ISCSPoiler – Johnny English volta a Atacar – Um regresso esperado e (im)previsível

Johnny English

Sete anos depois do segundo filme, Rowan Atkinson regressa, pela terceira vez, ao papel do espião Johnny English, parodiando os filmes de espiões.

Quando Rowan Atkinson apresentou Johnny English na estreia no Reino Unido em 11 de Abril de 2003, o personagem afigurava-se como uma fusão do estilo de James Bond (da era de Connery e Brosnan) com a infantilidade e absurdidade de Mr.Bean. O primeiro filme tinha uma história bastante evidente do início, English queria travar o francês Sauvage (interpretado por John Malkovitch) de se tornar o rei de Inglaterra, mas ninguém o levava a sério devido à sua incompetência e desleixo. English também era acompanhado de Bough (interpretado por Ben Miller). Em síntese, o filme original propunha-se uma paródia dos filmes de James Bond, especialmente Die Another Day (2002).

A sequela, O Regresso de Johnny English (2011), tentou fazer-se uma paródia da era Daniel Craig como Bond. O curioso deste filme, e que o fez tão interessante, foi o facto de este filme ser uma paródia de Skyfall (filme que celebra os 50 anos de James Bond), que ainda não tinha estreado (o filme teve a sua estreia em 2012). O filme aborda os mesmos temas de Skyfall, o agente que volta depois de uma missão falhada, que tem de reintegrar num mundo que já não necessita dele, não podendo confiar em ninguém, nem mesmo na sua organização. Contudo, o filme pega nessas convenções e exagera-as.

O novo filme, Johnny English: Volta a Atacar, que estreou em Portugal no passado dia 4 de outubro, não sabe exatamente que filme pretende parodiar. Num aspeto global, é uma paródia de Spectre (2015), em que aborda as questões da utilização e manipulação de dados, tal como o ciberterrorismo. Mais uma vez, o agente mais improvável de todos os tempos é puxado da reforma para mais uma missão, mas não está sozinho. Tal e qual como Spectre, que trouxe de volta o vilão Blofeld da era Connery, Johnny English: Volta a Atacar traz de volta o seu assistente Bough do primeiro filme. Mas, à parte disto, este filme não tem mais que o ligue ao filme que parodia.

O filme, para audiências que vêem pela primeira vez um destes filmes, vão divertir-se com o humor surreal de Atkinson, mas, para fãs do ator e da saga, não vão notar nada de novo. O filme “recicla” muito do que foi usado em filmes anteriores, o repertório clássico de comédia do ator, como a sátira a outras nacionalidades, o interesse por automóveis e a representação da má sorte. Contudo, existem três momentos que são bastante originais e diferentes, que merecem ser vistos.

No geral, Johnny English: Strikes Back, é um filme que contém algumas coisas que o distinguem dos seus antecessores em alguma maneira, como uma excelente produção, boas cenas de ação e um bom argumento. Mas, se não tivesse o nome de peso que é Atkinson, seria misturado com outros filmes de comédia que saíram este ano. Um bom filme, mas com pouco material original, especialmente de um dos melhores comediantes de todos os tempos.

Nota: 6/10

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Guilherme Lopes

Editado por: Ana Mendes

 

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