade de fazer música está no ponto, as inspirações estão bem temperadas e está tudo pronto para cozinhar. Eis que, em 2015, sai “do forno” o primeiro álbum da banda, “Idade dos Inquietos”. Qual o membro mais “inquieto” do grupo? “Somos todos um bocado à sua maneira, mas agora se calhar o João, por estar sempre a inventar novos projetos fora da música”. Respondem “Sei Lá” quando lhes perguntam qual o melhor concerto das suas carreiras e a resposta nunca é unânime relativamente à música de que mais gostam. A “Hoje” é, no entanto, a música que mais ânimo lhes trouxe nos últimos tempos.

Foi em maio deste ano que os eborenses ÁTOA se lançaram em mais um desafio. “Sem Medos” é o nome do seu último álbum, produzido e composto pelos próprios em parceria com o Twins. E porquê “Sem Medos”? “Porque nós tivemos de perder os nossos filtros e medos para poder dar ao público o que até àquele momento era o melhor de nós”, dizem. “Tirar as vozes da cabeça que nos impediam de avançar. É um bocado como entrar num quarto escuro. As pessoas não avançam porque têm medo do desconhecido e nós entrámos nesse quarto escuro e não jogámos pelo seguro, daí ser sem medos”, revela a banda. Têm apenas medo de que um dia parem de fazer música e as pessoas não sintam a sua falta, mas os sonhos falam mais alto. “O nosso sonho é marcarmos a diferença no panorama. Na brincadeira, dizemos que queremos ser os Xutos da nossa geração. Ficar cá tanto tempo que a nossa música seja transversal a várias gerações. Queremos ainda percorrer o mundo e cantar onde estiverem portugueses (e quem queira ouvir)”.

Por cá, ficamos a desfrutar do trabalho dos ÁTOA. Aconselham-nos a ouvir o seu último álbum que aborda temas como amor, desamor, depressão, motivação e experiências de vida. Um trabalho deles para nós, adequado a todas as ocasiões. E para estar a par de todos os seus passos, dizem que basta segui-los nas redes sociais (atoa.oficial).

Aos jovens que ambicionam um futuro na música, deixam um último recado “Agarrem um instrumento e toquem muito, vão ter com os vossos amigos e formem bandas. O ser humano acabou por evoluir sempre com a cooperação, não se fechem à espera que as coisas aconteçam. Oiçam críticas e melhorem com elas. Nunca desistam se acreditam que a música é mesmo o vosso sonho”. Eles acreditaram que era o seu sonho e aqui estão eles, “sem medos”.

Escrito por: Catarina Cascabulho

Editado por: Cláudio Nogueira

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