Dance Summit – À conversa com Bruno Abreu

No último Sábado, dia 26 de Outubro, o Pavilhão Multiusos de Odivelas voltou a ser o palco do Dance Summit, este ano dedicado inteiramente aos estilos de dança urbana. A dança voltou a fazer-se ouvir em Portugal.

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O evento permite experienciar a dança em todas as suas vertentes com diversas atividades. Este ano dedicado aos estilos Breaking Dance, Dancehall, Hip Hop, House e Locking, houve a oportunidade de participar em master classes, de fazer workshops com as referências mundiais Windy Tsoi, Rycardo Gomez e Coddie Wiggins, e de assistir a palestras sobre vários temas, desde a dança no ensino superior à gestão de carreira e fiscalidade para bailarinos.  A novidade deste ano foi o palco Freestyle onde todos os visitantes puderam subir ao palco para dançar o estilo que preferissem.

Esta forma de celebração da dança prima pela energia, boa disposição e partilha acessível a todos, visando os mais variados temas acerca do mundo da dança e permitindo a bailarinos e aspirantes a viver um dia de aprendizagem a todos os níveis.

O Jornal Desacordo esteve lá presente e entrevistou um nome de referência em Portugal. Bruno Abreu é dançarino, coreógrafo e já fundou diversos projetos promotores da dança.

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Bruno Abreu

Desacordo: Que conselhos darias ao Bruno que faria hoje a sua primeira aula de dança?

Bruno Abreu: Comecei a dançar um bocado tarde, o que eu diria ao Bruno era para ele se aplicar, ponderar viajar mais, não se focar só em Portugal e para se esforçar muito.

Desacordo: Como é que percebeste que este era o teu caminho?

Bruno Abreu: Na verdade eu não descobri a dança. Sempre gostei de dançar, mas nunca tinha tido contacto com a dança. Sempre fiz artes marciais e desporto, coisas que não estavam diretamente relacionadas. Acho que foi a dança que me encontrou. Convidaram-me para fazer uma audição, consequentemente entrei para um grupo. Através desse grupo surgiram os meus primeiros trabalhos comerciais, sendo sempre uma consequência de outros encontros e do contacto com pessoas novas, “calhou muito tudo”. Considero que a dança é que surgiu na minha vida e não que eu a procurei, senão com certeza absoluta que teria começado a dançar desde pequeno e não com dezanove anos, que em relação a dançarinos internacionais é muito tarde.

Desacordo: Que qualidades é que achas que um dançarino deve ter para se vingar neste mundo?

Bruno Abreu: Não se pode deixar desmotivar, tem de ter força mental para isso, seja internacionalmente ou aqui em Portugal. Isto porque vivemos num país onde ainda não  se valoriza a arte substancialmente. É importante que a pessoa tenha consciência que vão haver altos e baixos, como em tudo, mas especialmente na dança, como se trata de uma arte, porque, por exemplo, tu vais fazer uma audição e podes ter de fazer um solo com a tua dança e movimento e as pessoas não te escolherem nem para o trabalho nem para entrares na companhia. Independentemente disso é importante que percebas que pelo menos mostraste a tua arte, mostraste um bocadinho de ti. É fácil encararmos os “nãos” como rejeição e torna-se difícil aceitarmos isso, sendo que ouves muita coisa que te vai fazer repensar quinhentas vezes se realmente estarás no caminho certo ou não. Eu acho que é importante que a pessoa acredite em si e trabalhe, pois até pode ser o melhor bailarino do mundo, mas, se não trabalhar, não vai conseguir o que deseja, porque “nada cai do céu”. Portanto, é importante que se prepararem mentalmente, porque haverão sempre alturas boas e alturas más, porém, independentemente disso, continuem sempre a trabalhar.

Desacordo: Porque é que achas que o Dance Summit e este tipo de eventos são importantes para aspirantes a bailarinos?

Bruno Abreu: Primeiro que tudo, porque promove a dança, por isso eu acho que qualquer evento, por mais pequeno que seja ou com menos relevância, se é sobre dança promove-a e isso é sempre bom. O Dance Summit, onde este ano e o ano passado dei aulas, é um evento muito grande com muita coisa, isto porque muitas vezes as pessoas  focam-se apenas em fazer as aulas de dança. No ano passado o evento durou dois dias e inclusive teve palestras sobre nutrição, sobre como é que um bailarino se deve apresentar perante o mercado de trabalho e se quiser fazer trabalhos comerciais o que é que deverá fazer. Então, eu acho importante, antes de tudo, apoiar este tipo de eventos e perceber que é um acontecimento bastante interessante a todos os níveis e as pessoas não devem só dançar, devem experiênciá-lo ao máximo através das palestras, conhecendo gente nova, dançarinos, grupos e escolhas diferentes, porque todo este network que acontece neste evento acrescenta à nossa dança. Isto porque a dança é também feita de experiências e não só de aulas. A quantos mais eventos destes fores mais te vais acrescentar. Acho que é um evento muito fixe. Mesmo que não dancem, para quem gosta de dança vale a pena ir.

Escrito por: Filipa Eleutério

Editado por: Júlia Varela

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