Lá Para Dentro: as primeiras qualificações para o Euro 2020 e o regresso das competições de clubes

Jogaram-se, esta semana, mais duas jornadas da fase de qualificação para o Euro 2020. Esta ronda de jogos foi particularmente importante porque já seis equipas garantiram a presença na principal prova de seleções a nível europeu (que em 2020 terá a particularidade de não ter, pela primeira vez, um país organizador, sendo jogada em 12 países diferentes). A saber, as equipas já qualificadas são a Bélgica, a Rússia, a Itália, a Ucrânia, a Espanha e, por fim, a Polónia.

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As 12 cidades que vão acolher a fase final da prova.

Das equipas já qualificadas, existem duas que merecem ser destacadas pela qualificação excecional que têm feito: são elas a Bélgica e a Itália que, até à presente data, em oito jogos somam oito vitórias. No caso italiano, acrescenta-se ainda o facto de já ter garantido a vitória no grupo J, visto levar nove pontos de avanço relativamente ao segundo classificado: a Finlândia (com apenas dois jogos a restarem).

Já a Bélgica, por sua vez, ainda não garantiu o primeiro posto no grupo I de qualificação, uma vez que este é o único grupo em que já se conhecem as duas equipas que vão ter acesso direto ao Euro 2020: além da Bélgica, a Rússia também já garantiu a qualificação, tendo apenas menos três pontos em relação aos belgas, estando assim na luta pela liderança deste grupo (de salientar que estas duas seleções se vão defrontar em território russo na próxima jornada – um jogo a merecer acompanhamento, mesmo com a qualificação de ambas as equipas já assegurada).

A equipa espanhola, por sua vez, só conseguiu garantir a qualificação nesta ronda com um golo aos 92 minutos de jogo, golo esse que foi apontado por Rodrigo (avançado que atua no Valencia e que conta com uma passagem pelo Benfica) e que valeu o empate frente à Suécia, em Estocolmo, depois de Marcus Berg ter colocado os nórdicos em vantagem à passagem do minuto 50. De toda a qualificação, esta ronda foi sem dúvida a pior para la roja, que em dois jogos arrecadou apenas dois pontos (somou dois empates, frente à Noruega e frente à Suécia, respetivamente).

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Os festejos do golo que colocou Espanha no Euro 2020.

A Polónia, por sua vez, encarou esta ronda com o objetivo de garantir a qualificação e assim foi: vitórias por 0-3 na Letónia e por 2-0 frente à Macedónia do Norte deram seis pontos fulcrais aos polacos que carimbam, assim, a presença na fase final do Euro 2020. Relativamente à seleção polaca, resta apenas destacar o hat-trick apontado pela sua principal estrela no jogo frente à Letónia – referimo-nos, claro está, a Robert Lewandowski.

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Das equipas já qualificadas resta mencionar aquela que foi, até à data, a maior surpresa na fase de qualificação: a Ucrânia venceu os dois encontros que disputou (vitórias por 2-0 frente à Lituânia e por 2-1 frente a Portugal), sendo que neste último desafio o veterano guarda-redes Pyatov defendeu quase tudo o que houve para defender (exceção feita à grande penalidade batida por Cristiano Ronaldo e que lhe valeu o golo 700 na carreira) e em que Portugal, apesar de assumir o controlo do jogo, fê-lo apenas estatisticamente: as ideias de jogo eram escassas e foi mais um jogo apático da seleção das quinas.

O onze apresentado por Fernando Santos neste encontro também é questionável, sobretudo se tivermos em conta que o técnico optou por deixar estrelas como Bruno Fernandes e João Félix no banco. Aparentemente, a única justificação para tal seria a formação tática com que Portugal se apresentou, com o treinador português a preferir apostar numa formação que se baseasse mais na contenção. O que o técnico não contou foi, certamente, já estar a perder aos 6 minutos de jogo, o que indica que aposta numa tática mais ofensiva e num onze bem mais semelhante ao que garantiu a vitória sobre o Luxemburgo (3-0) teria sido uma melhor opção.

Como sempre, os portugueses terão de recorrer à calculadora para fazer contas relativamente à qualificação, numa clara demonstração de complicar o que seria supostamente fácil. Todavia, deve ser enaltecido o trabalho do ex-ponta de lança ucraniano Andriy Shevchenko. Se enquanto jogador foi conhecido pelo seu faro pelo golo, enquanto selecionador esse mesmo faro não mudou: aparentemente é transmissível para os avançados ucranianos que, graças a uma ideia de jogo claramente ofensiva, já carimbaram a qualificação.

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Duas lendas do futebol mundial: Cristiano Ronaldo e Andriy Shevchenko, após o término do encontro que colocou a Ucrânia no Euro 2020.

Na restante prova, merecem destaque pelo seu equilíbrio os grupos C e H, em que ainda não existe qualquer equipa qualificada: no primeiro, enaltecer a prova até agora realizada pela Irlanda do Norte, a discutir a qualificação com dois “tubarões” do futebol mundial: a Alemanha e a Holanda. No entanto, os comandados de Martin O’Neil não terão tarefa fácil porque, além dos três pontos de atraso relativamente às duas seleções que lideram o grupo, os jogos restantes são, precisamente, contra essas equipas. Como diria António Gedeão “o sonho comanda a vida”, e entrega não vai faltar certamente aos rapazes provenientes do Norte.

No grupo H, a campeã do mundo França ainda discute o apuramento com a Turquia e a Islândia, ocupando neste momento o segundo posto em igualdade pontual com a Turquia. No entanto (e tendo em conta os próximos desafios dos gauleses), a qualificação parece estar bem ao alcance dos campeões do mundo em título. Já a Islândia terá de vencer obrigatoriamente os dois próximos desafios (sendo um deles em casa da líder Turquia) e aguardar que ou a França ou a Turquia “escorreguem” duas vezes, ou seja, a Islândia só se apurará diretamente para o Euro 2020 se vencer os dois próximos encontros e caso a Turquia ou a França não obtenham qualquer vitória nos próximos dois jogos. Vida complicada para a equipa sensação do Euro 2016.

Em suma, estão ainda por preencher 18 vagas no Euro 2020. 14 por apuramento direto, 4 através de um play-off que terá por base a prestação das equipas na Liga das Nações (competição ganha por Portugal).

Concluída mais uma ronda de compromissos das seleções, regressam os campeonatos europeus (com exceção feita para Portugal, em que já regressou na passada quinta-feira a Taça de Portugal, e logo com uma surpresa – o Alverca derrotou em casa a equipa do Sporting CP por 2-0) e, a meio da semana, regressam também as duas principais competições de clubes da UEFA: a Liga dos Campeões e a Liga Europa. No decorrer deste fim-de-semana, existem alguns jogos merecedores de destaque, a saber: na Alemanha, o duelo entre os “Borussias”, com o Dortmund a receber o líder Monchengladbach e em Espanha, o Atlético de Madrid – Valencia. Além destes, convém estar atento aos jogos da Taça de Portugal e às tradicionais surpresas que, nesta edição, não tardaram em surgir, como já foi referido.

Para as competições da UEFA: começando pela denominada “liga milionária”, destacar o jogo da única equipa portuguesa em prova (o Benfica recebe no Estádio da Luz o Lyon) e destacar, também, o jogo que ocupa o lugar central no cartaz desta semana: o Inter de Milão recebe o Borussia Dortmund.

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No que à Liga Europa diz respeito, destacar o embate entre a Roma (orientada pelo técnico português Paulo Fonseca) e os alemães do Borussia Monchengladbach, bem como os desafios que envolvem as quatro equipas portuguesas em prova (o Braga desloca-se à Turquia para defrontar o Besiktas, o FC Porto recebe o Glasgow Rangers, o Vitória de Guimarães desloca-se a Londres para enfrentar o poderoso Arsenal e, por fim, o Sporting CP recebe os noruegueses do Rosenborg).

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Em suma, jogos interessantes não faltarão neste regresso das competições de clubes, garantindo assim o entretenimento de todos aqueles que gostam de assistir a um bom jogo de futebol. Casos e surpresas já começaram a surgir, e certamente vão aparecer ainda mais. Mas são essas mesmas surpresas que acabam por dar um certo encanto a este desporto de que tanto gostamos.

Escrito por: Filipe Ribeiro

Editado por: Cláudio Nogueira e João Rego

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