Eleições presidenciais na Rússia: Putin foi o vencedor previsível

As eleições presidenciais do passado dia 18 de Março foram uma confirmação daquilo que já seria expectável: Vladimir Putin ficará mais 6 anos à frente dos destinos da Federação Russa. O grande nível de popularidade interna do qual Putin beneficia foi transposto para sufrágio, tendo conseguido 76% dos votos.

Apesar de terem concorrido mais sete candidatos ao cargo de Presidente da Federação Russa, estes eram considerados como ”oposição formal”, não apresentando grande ameaça ao poder de Putin. Alexei Navalny, o activista anti-corrupção mais conhecido da oposição russa e o mais crítico do regime, foi impedido de se candidatar por estar acusado de fraude fiscal, tendo sido considerado o único candidato que poderia causar sombra a Putin.

Foram também feitas acusações de fraude eleitoral por parte de ONG’s e da oposição, tendo sido observados fenómenos como a colocação de votos falsos em urnas. Mas estes fenómenos que se observaram ao longo do dia de eleições pouco abalam a credibilidade do Putin, que se impõe como líder incontestável: tendo sucedido a Boris Ieltsin na presidência em 2000, o actual presidente conseguiu pôr fim ao caos que se estabeleceu após a queda da União Soviética nos anos 1990. Tendo conseguido criar relativa estabilidade económica, tendo aumentado o nível de vida das populações e tendo conseguido a reafirmação da Rússia como uma potência mundial, Putin, aos olhos da generalidade do povo russo, é visto como a opção certa para mais 6 anos.

Embora ainda persistam problemas estruturais na economia russa (cujos ciclos estão fortemente dependentes da exportação de petróleo e gás natural, um mercado volátil em termos de preços) e o rendimento per capita da população (estimativa de 10.000 doláres) ainda estar muito abaixo em comparação com países como a Alemanha (44.000 dólares), o Kremlin tem-se servido de uma clássica estratégia das grandes potências: o desvio das atenções dos problemas internos para os problemas externos.

A Rússia tem-se confrontado com inúmeros desafios na ordem externa como, por exemplo, a aproximação da NATO nas clássicas zonas de influência russa. A anexação da Crimeia (cuja incorporação formal à Federação Russa fez 4 anos no dia das eleições russas) por parte da Rússia foi uma resposta directa à aproximação da Ucrânia ao eixo UE-NATO, e a participação no conflito sírio também tem como objectivo contrabalançar a hegemonia americana no Médio Oriente. A aproximação à China e o anúncio feito ainda este mês acerca do desenvolvimento de novas armas nucleares são outros dos planos russos para uma política externa robusta.

Mas conseguirá Putin conciliar uma ordem interna assente em estabilidade económica e melhoria das condições da população com uma política externa dispendiosa baseada no ”hard power”? Os próximos 6 anos o dirão.

Escrito por: Andriy Voyevoda

Editado por: Inês Queiroz

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