Governo do Equador revogou na noite de domingo o decreto 883, que foi motivo de mobilizações que pararam o país por 12 dias.
As manifestações lideradas pela Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) atingiram, por fim, o seu objetivo, com a revogação do decreto 883 na noite de domingo. “É uma solução para a paz e para o país”, disse o presidente do Equador, Lenín Moreno.
A crise no país começou no início do mês de outubro, quando o presidente decretou o fim do subsídio estatal aos combustíveis, como parte de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que resultou num empréstimo de 4,2 bilhões de dólares ao país. O fim do subsídio levou a um aumento de 123% no preço dos combustíveis.
Tal medida não foi bem aceite, principalmente pela população indígena, que representa cerca de um quarto da população do Equador. Milhares de integrantes desse grupo migraram para a capital Quito, onde exigiam a permanência do subsídio.
O caráter das manifestações promovidas pelos indígenas manteve-se pacífico, embora grupos de manifestantes tenham praticado atos de vandalismo e inclusive incendiado a sede da Controladoria, o órgão fiscal mais importante do país.
Também ocorreram diversos confrontos com os agentes de segurança, que tiveram o comportamento criticado por terem utilizado força excessiva. As manifestações resultaram em pelo menos 10 mortos e muitos feridos.
Para conter a violência na cidade, Moreno ordenou a militarização da capital e um toque de recolher, que não foi acatado pelos protestantes. O governo ainda acusou as forças indígenas de estarem infiltradas por agentes ligados ao ex-presidente Rafael Correa e ao líder venezuelano Nicolás Maduro, acusações negadas por ambos.
Devido ao clima instável na capital, a sede do governo foi movida para a cidade de Guayaquil no dia 7 de outubro, tendo retornado a Quito para reuniões com a oposição.
O acordo, que encerra os protestos e restitui o subsídio ao combustível, foi muito comemorado pela população e pelo próprio presidente, que o considerou uma “vitória política”.
Os protestos reiteram a importância da comunidade indígena na política equatoriana, que já tiveram, inclusive, participações importantes que levaram a quedas de presidentes, como no caso de Abdalá Bucaram em 1997 e de Lucio Gutiérrez em 2005.
Escrito por: Lucca Donassolo
Editado por: Cláudio Nogueira