Chernobyl e a nova série da HBO

A precisar de fazer uma pausa nos exames? O Desacordo tem uma sugestão para ti!

Com certeza que já ouviste falar no desastre nuclear de Chernobyl, mas já ouviste falar na série? Produzida pela HBO conta apenas com cinco episódios de uma hora cada e possui, até ao momento, a melhor classificação no site da IMDb, ultrapassando a emblemática Guerra dos Tronos e Breaking Bad. Chernobyl relata a história desta catástrofe que ocorreu em 1986, bem como os seus danos, que vão desde a saúde até aos problemas ambientais. Uma história muito cativante e, de certa forma, revoltante. A cidade de Pripyat é atualmente uma cidade fantasma, recebendo até bastantes turistas nos últimos tempos devido à popularidade da mini série.

O reator 4 da central de Chernobyl explodiu devido a falhas de segurança de vários níveis. Em primeiro lugar, o teste que era necessário realizar consistia na redução da potência do reator e verificar se o mesmo conseguia continuar a produzir, isto claro, gastando menos. Em segundo lugar, os operadores que se encontravam na sala de controlo receberam as instruções erradas, quebrando vários protocolos e, quando se aperceberam do mal que estavam a fazer, já nada podia ser feito, uma vez que as barras de contenção do reator, em vez de ajudarem, causaram a explosão (devido ao material barato).  Em terceiro lugar, foi lamentável ver a prestação do governo que nada fez para minimizar os danos que eles próprios tinham causado. Exemplo disto foi a não evacuação da cidade logo de início, afirmando que estava tudo bem.

Se eles não conseguissem apagar o reator provavelmente não estaríamos aqui, dado que as consequências da radiação iriam destruir a Europa. Erros e má gestão por parte da região ucraniana, que na altura pertencia à União Soviética, foi a conclusão que retirei destes cinco episódios, no entanto existem duas perspetivas.

Por um lado, nunca nada do género tinha acontecido no mundo, prova disso são os cientistas especializados em energia nuclear e que tiveram dificuldade em resolver o problema. É ainda de salientar que estávamos em 1986, o que corresponde cronologicamente à guerra fria, ou seja, a União Soviética encontrava-se em conflito com os EUA. Com este contexto, o que quero mostrar-vos é que seria humilhante admitir ao resto do mundo que era necessário ajuda para a catástrofe que estava a acontecer.

Por outro lado, não deixo de pensar o que poderia ter acontecido se realmente o problema tivesse sido do conhecimento de todos. Se ter energia nuclear, na altura, era uma forma de demonstrar poder, então que apostassem na segurança de todos, isto é, dos trabalhadores da central, de toda a população que vivia naquela zona e, em consequência dos episódios, do resto do mundo. Calcula-se que os riscos de contaminação continuarão por 20 mil anos. O que dá que pensar… até que ponto é que nós, hoje em dia, não sofremos com as consequências do erro da União Soviética? O aumento do cancro pode ser uma delas.

Aconselho vivamente a que vejam a série visto que deveria ser de conhecimento geral o que aconteceu naquele dia. Claro que pode sempre haver ficção no meio, mas uma coisa é certa, este acidente tomou estas proporções devido a questões políticas e sobretudo à ignorância e prepotência dos líderes.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Mariana Rodrigues

Editado por: Inês Queiroz

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