No to racism?

No dia 14 de outubro de 2019, Bulgária e Inglaterra enfrentaram-se em jogo, a contar para a Qualificação para o Euro 2020. No decorrer da partida, em Sófia, e quando a partida se encaminhava para o intervalo, começaram a ser entoados cânticos racistas contra a equipa Inglesa. Os autores, com ligações nazis, intensificaram de tal modo o ruído que o árbitro se viu obrigado a interromper o encontro. O mesmo questionou os jogadores ingleses da possibilidade de não continuar a partida. A resposta por parte da comitiva inglesa foi clara, manteve-se em campo todo o tempo regulamentar, tendo vencido por uns expressivos 0-6.

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Kalidou Koulibaly, central senegalês a atuar em Itália, foi também alvo de racismo (ao imitarem o som de macacos), desta vez feita por parte de adeptos do Inter de Milão. Tal situação levou a declarações fortes do próprio: “Façam como em Inglaterra e expulsem as pessoas [dos estádios], mesmo que para a vida inteira, se for preciso. Caso contrário vamos correr o risco de sermos prisioneiros de minorias que se podem multiplicar”.

Também Muntari, Rüdiger, Blaise Matuidi, Kevin Prince- Boateng, Samuel Eto’o, Balotelli e ainda Roberto Carlos, assumem já ter sofrido com atitudes racistas durante a sua carreira, em países como Itália, Espanha ou Rússia. Praticamente todos os casos anteriormente anunciados passaram impunes de castigos mais “pesados” ou avaliados com sanções fáceis de contornar.

Em sentido oposto, Bernardo Silva, jogador português do Manchester City publicou na sua conta de Twitter uma imagem onde surgia Benjamin Mendy numa fotografia ao lado da mascote da marca de doces “Conguito”, em jeito de brincadeira. Mendy respondeu em riso e com fair-play. A verdade é que foi gerada uma enorme polémica em volta dessa mesma publicação que resultou numa multa de 58 mil euros, um jogo de suspensão e foram ainda recomendadas visitas ao psicólogo. A cumplicidade entre os dois jogadores é evidente, e muito poucos acreditam que este tenha sido um comportamento racista, ou pelo menos com intenção de ofender Mendy.

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Para reflexão, fica a forma como se lida com situações de racismo na atualidade, ora se castiga um jogador por algo que muito poucos entendem como sendo um comportamento racista, ora são imunes a qualquer sanção, no caso dos movimentos nazis que quase determinaram o fim de um jogo de uma competição oficial da UEFA. Urge encontrar soluções para, finalmente, poder afirmar que pertencemos a um jogo onde todos somos iguais.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do Desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Gabriel Reis

Editado por: Cláudio Nogueira

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