Skepta no LAV: Como dar ‘Shutdown’ em Lisboa sem precisar de segurança

Quando ouvem a voz dele, eles correm para o palco. Skepta, “pai” do Grime britânico e um dos maiores impulsionadores do género musical, pisou ontem pela primeira vez um palco na capital portuguesa, num concerto cheio de energia que já era esperado há bastante tempo, depois de atuar em dois palcos “nortenhos”: NOS Primavera Sound em 2017 e Vodafone Paredes de Coura em agosto deste ano. Englobado na tour europeia SK Level, Skepta convidou ainda para o aquecimento os rappers LD, da label 67, Lancey Foux e Frisco, integrante da sua crew Boy Better Know (BBK). 

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Depois de alguns êxitos do hip-hop atual, como Sicko Mode ou Mo Bamba, promovidos pelo DJ DarkSunn, coube a Lancey Foux, aniversariante do dia, o aquecimento para uma noite cheia de grime. Lancey foi até o que mais fugiu ao registo habitual do underground inglês, apresentando um trap articulado com a sua voz britânica que, apesar de pouco convencional, se apresentou como uma boa surpresa para os presentes, que apesar de a meio gás, não pararam quietos durante todo o set. 

De seguida foi a vez de LD apresentar algumas músicas (e não só!) do seu novo projeto, The Masked One. Um dos artistas mais energéticos da noite apelou ao moshpit inúmeras vezes e o público lisboeta não o desiludiu. Sem nunca revelar a sua face, LD prosseguiu ao longo de meia hora com o seu drill britânico super violento e agressivo, algo que os presentes adoraram.

Antes do concerto de Skepta, subiu Frisco ao palco do LAV, um nome mais conhecido do público fã de grime e da BBK. Com voz fina característica e uma energia constante foi também uma meia-hora de bastante animação que teve até direito a uma sabotage do set por parte de Skepta, que entrou em palco a meio para, em jeito de brincadeira, fazer um scratch na mesa do DJ, acabando por “estragar” a música. O ânimo foi geral e todos se riram do rapper que entrava de seguida. As vozes pediam-se já treinadas e aquecidas para Joseph Junior Adenuga.

E Skepta entrou mesmo a matar! O êxito Praise The Lord, colaboração do britânico com o rapper americano A$AP Rocky, deu o mote para uma noite épica, e foi entoada por todos os que se deslocaram ao LAV. Não havia maneira mais genial para iniciar o concerto e Skepta assim prosseguiu com That’s Not Me, um dos maiores êxitos de sempre do rapper. Sempre a pedir a energia do público (como se fosse preciso pedi-lo), passou por temas do álbum Konnichiwa e da EP Vicious, mas não se esqueceu dos fãs de longa data, perguntando precisamente “Where my old school fans at?” antes de interpretar Ace Hood Flow, tema lançado em 2012 que pôs os presentes a gritar pela BBK.

Com um afrobeat mais mexido e menos grimy, o tema Energy, que conta com a participação de Wizkid acalmou um pouco a sala do LAV, apoiado por um dos momentos visuais mais incríveis da noite, com luzes vermelhas, azuis e verdes a acompanhar a interpretação da música de maneira irrepreensível. Mas a calma não durou muito tempo pois, logo a seguir, Crime Riddim voltou a explodir com as colunas da sala lisboeta.

Embalado com o hype do público, Skepta voltou a chamar LD ao palco para interpretar Neighbourhood Watch, música dos dois britânicos. Tal como no seu próprio set, LD mostrou-se mais uma vez bastante possante. Por esta altura, já Skepta agradecia ao público lisboeta, “you’ve been fucking sick” mas não tão sick como o grande momento da noite, que chegou de seguida assim que Man se começou a ouvir nas colunas. A música que assenta num sample energético dos Queen of The Stone Age puxou toda a gente e o “caos” foi geral, com o já infalível moshpit no meio do recinto.

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Houve tempo para músicas como Hypocrisy, em que Mr. Adenuga rimou violentamente e com uma voz zangada, à semelhança de No Security, deixando ciente que “you murder me I will live for eternity” e não podíamos concordar mais. It Ain’t Safe, em que A$AP Bari contribui com um refrão, foi também um momento bastante energético com todos a gritar uma das lines clássicas de Skepta: “Ring ring pussy, it’s your mommy on the phone!”.

Como seria de de esperar, Shutdown iniciou o término do concerto. Sendo um dos temas mais agraciados de Skepta, foi mais uma vez um momento muito bonito e eletrizante em que ninguém estava parado nem calado. O derradeiro tema, Pure Water, um dos mais recentes do rapper, deixou todo o público a pedir “Pure water and lots of ice” por mais um bocado, pedindo “só mais uma!” e apelando ao retorno de Skepta, que apesar de subir ao primeiro piso do LAV, não fez a vontade aos fãs.

A estreia de Skepta em Lisboa mostrou-se curta mas enorme. Cerca de 45 minutos de Grime poderoso e uma presença em palco incrível, bastante diferente de um concerto num festival, o que já seria de esperar. Skepta não desilude e espera-se agora pela sua afirmação nos palcos portugueses.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Fotos: Hélder White

Escrito por: Bruno André

Editado por: Inês Queiroz

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