Não deitamos a toalha ao chão, mas que sirva de lição

Dia 15 de abril de 2018, jogou-se na luz o maior clássico dos últimos 30 anos do futebol português: SL Benfica x FC Porto. Em jeito de contextualização, o Benfica tinha ascendido à liderança da Liga NOS 2017/2018 após o descuido do Porto no Restelo, frente ao Belenenses, fixando uma vantagem de um ponto sobre os dragões de Sérgio Conceição. Com 4 jornadas para o fim do campeonato, uma equipa como o Benfica está obrigada a vencer o rival direto frente aos seus próprios adeptos, no tão mundialmente conhecido “Inferno da Luz”. O futebol joga-se e nem sempre ganha o que mais merece, o que mais fez em busca da vitória. Neste caso, nenhum dos dois mereceu ganhar.

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Ao Porto, pedia-se uma forte pressão nos metros iniciais da construção encarnada, e ao Benfica pedia-se um ataque avassalador de cortar a respiração como tem vindo a ser nos últimos jogos. Fez-se sentir a falta de Jonas no Benfica, apesar da primeira parte de relativa superioridade em relação ao Porto.

O intervalo trouxe complacência aos encarnados, vá-se lá saber qual a razão, e tal abatimento fez-se sentir durante quase toda a segunda metade do jogo. Merecendo ou não, o Porto acaba por fazer um golo aos 90′, por intermédio de Herrera, que soube aproveitar a atrapalhação da defesa benfiquista, rematando sem chance para dentro da baliza de Bruno Varela. Posteriormente, um lance discutível já dentro dos descontos na área do Porto, onde os encarnados pediram pénalti de Ricardo Pereira sobre Zivkovic. Como no futebol ganha quem marca mais golos, ganhou o Porto.

A apatia encarnada no clássico da Luz só vinha confirmar a teoria de que por muito bom treinador que seja, o Professor Rui Vitória nunca soube apresentar um Benfica à Benfica nos jogos “grandes” nestes 3 anos de comando das águias, tanto dentro de portas como nas competições europeias, salvo a excepção dos jogos frente ao Bayern Munique. Falta-lhe estofo. Mas o Professor não é condenado à injustiça de se responsabilizar inteiramente pelo fracasso deste ano desportivo.

Como tetracampeões, muitos foram os jogadores que viram subir o seu valor no mercado internacional, “forçando” o Benfica a vender peças fulcrais do plantel como Nélson Semedo, Ederson e Lindelof. Só com estas três transferências, o Benfica arrecadou cerca de 120M de euros. Foi dada a prioridade orçamental a algo que nos ainda é desconhecido, mas ao reforço do plantel para rumar ao inédito e tão esperado “P3N7A” não foi de certeza. Vimos Bruno Varela (sem querer tirar a qualidade ao jovem guarda-redes) passar a titular do Benfica, literalmente, do nada. O seu substituto, o jovem belga de 18 anos Milos Svilar, que apesar de cotado como “o próximo Preud’homme”, apenas foi lançado às feras da Liga dos Campeões, que muito mal lhe correu, assim como a toda a equipa. Nem entremos por aí.

André Almeida, o jogador que “todos os treinadores gostavam de ter” revelou ser uma boa solução para alguns jogos, mas “alguns” é pouco quando se trata de um titular do Benfica. O seu suplente? Douglas, vindo do Barcelona. Esta frase quase nem faz sentido, pois Douglas acabou por ser o maior flop da época e, se calhar, um dos piores jogadores que passou pela Luz nos últimos anos. Rúben Dias, central da formação eleito para substituir Lindelof, entrou nervoso, mas bem. Nem sempre foi o mais confiante, o mais seguro ou o mais eclético, mas nunca comprometeu e ainda marcou um par de golos. No entanto, nenhum reforço de peso que fizesse crer que, dentro do Benfica, se aspirava ao Penta.

Bem, o Porto ainda vai aos Barreiros defrontar o sempre difícil Marítimo, recebe o Feirense que está na luta pela manutenção e visita o “carrasco” Vitória de Guimarães. Vencendo o Sporting em Alvalade com aquela pinguinha de sorte dos últimos anos e esperando um desaire nortenho ainda vamos lá. Mas agora é pensar no próximo jogo caseiro, o já “tranquilo” Tondela. O jogo começa e o Benfica faz o 1-0, na Luz. Como quase sempre, neste inferno de crentes esperançosos por um milagre, o jogo deveria estar resolvido, era na Luz. Mas não, perdemos 2-3, na Luz. E foi também na Luz que caiu um misto de raiva, tristeza, descuro, humilhação e revolta. Devem estar a brincar com isto.

Estas pessoas não merecem o Benfica como nós. “Ganharam 4 anos seguidos, estás a ser injusto”, aquele argumento estilo Luís Filipe Vieira como quem diz “É pá, não podemos ganhar sempre…”. Peço desculpa mas eu quero ganhar sempre e não apoio uma mentalidade diferente no que toca ao Benfica. Não é por não sermos campeões que digo isto, mas sim pela maneira com que foi gerida toda esta época desde o início. Fazendo um review rápido da época, merecemos o Penta? É isso que é triste.

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Só peço que em Alvalade honrem a camisola que têm vestida, porque eu estarei sempre com aquele 1% de esperança. Mas se, de acordo com as probabilidades, o Porto vingar, peço também aos “senhores de cima” do Sport Lisboa e Benfica que retirem desta época de fracasso as respostas que necessitam, para já a partir do próximo campeonato voltar a apresentar-se um Benfica competitivo, avassalador, um Benfica… à Benfica.
Ainda não atiro a toalha ao chão, mas, por favor, aprendam com isto. Vocês não são o Benfica, somos todos. Honrem a história deste clube.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Bruno André

Editado por: Daniela Carvalho

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