Hip-hop, trap e música angolana (e síria) a marcar presença no primeiro dia do Festival Iminente 2018

Criado em 2016, o Festival Iminente tem como objetivo reunir, num só espaço, “a nova música e a nova arte numa experiência de intensa intimidade coletiva”. Depois de uma edição muito bem sucedida em 2017, que contou com nomes como Slow J, Capitão Fausto, Halloween, Regula, Holly Hood, Noiserv, Capicua e Carminho, e artistas como Vhils, Bordalo II e Wasted Rita, o Festival Iminente volta a trazer a arte urbana a Lisboa, desta vez no Panorâmico de Monsanto.

O Iminente não só tem espetáculos musicais como também decide, e muito bem, presentear os seus visitantes com vários projetos dos mais diversos artistas. E não podia existir melhor local para divulgar a arte que o ponto mais alto da cidade de Lisboa, que se adequa, sem qualquer dúvida, ao ambiente cultural que caracteriza o Festival Iminente. Na edição deste ano, Wasted Rita, ±maismenos±, Boris Chimp 504, Fahr 021. 3, João Louro, Pedro Gramaxo, Francisco Vidal, André Saraiva, Pichiavo, Ricardo Jacinto, Sónia Balacó, Error 43, VSP Crew e, por fim, o curador do festival, Vhils, foram os artistas convidados para demonstrarem a sua arte no festival.

Em relação à música, Conan Osiris, Bonga, Papillon e Omar Souleyman eram alguns dos nomes mais esperados deste primeiro dia de festival. Conan Osiris abriu o palco Outdoor com a sua boa disposição contagiante, interagindo sempre com o público e puxando sempre por eles, para que nunca deixassem de cantar ou de dançar. Tinha também consigo no palco um bailarino, o que animava ainda mais a festa que se começava a criar em Monsanto.

De seguida, Bateu Matou: Quim Albergaria, Riot e Ivo Costa, três bateristas que continuaram o espírito de animação que já se fazia sentir em Conan Osiris. Baseando-se em várias estilos musicais como rap, pop e até mesmo música africana, Bateu Matou usam músicas como fundo para que, posteriormente, possam usar a percussão para as transformar em algo diferente.

Depois da animação dos Bateu Matou, foi a vez de Bonga, músico angolano famosíssimo pelo seu tema Mariquinha, subir ao palco Outdoor e levar a loucura das vibes africanas às centenas de fãs que, durante uma hora, não arredaram pé do recinto. Para além de Mariquinha, não faltaram temas como Kambua ou Lágrima no Canto do Olho, sempre com o Semba Angolano em grande destaque.

Apenas 15 minutos após o início do concerto de Bonga no palco Outdoor, no palco Cave já só se pensava em Hip-Hop. O jovem rapper Yuzi, que em menos de um ano teve uma ascensão astronómica, entrou em palco por volta das 20h15, acompanhado por Benji Price na mesa de mistura e, com um dos seus temas mais conhecidos, Tómas, a servir de mote para um concerto cheio de energia. Vários êxitos foram ouvidos ao longo de 50 minutos, tais como YuziGang e Shut Up, também a colaboração com Profjam, Gwapo, apesar deste não se encontrar no festival e, para terminar, dois dos temas mais famosos e energéticos de Yuzi, Tsubasa e XXX, convidaram ao moshpit inúmeras vezes antes de fechar o concerto.

O concerto mais esperado do dia surgiu no mesmo palco e cerca de 20 minutos depois de Yuzi terminar. O rapper Papillon, que faz parte do grupo GrogNation, decidiu em março deste ano lançar um álbum em nome próprio. O êxito de Deepak Looper não podia ter sido maior. Como tal, o gig de Papi foi, mais uma vez, memorável. Entrou com 1:AM com muita força e ajuda do público e passou por quase todas as músicas do álbum, como Impressões, I’m The Money ou Impasse. Houve tempo e espaço ainda para Slow J subir a palco e cantar juntamente com Papillon o tema Imbecis.

Depois de Impec, Papillon agradeceu por todo o apoio que lhe foi dado desde que lançou o seu álbum debutante, num dos momentos mais emotivos do dia, onde o próprio teve mesmo que se esforçar para não verter uma lágrima. Para terminar em grande, Metamorfose Fase 2 foi um dos temas mais cantados pelos presentes, num momento de loucura em que até o guitarrista, Vasco Ruivo, desceu para junto do público para também ele poder “curtir” como se de um fã se tratasse.

Houve ainda tempo de assistir ao concerto do sírio Omar Souleyman, que chegou mesmo a refugiar-se na Turquia após a eclosão da guerra civil na Síria. Omar Souleyman é conhecido por transportar para os seus temas grandes modelos da cultura curda, árabe, turca e até iraquiana e, apesar de não se movimentar muito durante o concerto, puxar pelo público não é problema para ele. O veterano que entrou no mundo da música em 1994 convidou à dança e a boa disposição, evidente durante todo o set, com o público a aderir muito bem às batidas árabes do seu DJ.

Coube aos peruanos Dengue Dengue Dengue animar o último concerto do palco Outdoor, também com batidas bastante convidativas à dança e ao bater de pé e, já no palco Cave, depois da energia dos Octa Push, o remate final ficou ao encargo de Rastronaut e AkaCorleone. Rastronaut, DJ que já passou várias vezes pelo Boiler Room e por vários festivais dentro e fora de portas portuguesas, é bastante fiel à Global Club Music, apesar de a misturar com um leque de sons tropicais around the globe, como batidas africanas e sul-americanas. Para este set no Iminente 2018, contou com a presença do artista visual AkaCorleone, antigo designer gráfico de várias empresas que se tornou mais tarde num ilustrador freelancer, aliando a parte visual ao espetáculo sonoro de Rastronaut. Uma combinação explosiva.

No meio de tudo isto, houve ainda tempo para um surprise act: Fatboy Slim, DJ conhecido por misturar todos os tipos de sons, como house, hip-hop e techno, sobe ao panorâmico, dando um concerto para os festivaleiros presentes em todo o recinto.

Assim se passou o primeiro dia do Iminente 2018. Hoje, dia 22, o festival contará com nomes como Keso, Valete, Havoc, Fumaxa, Vado Mas Ki Ás e Kool G Rap, num dia direcionado para o Hip-Hop. Se não vieste não tem problema, o Desacordo contar-te-à tudo o que tens de saber do Festival Iminente 2018. Fica atento!

 

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Escrito por: Bruno André e Daniela Carvalho

Fotografias de: Daniela Carvalho

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