ISCSPoiler – Joker, uma obra prima

Na passada quinta-feira, dia 3 de outubro, deu-se uma das mais aguardadas estreias do ano, Joker. O filme com a realização de Todd Philipps, mais conhecido pelo seu trabalho na trilogia The Hangover (2009 – 2013), traz ao grande ecrã um Joker bem diferente daquele que foi apresentado desde sempre ao público.

A trama desenvolve-se nos anos 80, em Gotham City, onde Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), tenta seguir o sonho de se tornar comediante, tal como Murray Franklin (Robert de Niro), o seu ídolo, que via na televisão com a pessoa com quem vivia e de quem cuidava, a sua mãe. Para sustentar ambos, Fleck tenta ganhar a vida vestindo-se de palhaço e aceitando trabalho, como fazer publicidade pelas ruas, enquanto treinava as suas piadas que poucos percebiam. Frustrado com a maneira como a sociedade o trata e ao seu trabalho, Arthur vê-se cada vez mais incompreendido, só e perdido, o que vem agravar a sua condição psicológica e que o leva a encontrar-se numa nova personalidade, o Joker.

Desde Batman (1989), de Tim Burton, com Jack Nicholson à frente do papel, ao famoso Joker de The Dark Knight (2008), com uma grande representação de Heath Ledger, e até ao mais recente de Jared Leto em Suicide Squad (2016), talvez o Joker mais infortúnio de todos eles. Joaquin Phoenix revela-nos com excelência um Joker mais próximo da realidade, num filme que atrai um maior leque de espetadores, devido à versão menos ficcional do vilão.

Deste modo, a exposição da história de vida complicada de Arthur acaba por fazer com que o espetador ganhe alguma empatia pelo vilão. Este acaba por se tornar num criminoso por consequência de outra vilã que o leva à loucura, a parte mais suja da sociedade, claramente personificada na cidade de Gotham City, que transborda criminalidade e crueldade, com uma aura acinzentada, triste e pesada. Joker é um cidadão que vê uma sociedade incapaz de responder às suas necessidades.
Seria possível estar o dia todo a discutir sobre diversos assuntos que envolvem esta película, tendo em conta que acaba por ser mais do que um filme ficcional de super-heróis, mas sim uma obra que leva à reflexão política, económica e moral.

Devemos louvar, mais uma vez, a Joaquin Phoenix, pela completa entrega que dá à personagem, física e psicologicamente, tornando Joker o mais credível possível.

É ainda importante referir que a narrativa mostra-nos, de facto, um Joker distante daquele a que estamos habituados a ver, porém não esquece as suas origens, sendo que houve o cuidado de colocar pormenores que sempre estiveram ligados à história do vilão, relacionados com o herói Batman.

Para além da cor da imagem acinzentada, que dá a sensação de uma ambiente pesado, e da alta qualidade desta, a câmara foca-se na maioria das vezes na personagem principal, como é natural, com diversos planos interessantes, que nos transmitem desde raiva, a momentos de loucura, tristeza, entre outros.

A banda sonora combina com a atmosfera do filme com temas pesados, que completam o clima tenso que se verifica em toda a obra e que se agrava à medida que o vilão vai evoluindo. Por outro lado, deparamo-nos também, por vezes, com música clássica, que suaviza o clima, acabando por criar alguns momentos de contraste onde o próprio protagonista parece encontrar alguma paz.

Concluo, assim, dizendo que Joker se apresenta como uma obra prima, que reinventa o famoso vilão Joker e que lança o desafio de encontrar defeitos na sua nova narrativa, promovendo o debate e a reflexão.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Rafaela Boita

Editado por: Júlia Varela

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