Do Old School ao Rap Crioulo, o Hip-Hop marcou o segundo dia do Festival Iminente 2018

O segundo dia do Festival Iminente 2018 ficou marcado pela preponderância do Hip-Hop. Desde o primeiro concerto no Palco Outdoor do rapper crioulo Loreta KBA até uma viagem temporal que nos trouxe os maiores êxitos de Mobb Deep, Nas, Grandmaster Flash e N.W.A., o dia de ontem pedia bastante energia e compromisso dos verdadeiros fãs do género.

Depois de Loreta, foi a vez de Keso vir diretamente de Matosinhos, segundo o próprio, às 6h da manhã para poder estar no palco Outdoor a horas. O rapper nortenho tem um estilo muito próprio, que prima pelo liricismo e pelo flow alternativo que, com o sotaque do Porto, dá toda uma outra conotação às músicas. Tivemos direito a assistir ao vivo à primeira música escrita por Keso, ainda com 15 anos, Bairrismundo, que o próprio falou e disse ser uma palavra inventada por ele. Não faltaram êxitos como BruceGroove ou Defeito Sério para se completar o concerto que levou 1 hora e que aqueceu o recinto para o Rei do rap tuga que se seguiria, Valete.

Mas antes disso, acontecia no palco Cave o live set do Dj Fumaxa, oriundo de Massamá. Fumaxa é conhecido por passar aquele hip-hop contagiante durante os seus concertos e desta vez não foi excepção. Não faltou Lil Pump, Lil Uzi Vert, Migos, Zara G, GrogNation e ainda muito grime, com Skepta, JME, BBK e Stormzy.

Às 20h00 foi a hora de Keidje Lima atrair as atenções para si. Valete já é daqueles artistas que se sabe que o concerto vai ser épico antes de entrar em palco, e assim foi, pecando só pela curta duração do mesmo, cerca de 45 minutos, mas três quartos de hora que valeram por mil. O rapper apresentou-se com Bónus e cantou alguns dos seus temas mais clássicos como Roleta Russa, Fim da Ditadura e Subúrbios e passou também por êxitos mais recentes como Rap Consciente, onde homenageou um leque de MC’s portugueses como Nerve, Slow J, Sam the Kid, Kappa Jotta, Mundo Segundo, Dillaz, entre outros.

Houve tempo para Valete homenagear também Marielle Franco, ativista brasileira que foi assassinada em março deste ano. O momento mais arrepiante do festival foi definitivamente as homenagens de Valete a Marielle Franco e… a Sam the Kid. O rapper lançou recentemente um tema chamado mesmo Samuel Mira, e cantou-o ontem no Iminente, emocionando grande parte dos presentes. Não podia faltar também claro, Canal 115.

A onda que nos trouxe o Hip-Hop mais old school começou de seguida, no palco Outdoorcom Dj Maseo dos De la Soul a trazer muitos clássicos que foram ouvidos durante os 30 anos de carreira do grupo proveniente de Long Island, Nova Iorque. Para além de temas dos De la Soul, também pudemos ouvir Eazy-E e o clássico Boyz-N-The-Hood e ainda Life’s a Bitch de Nas, bem como muitos outros clássicos intemporais do tantas vezes mencionado por Maseo “o verdadeiro Hip-Hop“. Houve também espaço para homenagear Mac Miller e deixar uma mensagem a todos os jovens para se divertirem, mas sempre com cuidado.

Ao mesmo tempo que Maseo fazia vibrar o Monsanto inteiro, na Cave, Vado Más Ki Ás mostrava o melhor do rap crioulo num concerto tão underground como energético. Moshpits foram frequentes, principalmente em Poi Carro Na Som, Na Correria e Ghetto ou Cidade. 

No palco Outdoor era a vez de Kool G Rap, rapper que iniciou carreira em 1986, atuar no Iminente, aos 50 anos de idade. O veterano trouxe vários temas que o acompanharam ao longo dos tempos, mas talvez pela pouca adesão do público aos crowd hypes por não saber as letras da música, o rapper mostrou-se um pouco chateado, ainda que o disfarçasse por meio de declarações de amor “aos verdadeiros fãs de hip-hop“.

Foi-se-lhe a voz a meio do concerto, mas não parou aí, apesar de tudo. Infelizmente, o concerto não se prolongou por mais de meia-hora, fruto do conjunto de fatores desfavoráveis. Ainda assim, o pouco que foi chegou para encher os ouvidos aos que ali foram para assistir a grandes barras de Hip-Hop da velha escola.

Para terminar um dia em cheio para os amantes do Hip-Hop, Havoc dos Mobb Deep entrou em palco por volta das 00h30 e aí o delírio foi total. Foram cantados vários temas clássicos de um dos grupos percursores do Hip-Hop a nível mundial, ecoadas muitas vezes palavras de homenagem ao vocalista do grupo, falecido no ano passado, Prodigy. Momentos épicos que os presentes poderão recordar mais tarde, por poderem ver ao vivo algumas das músicas que despoletaram a cadeia de acontecimentos que conduziu ao Hip-Hop que conhecemos hoje, músicas como Survival of the Fittest, Hell on Earth, Murda Muzik, Eye for an Eye e claro, Shook Ones Pt. II. A altura em que toda a gente gritou “cause there’s no such thing as Halfway Crooks” ficará na memória de todos.

O segundo dia do Iminente focou-se no Hip-Hop mas hoje, último dia de Festival, temos muito mais: Marta Ren & The Groovelvets, Carlão, Sara Tavares, Gisela João, Sequin serão os principais nomes. Mantém-te atento!

 

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Escrito por: Bruno André

Editado por: Daniela Carvalho

Fotografias de: Daniela Carvalho

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